Movimento Bahia pela Educação retoma atividades em 2026 com formações para professores e encontros regionais; etapa ocorrerá em Feira de Santana

O Movimento Bahia pela Educação retomou suas atividades em 2026 com uma agenda de formação continuada para professores e realização de Encontros Territoriais em sete cidades do estado, incluindo Feira de Santana, onde a programação ocorrerá no dia 14 de abril. A iniciativa reúne governo estadual, municípios, setor produtivo e organizações da sociedade civil com o objetivo de ampliar os índices de alfabetização na idade certa, estabelecendo como meta que 80% das crianças baianas estejam alfabetizadas até 2030.

O projeto surge diante de um cenário considerado preocupante no estado. Dados do Ministério da Educação (MEC) indicam que apenas 36% dos alunos da rede pública baiana concluíram o 2º ano do ensino fundamental plenamente alfabetizados em 2024. O índice está abaixo do parâmetro estabelecido pelo Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, programa federal que busca assegurar que 80% das crianças brasileiras dominem leitura e escrita ao final dessa etapa escolar.

Para enfrentar o desafio, o Movimento estruturou sua atuação em duas frentes principais ao longo de 2026: a qualificação pedagógica de professores e a articulação de gestores públicos e educacionais por meio de encontros regionais.

Formação continuada para professores

A primeira estratégia do programa consiste na formação continuada de professores de cerca de 30 municípios baianos que apresentam resultados mais críticos no Indicador Criança Alfabetizada (ICA), instrumento criado pelo MEC para monitorar o avanço da alfabetização no país.

Durante todo o ano, três formadoras do Movimento percorrerão municípios de diferentes regiões da Bahia, aplicando o Programa de Alfabetização Responsável (PAR). O programa foi estruturado a partir de um acordo de cooperação técnica entre o Serviço Social da Indústria (SESI) de São Paulo e da Bahia.

O PAR possui carga horária de 40 horas, combinando:

  • Formações presenciais
  • Aulas assíncronas
  • Mentorias pedagógicas

As atividades serão direcionadas principalmente a professores da Educação Infantil (G4 e G5), docentes alfabetizadores do 1º e 2º anos do ensino fundamental e coordenadores pedagógicos, considerados agentes centrais na consolidação do processo de alfabetização nas escolas públicas.

Segundo os organizadores, o objetivo é fortalecer práticas pedagógicas e disseminar metodologias eficazes de alfabetização, com foco em resultados mensuráveis.

Encontros Territoriais mobilizam gestores educacionais

Além da formação docente, o Movimento promoverá Encontros Territoriais em sete cidades estratégicas da Bahia, reunindo prefeitos, secretários municipais de educação, diretores escolares e coordenadores pedagógicos.

A programação prevê debates sobre desafios da alfabetização, análise de modelos de gestão educacional bem-sucedidos e discussões sobre financiamento da educação básica.

Os encontros também apresentarão experiências reconhecidas pelo Prêmio Município Alfabetizador, iniciativa que valoriza redes municipais que alcançam melhores resultados no ensino da leitura e escrita.

A agenda definida para 2026 inclui:

  • 10 de março — Juazeiro
  • 31 de março — Ilhéus
  • 14 de abril — Feira de Santana
  • 28 de abril — Vitória da Conquista
  • 12 de maio — Barreiras
  • 26 de maio — Eunápolis
  • 9 de junho — Salvador

A primeira etapa ocorrerá em Juazeiro, no Auditório ACM da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), com participação de especialistas como Mozart Ramos, da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira da Universidade de São Paulo (USP – Ribeirão Preto), e Cristiane Chica, diretora de educação do Grupo Mathema.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas por meio do perfil oficial do Movimento nas redes sociais.

Prêmio Município Alfabetizador reconhece boas práticas

Ao final de 2026 será realizada a segunda edição do Prêmio Município Alfabetizador, que reconhecerá as redes municipais com melhores índices de alfabetização no 2º ano do ensino fundamental, com base nos dados educacionais referentes a 2025.

Na primeira edição da premiação, realizada em 2025, os municípios de Quixabeira, Novo Horizonte e Malhada de Pedras receberam o selo Ouro, por alcançarem 70% ou mais de crianças alfabetizadas na idade adequada.

O caso de Quixabeira tornou-se referência no estado. O Movimento produziu inclusive um documentário sobre a experiência do município, destacando políticas educacionais baseadas em valorização docente, acompanhamento pedagógico e mobilização comunitária. O material está disponível no canal do SESI Bahia no YouTube.

Articulação institucional e objetivos do movimento

O Movimento Bahia pela Educação foi oficialmente lançado em outubro de 2025, em Salvador. Trata-se de uma iniciativa articulada pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), em parceria com diversas instituições públicas e privadas.

Participam da iniciativa:

  • Governo da Bahia
  • Secretaria da Educação do Estado
  • Ministério Público da Bahia
  • União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime)
  • União dos Municípios da Bahia (UPB)
  • SEBRAE
  • Fetrabase
  • SESI
  • Cátedra Sérgio Henrique Ferreira (USP Ribeirão Preto)

De acordo com o presidente da FIEB, Carlos Henrique Passos, a iniciativa busca mobilizar diferentes setores da sociedade em torno da melhoria da educação básica.

Estamos procurando trazer gestores e especialistas para que as discussões sobre educação possam se reverter em benefício da sociedade. Essa causa dialoga diretamente com um dos pilares do desenvolvimento industrial do estado”, afirmou.

Desafio educacional na Bahia

O diagnóstico educacional que motivou a criação do movimento revela desigualdades significativas nos indicadores de alfabetização.

Segundo dados do MEC, a Bahia ocupa a última posição no ranking nacional de alfabetização na idade certa. Em 65% dos 417 municípios baianos, menos de 40% dos estudantes atingiram níveis adequados de leitura e escrita em 2024.

Diante desse quadro, o Movimento Bahia pela Educação se propõe a articular políticas públicas, práticas pedagógicas e mobilização institucional, buscando acelerar a melhoria dos indicadores educacionais ao longo da próxima década.


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Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
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