Vice-prefeito de Lafaiete Coutinho declara apoio a Jerônimo e amplia tensão na chapa de ACM Neto com Zé Cocá

O vice-prefeito de Lafaiete Coutinho, Edson Ferreira Santos, o Dani do Som (Avante), declarou na quarta-feira (27/05/2026) apoio ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) nesta terça-feira (26/05/2026), em Salvador, em um movimento que acrescenta tensão política à chapa oposicionista liderada por ACM Neto (União Brasil) ao Governo da Bahia, tendo Zé Cocá (PP) como candidato a vice-governador. A adesão ganha relevância porque Lafaiete Coutinho está vinculada à trajetória política de Cocá, ex-prefeito do município por dois mandatos, e atualmente é administrada por Flávio Brandão Santana, o Binho (PP), irmão do candidato a vice na chapa de oposição.

Apoio de Dani do Som atinge área simbólica de Zé Cocá

A movimentação de Dani do Som tem peso político por ocorrer em um município associado à base histórica de Zé Cocá. O vice-prefeito foi eleito em 2024 na chapa de Binho, pelo PP, tendo o próprio Dani do Som, do Avante, como companheiro de chapa. Dados eleitorais divulgados por veículos que utilizam informações do TSE registram Binho como candidato do PP em Lafaiete Coutinho, com Dani do Som na vice.

Na eleição municipal de 2024, Binho venceu a disputa em Lafaiete Coutinho com 2.487 votos, o equivalente a 63,41% dos votos válidos, segundo apuração baseada em dados oficiais do TSE. O resultado consolidou a permanência do grupo ligado a Zé Cocá no comando local, o que torna a mudança de posição do vice-prefeito um fato de repercussão direta sobre a coesão do bloco político.

O apoio de Dani do Som a Jerônimo Rodrigues, portanto, ultrapassa a dimensão de uma adesão isolada. O gesto interfere em um território tratado pela oposição como área de influência consolidada e sinaliza que a disputa pelo interior da Bahia permanece aberta, mesmo em municípios onde determinadas lideranças mantêm histórico eleitoral expressivo.

Movimento ocorre após formalização da chapa de ACM Neto

A declaração ocorre em um momento de reorganização das forças políticas na Bahia para as eleições de 2026. Em março, ACM Neto oficializou em Feira de Santana a chapa da oposição ao governo estadual, tendo Zé Cocá como vice e João Roma e Angelo Coronel como nomes ao Senado, em ato que buscou demonstrar unidade partidária e capacidade de interiorização da campanha.

Antes disso, ACM Neto já havia oficializado o convite a Zé Cocá para compor a chapa como candidato a vice-governador, em um movimento apresentado pela oposição como estratégia para ampliar sua presença no interior baiano. A escolha de Cocá buscava agregar densidade municipalista, especialmente em regiões onde o ex-prefeito de Jequié construiu base política.

A perda de uma liderança eleita em Lafaiete Coutinho, contudo, cria um ruído político relevante. Embora não altere formalmente a composição da chapa, a adesão do vice-prefeito ao campo governista alimenta a leitura de que a oposição enfrenta dificuldades para preservar unidade territorial em áreas consideradas estratégicas.

Pressão sobre a composição oposicionista

O episódio também ocorre em meio a avaliações internas sobre o desempenho de lideranças agregadas à chapa de ACM Neto. Conforme o conteúdo fornecido, aliados do ex-prefeito de Salvador já vinham demonstrando incômodo com a atuação do senador Angelo Coronel, diante da percepção de que sua presença não teria produzido, até o momento, a expansão esperada de apoios políticos.

A chapa oposicionista foi construída como uma frente ampla, reunindo União Brasil, PP, PL e Republicanos, com o objetivo de ampliar capilaridade eleitoral e reduzir a vantagem territorial do grupo governista. No entanto, a movimentação de Dani do Som mostra que a formação de uma chapa majoritária não garante, por si só, disciplina política automática nas bases municipais.

A disputa baiana de 2026 tende a ser marcada por movimentos sucessivos de adesão, acomodação e recomposição. Nesse ambiente, prefeitos, vice-prefeitos, ex-gestores e vereadores passam a exercer papel decisivo, sobretudo em cidades pequenas e médias, onde lideranças locais costumam influenciar diretamente a organização eleitoral, a mobilização de bases e a formação de palanques.

Lafaiete Coutinho ganha relevância na disputa estadual

Lafaiete Coutinho não possui o peso demográfico dos grandes colégios eleitorais baianos, mas tem valor simbólico no atual tabuleiro político por sua conexão com Zé Cocá. A cidade aparece, neste episódio, como referência territorial de uma disputa maior entre o grupo de Jerônimo Rodrigues e a oposição liderada por ACM Neto.

O gesto de Dani do Som também reforça a estratégia do governo estadual de atrair lideranças municipais vinculadas, direta ou indiretamente, ao campo adversário. Essa prática, comum em períodos pré-eleitorais, busca reduzir a capacidade de organização da oposição no interior e ampliar o alcance político do governador em regiões onde a disputa tende a ser mais competitiva.

No caso específico de Zé Cocá, o impacto político reside menos no número absoluto de votos de Lafaiete Coutinho e mais na mensagem transmitida pela adesão: uma liderança eleita dentro de uma composição local associada ao grupo do candidato a vice-governador passa a apoiar o principal adversário da chapa estadual.


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