O deputado estadual Robinson Almeida (PT) criticou, nesta segunda-feira (16/03/2026), as declarações do prefeito de Salvador, Bruno Reis, que afirmou que o ex-prefeito da capital baiana, ACM Neto, passou a atuar em consultorias após a derrota na eleição para o governo da Bahia em 2022 com o objetivo de “sustentar a família”. Segundo o parlamentar, a justificativa apresentada pelo prefeito não se sustenta diante do patrimônio declarado por ACM Neto à Justiça Eleitoral e das movimentações financeiras atribuídas à empresa de consultoria ligada ao ex-prefeito.
De acordo com Robinson Almeida, o volume de recursos movimentados após a eleição e a origem dos pagamentos recebidos pela empresa vinculada ao ex-prefeito levantam questionamentos que, em sua avaliação, exigem explicações públicas detalhadas. O deputado sustenta que a narrativa apresentada pela prefeitura tenta deslocar o debate das suspeitas relacionadas às atividades da consultoria.
Patrimônio declarado por ACM Neto
Na declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral durante a eleição de 2022, ACM Neto informou possuir patrimônio de R$ 41,7 milhões. O montante inclui diferentes tipos de ativos financeiros e patrimoniais, entre eles:
- Aplicações financeiras
- Fundos de investimento
- Planos de previdência privada
- Imóveis
- Participações acionárias em empresas de comunicação
Para Robinson Almeida, esse volume de patrimônio já seria suficiente para gerar renda a partir de investimentos. Na avaliação do parlamentar, a alegação de que o ex-prefeito precisaria trabalhar em consultorias para sustentar a família não corresponde à realidade patrimonial declarada.
“Quem tem um patrimônio desse tamanho não precisa trabalhar para sustentar a família. Os próprios investimentos já garantem renda”, afirmou o deputado.
Questionamentos sobre empresa de consultoria
O parlamentar também citou relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) que apontariam movimentações consideradas atípicas em uma empresa de consultoria vinculada a ACM Neto.
Segundo as informações mencionadas por Robinson Almeida, a empresa foi aberta em dezembro de 2022, logo após o período eleitoral, com capital social de R$ 2 mil. Apesar do valor inicial reduzido, os relatórios indicariam que a consultoria movimentou aproximadamente R$ 5,75 milhões em pouco mais de um ano.
De acordo com os dados citados pelo deputado, parte desse montante — cerca de R$ 3,6 milhões — teria sido transferida para a conta pessoal de ACM Neto.
Os pagamentos teriam sido realizados por instituições financeiras e empresas de investimento, entre elas:
- Banco Master
- Reag Investimentos
Ambas foram mencionadas pelo parlamentar no contexto de investigações e reportagens sobre o que ele classificou como um grande escândalo financeiro envolvendo o sistema financeiro nacional.
Cobrança por esclarecimentos públicos
Para Robinson Almeida, as circunstâncias envolvendo a consultoria e os valores movimentados justificam a necessidade de transparência e esclarecimentos por parte do ex-prefeito.
O deputado afirmou que a comparação feita pelo prefeito Bruno Reis entre a atividade empresarial de ACM Neto e a realidade de trabalhadores comuns seria inadequada.
“Sustentar a família é a realidade de milhares de trabalhadores em Salvador. Já receber milhões em consultorias suspeitas de instituições envolvidas em um grande escândalo financeiro exige transparência e explicações”, declarou.
Segundo o parlamentar, a discussão não se limita ao patrimônio do ex-prefeito, mas envolve também a origem dos recursos e a natureza dos serviços prestados pela consultoria.
Contexto político e repercussão
As declarações ampliam o embate político entre aliados do governo estadual e lideranças da oposição na Bahia. ACM Neto, que governou Salvador entre 2013 e 2020, permanece como uma das principais figuras da oposição ao governo estadual e mantém influência relevante no cenário político baiano.
O debate sobre as atividades de consultoria do ex-prefeito ocorre em meio a disputas políticas regionais e a questionamentos sobre relações entre agentes públicos, instituições financeiras e contratos privados.
Até o momento, não foram divulgadas decisões judiciais relacionadas às movimentações mencionadas pelo deputado, e os questionamentos apresentados permanecem no âmbito do debate político.








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