O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar ainda nesta semana a escolha do advogado e ex-chefe do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) Wellington César Lima e Silva para comandar o Ministério da Justiça e Segurança Pública. A indicação, segundo aliados do Palácio do Planalto, encontra-se em fase final de consolidação política e envolve consultas a ministros do Supremo Tribunal Federal e a dirigentes partidários. O movimento ocorre após a saída de Ricardo Lewandowski e evidencia o peso político do núcleo baiano do PT, liderado pelo ministro Rui Costa, senador Jaques Wagner e pelo governador Jerônimo Rodrigues.
Escolha em fase final e consultas institucionais
A expectativa no Planalto é que o anúncio seja formalizado nos próximos dias. Embora Lula já tenha sinalizado preferência pelo nome de Lima e Silva a auxiliares diretos, o presidente optou por concluir conversas com ministros do Supremo Tribunal Federal e lideranças partidárias antes da oficialização, em um movimento de cautela política e institucional.
No PT, a escolha não é consensual. Um setor da legenda em São Paulo defende o nome do deputado federal Rui Falcão, sob o argumento de que a indicação poderia facilitar a reorganização interna do partido no estado diante do cenário eleitoral de 2026. Ainda assim, a articulação liderada pelo grupo baiano mantém predominância no entorno presidencial.
Perfil técnico e relação direta com o presidente
Atualmente à frente do departamento jurídico da Petrobras, cargo para o qual foi indicado pelo próprio Lula, Wellington César Lima e Silva consolidou relação de confiança com o presidente durante os 18 meses em que comandou a Secretaria de Assuntos Jurídicos da Presidência da República.
No período, despachava quase diariamente com Lula, sendo responsável pela análise de atos presidenciais, avaliação de indicações, elaboração de despachos e interlocução com diferentes áreas do governo. O desempenho reforçou sua imagem como quadro técnico com domínio da burocracia estatal e conhecimento profundo do funcionamento da Esplanada dos Ministérios.
Trajetória no sistema de Justiça e episódio no STF
A carreira de Lima e Silva inclui atuação como promotor de Justiça e procurador-geral do Ministério Público da Bahia. Em 2010, foi nomeado chefe do MP baiano durante o governo de Jaques Wagner, episódio que marcou sua inserção no núcleo político-institucional do PT no estado.
Em 2016, no contexto do impeachment da presidente Dilma Rousseff, chegou a assumir o Ministério da Justiça, mas permaneceu no cargo por apenas 14 dias. A posse foi anulada pelo STF, sob o entendimento de que integrantes do Ministério Público não poderiam ocupar funções no Executivo, decisão que se tornou um marco em sua trajetória pública.
Articulação baiana e reforço do eixo político no Planalto
Nos bastidores, a indicação de Wellington César Lima e Silva é atribuída principalmente à articulação de Jaques Wagner, com apoio direto de Rui Costa e respaldo político do governador Jerônimo Rodrigues. O trio é apontado como responsável por sustentar o nome junto ao presidente, reforçando a centralidade da Bahia no atual arranjo de poder do governo federal.
Apesar de divergências pontuais no passado recente entre Costa e o indicado, interlocutores relatam que houve reaproximação política, o que contribuiu para a consolidação do nome. O ministro-chefe da Secom, Sidônio Palmeira, também figura entre os apoiadores da indicação.
Contexto da transição no Ministério da Justiça
A vaga foi aberta após a exoneração de Ricardo Lewandowski, publicada no Diário Oficial da União na sexta-feira (09/01). Lewandowski encerrou uma gestão de quase dois anos sem consolidar uma marca própria, com projetos estruturantes ainda em tramitação no Congresso Nacional.
Até a posse do novo titular, a pasta segue sob comando interino do secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto, designado para garantir a continuidade administrativa e a transição institucional.
Força regional e cálculo político
A escolha de Wellington César Lima e Silva indica uma aposta de Lula em um perfil técnico-operacional para o Ministério da Justiça, em contraste com setores do PT que defendiam um nome de maior projeção política e presença nas redes sociais. A decisão sugere prioridade à gestão interna da máquina pública e à estabilidade jurídica em um ano sensível do ponto de vista eleitoral.
Ao mesmo tempo, a indicação expõe com clareza o peso político conjunto de Rui Costa, Jaques Wagner e Jerônimo Rodrigues, consolidando o núcleo baiano como um dos principais centros de influência do governo federal. A convergência entre Casa Civil, Senado e governo estadual reforça a capacidade desse grupo de pautar decisões estratégicas no Planalto.
Por fim, a confiança pessoal de Lula no indicado e sua trajetória no sistema de Justiça tendem a garantir previsibilidade institucional à pasta. Persistem, contudo, desafios relevantes, como a articulação com o Congresso e a condução de pautas sensíveis em um ambiente de elevada polarização política e intensa vigilância judicial.
*Com informações do Estadão e Folha de S.Paulo.
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