O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), oficializou o convite ao prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), para integrar sua chapa como pré-candidato a vice-governador nas eleições estaduais. O anúncio, feito durante coletiva de imprensa no município, consolida uma articulação política que busca ampliar a presença da oposição no interior do estado, reunindo lideranças regionais e sinalizando uma estratégia eleitoral baseada na capilaridade municipal e no fortalecimento de alianças partidárias.
O ato político realizado em Jequié reuniu nomes relevantes da política baiana, entre eles o vice-prefeito Flavinho Santana (União Brasil), a prefeita de Vitória da Conquista Sheila Lemos (União Brasil), o deputado federal Leur Lomanto Jr. (União Brasil) e o ex-deputado federal e dirigente estadual do PP, Cacá Leão.
A presença dessas lideranças reforçou o caráter coletivo da decisão e evidenciou a tentativa de construção de uma aliança ampla e articulada, com participação de diferentes correntes políticas. Ao anunciar o convite, ACM Neto enfatizou que a escolha de Zé Cocá não foi isolada, mas resultado de convergência interna.
“Zé Cocá foi unânime, consensual, vem com respaldo e apoio de todo o nosso grupo político”, afirmou.
A declaração aponta para um esforço deliberado de evitar fissuras internas e apresentar ao eleitorado uma chapa já consolidada, elemento tradicionalmente valorizado nas disputas estaduais.
Interiorização da campanha e peso regional de Jequié
Ao justificar a escolha, ACM Neto destacou não apenas o perfil político de Zé Cocá, mas também o simbolismo da decisão de anunciar a composição em Jequié. O gesto foi apresentado como um reconhecimento ao papel estratégico da região no cenário político baiano.
Segundo o pré-candidato, a presença de um nome do interior na vice reforça o compromisso com uma gestão mais descentralizada e atenta às demandas regionais.
“Estamos fazendo um gesto de prestígio e reconhecimento à importância de Jequié e de toda essa região”, declarou.
A estratégia segue uma lógica histórica da política estadual, em que a construção de chapas com representação territorial diversificada busca ampliar o alcance eleitoral e consolidar bases fora da capital.
Trajetória política de Zé Cocá e capital eleitoral
A escolha de Zé Cocá também foi sustentada por sua trajetória administrativa e política. ACM Neto destacou a experiência acumulada pelo prefeito, que inclui mandatos como:
- Prefeito de Lafaiete Coutinho
- Deputado estadual
- Prefeito de Jequié
- Presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB)
Esse percurso, segundo aliados, confere ao pré-candidato a vice um perfil de gestor com inserção municipalista, capaz de dialogar com prefeitos e lideranças locais em diferentes regiões do estado.
Além disso, sua atuação à frente da UPB é vista como um ativo político relevante, especialmente em um estado onde a articulação com municípios tem papel central na formação de bases eleitorais.
Críticas à gestão estadual e construção de narrativa oposicionista
Durante a coletiva, ACM Neto também utilizou o espaço para apresentar críticas à gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT), concentrando seu discurso em áreas sensíveis como segurança pública e saúde.
No campo da segurança, o pré-candidato afirmou que a violência deixou de ser um problema restrito à capital e passou a afetar de forma generalizada o território baiano.
“O problema da segurança pública hoje não atinge mais apenas a capital. É a realidade de toda a Bahia”, afirmou.
A declaração reforça uma linha discursiva já recorrente na oposição, que busca associar a gestão atual a uma percepção de aumento da insegurança.
Na área da saúde, ACM Neto destacou a dificuldade de acesso a serviços especializados no interior, mencionando a sobrecarga das cidades-polo e falhas no sistema de regulação.
“O que a população quer é atendimento, é solução para o problema da regulação”, disse.
O foco nesses dois eixos indica a tentativa de consolidar uma agenda eleitoral centrada em temas de impacto direto na vida cotidiana da população.
Propostas para o interior e agenda econômica
Outro ponto central do discurso foi a defesa de políticas voltadas ao desenvolvimento econômico do interior, especialmente nas regiões do semiárido.
ACM Neto argumentou que há uma lacuna histórica de investimentos estruturantes, citando a necessidade de iniciativas voltadas a:
- Agricultura e produção rural
- Sistemas de irrigação
- Infraestrutura hídrica
- Geração de emprego e renda
Segundo ele, o estado ainda enfrenta dificuldades estruturais relacionadas à seca e à falta de oportunidades econômicas em áreas fora dos grandes centros.
“Boa parte do território baiano está no semiárido e precisa de perspectiva”, afirmou.
A abordagem indica uma tentativa de dialogar com setores produtivos e populações diretamente impactadas por limitações climáticas e econômicas.
Aceitação do convite e discurso de confiança política
Ao aceitar o convite, Zé Cocá destacou que sua decisão foi baseada tanto em aspectos políticos quanto em elementos de confiança pessoal.
O prefeito afirmou acreditar no projeto apresentado por ACM Neto e na possibilidade de mudanças na condução do estado.
“Com projeto de governo, não de poder, é o que Neto sonha aqui”, declarou.
Em sua fala, também recorreu a referências tradicionais ligadas à confiança e à palavra empenhada, reforçando valores frequentemente associados à política regional.
“A palavra de homem vale mais do que qualquer coisa. Acredito no fio do bigode”, afirmou.
A declaração sinaliza uma tentativa de construção de imagem baseada em credibilidade, compromisso e proximidade com o eleitorado, elementos que historicamente têm peso em disputas locais.








Deixe um comentário