O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal (PF) que tratou “algumas vezes” com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), da proposta de venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB), além de relatar encontros pessoais, inclusive em sua residência. O governador nega ter discutido o negócio. As declarações constam de inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e ampliam o alcance político das investigações sobre a operação, vetada pelo Banco Central do Brasil e posteriormente seguida pela liquidação do Master.
Em resposta a questionamento específico da delegada Janaína Palazzo, Vorcaro confirmou que o tema da aquisição — anunciada em março do ano passado e barrada pelo BC em setembro — foi levado ao conhecimento de Ibaneis em encontros institucionais com a presença de terceiros. Questionado se o governador esteve em sua casa, o empresário respondeu afirmativamente e acrescentou que também já esteve na residência do chefe do Executivo local.
O depoente não detalhou o conteúdo das conversas. A autoridade policial tampouco se aprofundou nos diálogos, e Vorcaro evitou comentar conexões políticas mais amplas em Brasília, sustentando que não guardariam relação direta com o objeto do inquérito.
Versão do governador e divergência de narrativas
Procurado, Ibaneis Rocha negou ter tratado da operação com Vorcaro. Segundo o governador, houve apenas um encontro social, a convite para um almoço, sem discussão do negócio. A negativa explicita uma divergência relevante entre as versões apresentadas à PF e à imprensa.
BRB, ciência da operação e estimativas iniciais
No mesmo dia, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, declarou em depoimento que Ibaneis foi informado sobre o andamento das operações financeiras do banco estatal com o Master. A informação foi revelada pelo UOL e confirmada pelo Estadão.
Inicialmente, o governador estimou que a aquisição poderia elevar a distribuição de dividendos ao Distrito Federal para R$ 1 bilhão por ano. Em um primeiro momento, a gestão tentou avançar sem autorização da Câmara Legislativa do DF, mas foi compelida pela Justiça a buscar o aval parlamentar.
Veto do BC, liquidação e rombo bilionário
Após o veto do Banco Central à transação, a administração local passou a estudar aportes no BRB para cobrir prejuízos associados à compra de créditos de alto risco. As investigações da PF e do Ministério Público Federal apontam indícios de que o Master teria vendido R$ 12,2 bilhões em carteiras inexistentes ao banco estatal. O rombo estimado no BRB chega a R$ 4 bilhões.
Conforme revelado pela Coluna do Estadão, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cobrou da gestão local a definição de um socorro financeiro ao BRB, diante do risco de intervenção do Banco Central.
Mudança de discurso ao longo do ano
O tom das declarações do governador e da vice-governadora Celina Leão (PP) variou conforme o avanço do caso. Em março, quando a oferta foi anunciada por R$ 2 bilhões, Ibaneis classificou o momento como um “dia de festa”. Em abril, afirmou que o risco era limitado, alegando a exclusão de ativos mais problemáticos.
Após o veto do BC, o discurso tornou-se cauteloso, com a admissão de interrupção do negócio caso se mostrasse inviável. Em novembro, com a liquidação do Master, Celina Leão afirmou que Ibaneis determinou a troca do comando do BRB após a PF divulgar suspeitas de fraudes bilionárias, reiterando a apuração de responsabilidades.
*Com informações dos jornais O Globo, Folha de S.Paulo e Estadão.








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