O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou um jato executivo modelo Embraer 505 Phenom 300, prefixo PT-PVH, durante compromissos de campanha eleitoral em outubro de 2022. A aeronave foi empregada na caravana “Juventude pelo Brasil”, iniciativa de apoio ao então presidente Jair Bolsonaro, com deslocamentos por capitais do Nordeste, além de Brasília e cidades de Minas Gerais.
O pastor e influenciador Guilherme Batista, ligado à Igreja Batista da Lagoinha, também esteve nos voos realizados entre 20 e 28 de outubro de 2022. Os deslocamentos tinham como objetivo cumprir a agenda de atos e encontros com apoiadores durante o período que antecedeu o segundo turno das eleições.
A informação foi divulgada pelo jornal O Globo na terça-feira (03/03/2026). Segundo o veículo, os trajetos teriam sido confirmados por meio da análise de sinais de transponder da aeronave, compatíveis com o roteiro da campanha política.
Registros de voo e investigação relacionada
De acordo com a publicação, o histórico de navegação indica pousos em diferentes capitais nordestinas e em Brasília. Uma fotografia divulgada em rede social por uma influenciadora religiosa também mostraria o parlamentar e o pastor em frente ao avião utilizado nos deslocamentos.
A aeronave foi associada ao empresário Daniel Vorcaro, identificado como dono do Banco Master. O nome do empresário também aparece em investigações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura supostas irregularidades na concessão de créditos e movimentações financeiras.
Conforme as apurações preliminares divulgadas à época, as fraudes investigadas poderiam alcançar valores bilionários. O caso inclui análise de operações envolvendo o Banco Regional de Brasília, instituição pública ligada ao governo do Distrito Federal.
Versões apresentadas pelas partes
Em nota à imprensa, Nikolas Ferreira afirmou que utilizou a aeronave exclusivamente para cumprir agenda de campanha e que não tinha conhecimento sobre eventual proprietário do avião. O deputado declarou que soube posteriormente da possível vinculação do nome de Vorcaro ao jato.
Segundo o parlamentar, não houve vínculo pessoal, comercial ou institucional com o empresário e, à época, não existiam informações públicas que indicassem irregularidades relacionadas ao uso da aeronave. Ele acrescentou que o convite para o deslocamento ocorreu apenas no contexto das atividades políticas.
Por outro lado, a empresa Prime You, operadora do avião, informou que Daniel Vorcaro não era e não é proprietário da aeronave. A companhia declarou que o jato operava sob regime regular de táxi aéreo, com voos fretados, sem relação societária entre usuários e o equipamento. A operadora também afirmou que não divulga dados de clientes por cláusulas de confidencialidade e que o empresário deixou de ser sócio minoritário em 2025.
Contexto político e repercussão
O episódio passou a integrar o debate público por envolver uso de aeronave privada durante campanha eleitoral e eventual ligação com empresário investigado em operação policial. As manifestações oficiais mantêm versões distintas sobre a propriedade do jato e o conhecimento prévio dos passageiros.
Até o momento, não há indicação de responsabilização formal relacionada ao uso da aeronave no período eleitoral. O caso segue restrito à divulgação de informações documentais, notas públicas e registros de voo.
*Com informações da Agência Senado.











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