Deputado Rosemberg Pinto cobra explicações de ACM Neto após revelações do COAF sobre empresa ligada ao ex-prefeito

O deputado estadual Rosemberg Pinto questionou nesta segunda-feira (16/03/2026) o silêncio do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, após a divulgação de informações atribuídas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) sobre a empresa aberta por ele e por sua esposa, Mariana Almeida Barreto de Magalhães. Segundo o parlamentar, os dados expostos levantam dúvidas sobre a origem, a finalidade e a justificativa de transferências milionárias, além de ampliarem a pressão política por esclarecimentos públicos. Na avaliação do deputado, a ausência de manifestação do ex-prefeito diante da repercussão do caso agrava o desgaste e reforça a cobrança por respostas objetivas à sociedade baiana.

Rosemberg questiona ausência pública de ACM Neto

Rosemberg afirmou que o desaparecimento de ACM Neto do debate público, após a divulgação das informações, passou a ter peso político no contexto pré-eleitoral. Para o deputado, o silêncio prolongado não apenas alimenta especulações, como também impede o esclarecimento de pontos considerados centrais para a compreensão do caso.

Em declaração pública, o parlamentar sustentou que o ex-prefeito estaria evitando o confronto com questionamentos que, segundo ele, já circulam na sociedade baiana. A crítica se concentra menos em uma resposta política genérica e mais na ausência de explicações concretas sobre a movimentação financeira mencionada.

A fala de Rosemberg insere o episódio em uma disputa mais ampla de narrativa política. Ao cobrar manifestação direta de ACM Neto, o deputado procura associar a omissão do adversário à ideia de falta de transparência, um elemento que costuma produzir forte repercussão no debate eleitoral, sobretudo quando envolve cifras elevadas e suspeitas sobre a finalidade dos recursos.

Transferências e justificativa dos serviços prestados

De acordo com Rosemberg Pinto, as informações divulgadas mostram um fluxo financeiro que, na interpretação dele, demanda esclarecimentos públicos mais detalhados. O deputado afirma que o relatório aponta a entrada de valores milionários na empresa vinculada ao ex-prefeito, seguida pelo repasse de parte relevante desses recursos para sua conta pessoal.

A principal indagação apresentada pelo parlamentar recai sobre a comprovação dos serviços que teriam dado causa aos pagamentos. Segundo Rosemberg, até o momento não foram tornados públicos elementos suficientes que permitam verificar, de forma clara e objetiva, a natureza da atividade desempenhada e a correspondência entre os valores recebidos e eventuais contratos ou entregas realizadas.

Nesse ponto, a crítica formulada pelo deputado assume caráter factual e político ao mesmo tempo. Factual, porque centra a cobrança na rastreabilidade do dinheiro e na materialidade dos serviços; político, porque transforma a falta de esclarecimento em tema de interesse público, especialmente diante da exposição de um nome com relevância no cenário sucessório baiano.

Cronologia das operações amplia pressão política

Outro aspecto ressaltado por Rosemberg é a cronologia das operações financeiras. Segundo o deputado, a empresa foi aberta no fim de dezembro de 2022 e, pouco tempo depois, passou a receber valores expressivos, em um intervalo temporal ainda próximo ao período eleitoral.

Para o parlamentar, essa sequência temporal impõe um dever adicional de esclarecimento. A proximidade entre a abertura da empresa e a entrada dos recursos é apresentada por ele como um dado politicamente sensível, na medida em que suscita questionamentos sobre a destinação efetiva do dinheiro e sobre o contexto em que as operações foram realizadas.

Rosemberg sustenta que essa coincidência de datas não pode ser tratada como um detalhe secundário. Na leitura do deputado, quanto mais estreita a relação temporal entre os fatos, maior é a necessidade de explicações documentadas, capazes de afastar suspeitas e reduzir a margem para interpretações políticas adversas.

Caso é inserido em contexto mais amplo de desgaste

O deputado também afirmou que o episódio não deve ser analisado de forma isolada. Na avaliação dele, ACM Neto aparece cercado por um conjunto de frentes de desgaste político, que, somadas, ampliam a pressão sobre sua imagem pública e sobre sua condição de pré-candidato ao governo da Bahia.

Entre esses elementos, Rosemberg menciona as revelações relacionadas a transferências ligadas ao Banco Master, questionamentos envolvendo a Fundação Índigo, presidida por ACM Neto, e referências ao entorno político do ex-prefeito em investigações como a Operação Overclean. Ao articular esses tópicos em uma mesma linha de argumentação, o parlamentar busca construir a percepção de recorrência de controvérsias no entorno do adversário.

Essa estratégia retórica tem efeito político claro: desloca o foco de um episódio específico para uma narrativa mais ampla de desgaste acumulado. Em vez de uma controvérsia isolada, o caso passa a ser apresentado como parte de um ambiente de questionamentos sucessivos, o que tende a elevar o custo político do silêncio e a ampliar a demanda pública por posicionamento.

Cobrança por resposta direta à sociedade

Ao final de sua manifestação, Rosemberg Pinto reforçou que a cobrança não se restringe ao embate entre governo e oposição, mas alcança o eleitorado baiano. Segundo ele, quem pretende disputar o comando do Estado precisa apresentar comportamento compatível com o nível de escrutínio exigido de figuras públicas em posição de liderança.

Nesse sentido, o parlamentar sustenta que a sociedade espera lisura, transparência e clareza de quem pretende ocupar cargo majoritário. A insistência na cobrança por explicações públicas tenta enquadrar o caso não apenas como tema partidário, mas como assunto de interesse coletivo, com implicações diretas sobre a confiança do eleitor.

A repercussão do episódio, portanto, passa a depender não apenas do conteúdo das revelações já conhecidas, mas também da capacidade de resposta dos envolvidos. Em situações desse tipo, o vazio de informação costuma ser ocupado pela disputa política, um velho mecanismo da vida pública brasileira que raramente favorece quem escolhe o silêncio.

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