ACM Neto enfrenta nova escalada de desgaste após caso Banco Master, e senador Jaques Wagner diz que revelações são “a ponta do iceberg”

As suspeitas em torno do ex-prefeito de Salvador ACM Neto ganharam novo peso político nesta sexta-feira ao extrapolar o debate regional e alcançar a própria direção nacional do União Brasil. Nesta sexta-feira (13/03/2026), durante agenda em Camaçari, o senador Jaques Wagner afirmou que o que veio a público até agora sobre a relação entre Neto e o Banco Master seria apenas “a ponta do iceberg”, acrescentando que haveria “mais coisa a caminho”, ainda sob sigilo. A declaração ocorre num momento em que reportagens ampliam a repercussão de repasses financeiros à empresa A&M Consultoria, ligada ao ex-prefeito, e em que a legenda enfrenta questionamentos paralelos sobre gastos da Fundação Índigo, presidida por Neto.

Caso Banco Master amplia a crise política

O centro mais imediato da controvérsia está nos dados revelados pela imprensa a partir de informações do Coaf, segundo os quais a A&M Consultoria, empresa ligada a ACM Neto, recebeu R$ 3,77 milhões do Banco Master e da gestora Reag. A divulgação desses valores deslocou o caso do terreno meramente especulativo para o da pressão política concreta, sobretudo porque a cifra passou a ser tratada como elemento de interesse público em meio ao avanço das apurações e da cobertura nacional.

O episódio ganhou nova densidade com a repercussão de informações de que a Prefeitura de Salvador concedeu ao Banco Master exclusividade para ofertar operações de crédito no cartão rotativo a servidores municipais por meio do Decreto nº 33.502, publicado em 4 de fevereiro de 2021, já na gestão do prefeito Bruno Reis. A conexão política entre Bruno e ACM Neto — de quem foi vice-prefeito e sucessor no comando do grupo — ampliou os questionamentos sobre eventual coincidência entre a relação institucional do município com o banco e os pagamentos feitos à consultoria ligada ao ex-prefeito.

Embora as reportagens disponíveis até agora não indiquem formalmente que ACM Neto seja alvo de todas as frentes investigativas citadas no noticiário, o dano político já se consolidou. Em política, a cronologia pesa, as conexões importam e o acúmulo de fatos cobra seu preço. O problema do ex-prefeito deixou de ser apenas jurídico ou contábil e passou a ser sobretudo político-eleitoral, num momento em que seu nome circula como peça central da disputa baiana de 2026.

União Brasil entra na zona de desgaste nacional

A crise se torna mais sensível porque ACM Neto não ocupa apenas um papel regional. Ele é hoje vice-presidente nacional do União Brasil, partido presidido por Antonio Rueda, o que faz com que o desgaste ultrapasse a pré-candidatura ao governo da Bahia e passe a tocar também a cúpula da legenda em Brasília. Quando um dirigente regional está sob pressão e ao mesmo tempo integra o núcleo nacional do partido, a turbulência deixa de ser local e passa a contaminar a imagem institucional da sigla.

Nesse ambiente, a Fundação Índigo, braço de formação política do União Brasil e presidida por ACM Neto, tornou-se outro foco de constrangimento. Reportagens publicadas nesta semana mostram que o balanço de 2025 registrou R$ 5,9 milhões em despesas classificadas como “serviços prestados por terceiros”, o que levou integrantes do conselho fiscal a cobrarem explicações e detalhamento sobre os gastos.

O efeito político é cumulativo. O caso Master, isoladamente, já imporia desgaste. Somado às dúvidas sobre a Fundação Índigo, o cenário se torna mais corrosivo porque sugere um padrão de fragilidade na governança política e administrativa do entorno partidário de ACM Neto. Em disputas majoritárias, especialmente na Bahia, onde a memória eleitoral é longa e a retórica adversária costuma ser intensa, esse tipo de acúmulo tende a ser explorado de forma recorrente no debate público.

Repercussões para a pré-campanha na Bahia

A fala de Jaques Wagner em Camaçari não foi casual. Ao afirmar que o que apareceu até agora seria apenas “a ponta do iceberg”, o senador insere o caso no campo da antecipação política: prepara o debate público para possíveis novas revelações e sinaliza que aliados do governo enxergam espaço para ampliar a exploração do tema no cenário eleitoral de 2026.

Para ACM Neto, o momento é sensível porque a pressão recai sobre dois pilares de sua trajetória política: a imagem de gestor e a condição de liderança da oposição na Bahia. A primeira é atingida quando a imprensa associa pagamentos privados a decisões administrativas de governos aliados. A segunda sofre quando o noticiário passa a envolver a estrutura nacional do partido e sua fundação.

Até aqui, observa-se uma mudança de escala. O tema já não se restringe à arena da política estadual. Ele passou a integrar o noticiário nacional, envolve documentos financeiros, menciona estruturas partidárias e alcança figuras centrais do União Brasil. Na prática, a controvérsia deixou de ser um episódio localizado para se transformar em um tema de repercussão política mais ampla.

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