Salvador sediará, na terça-feira, 09/06/2026, o sétimo Encontro Territorial do Movimento Bahia pela Educação, iniciativa intersetorial voltada ao fortalecimento das políticas públicas de alfabetização na idade certa. O evento será realizado no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), com entrada gratuita, vagas limitadas e participação prevista de gestores e profissionais da educação do Recôncavo, Litoral Norte e Agreste baiano, além da Região Metropolitana de Salvador. A programação reunirá especialistas nacionais, representantes municipais e instituições parceiras em torno do desafio de ampliar os índices de alfabetização no estado, que alcançou 55% de crianças alfabetizadas na idade certa em 2025, segundo dados do Ministério da Educação.
Encontro em Salvador encerra ciclo territorial iniciado em março
A etapa de Salvador encerra um ciclo de encontros promovidos pelo Movimento Bahia pela Educação entre março e junho de 2026. Antes da capital baiana, a iniciativa passou por Juazeiro, Ilhéus, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Barreiras e Eunápolis, em uma agenda voltada à mobilização regional de gestores educacionais.
O encontro tem como público-alvo prefeitos, vice-prefeitos, secretários municipais, coordenadores pedagógicos, diretores escolares e técnicos da área de educação. A proposta é estimular o diálogo entre municípios, especialistas e instituições públicas e privadas, com foco na troca de experiências e na qualificação das estratégias de alfabetização.
Segundo Daniela Bitencourt, coordenadora executiva do Movimento Bahia pela Educação, a expectativa é reunir representantes de mais de 50 municípios na capital baiana. Ela afirma que as formações e o intercâmbio de experiências podem contribuir para o fortalecimento das políticas públicas de alfabetização em diferentes territórios do estado.
Programação reúne especialistas em alfabetização, gestão e financiamento da educação
A programação terá início às 9h, com a mesa de abertura. Em seguida, das 9h30 às 12h, será realizada a atividade “Os desafios de alfabetizar na idade certa”, com participação de Mozart Ramos, titular da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira, e Kátia Smole, diretora do Instituto Reúna e especialista em letramento matemático.
No período da tarde, das 13h30 às 15h, será apresentado o painel “A Bahia aprende com a Bahia”, com destaque para o case de Licínio de Almeida, município reconhecido pelo Prêmio Município Alfabetizador por registrar o maior percentual de crianças alfabetizadas na idade certa no estado.
Das 15h30 às 16h30, o pesquisador e analista de dados Leomar da Silva, da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira, conduzirá a discussão sobre “O financiamento da educação – Fundeb e ICMS Educacional”. O tema amplia o debate para a dimensão financeira das políticas públicas educacionais, aspecto decisivo para a continuidade das ações de alfabetização.
Inscrições gratuitas e certificação pela USP de Ribeirão Preto
A participação no encontro é gratuita, mas as vagas são limitadas. As inscrições devem ser realizadas por meio do link divulgado no perfil oficial do Movimento Bahia pela Educação no Instagram, @BahiaPelaEducacao.
Os participantes receberão certificados emitidos pela Cátedra Sérgio Henrique Ferreira, vinculada à Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto. A certificação reforça o caráter formativo da iniciativa e amplia o valor institucional da participação para gestores e profissionais da educação básica.
A escolha de Salvador para encerrar o ciclo territorial também tem peso estratégico. A capital concentra instituições públicas, entidades de representação municipal, organismos de gestão educacional e atores com capacidade de influenciar a formulação e a execução de políticas públicas em escala estadual.
Bahia busca avançar rumo à meta nacional de alfabetização até 2030
Os dados apresentados no release indicam que a Bahia atingiu 55% de crianças alfabetizadas na idade certa em 2025, o que representa crescimento de 19 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Apesar do avanço, o estado ainda está distante da meta nacional de 80% até 2030.
O Movimento Bahia pela Educação atua justamente nesse intervalo entre o diagnóstico e a meta. A iniciativa busca colaborar para que redes municipais e estadual ampliem a capacidade de planejamento, execução e monitoramento das ações de alfabetização, especialmente nos anos iniciais da educação básica.
O desafio é relevante porque a alfabetização na idade certa funciona como base para toda a trajetória escolar. Quando esse processo falha, os efeitos costumam se projetar sobre a aprendizagem em matemática, ciências, história, geografia e demais áreas do conhecimento, comprometendo o desempenho escolar e ampliando desigualdades educacionais.
Movimento reúne FIEB, Governo da Bahia, MPBA, Undime, UPB, Sebrae, SESI e USP
O Movimento Bahia pela Educação é articulado pela FIEB, em parceria com o Governo da Bahia, a Secretaria de Educação do Estado, o Ministério Público da Bahia, a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), a União dos Municípios da Bahia (UPB), o Sebrae, a Federação das Empresas de Transporte (Fetrabase), o Serviço Social da Indústria (SESI) e a Cátedra Sérgio Henrique Ferreira, da USP Ribeirão Preto.
Lançada oficialmente em outubro de 2025, a iniciativa é apresentada como uma articulação intersetorial inédita no estado. O objetivo é mobilizar diferentes áreas institucionais em torno da melhoria dos indicadores de alfabetização, combinando conhecimento técnico, gestão pública, análise de dados e cooperação territorial.
A atuação conjunta entre indústria, governo, municípios, sistema de Justiça, entidades educacionais e instituições de pesquisa sinaliza que o enfrentamento do problema educacional exige coordenação ampla. A alfabetização, nesse contexto, deixa de ser apenas uma pauta escolar e passa a ser tratada como prioridade de desenvolvimento social e econômico.
Posição da Bahia no ranking nacional reforça urgência da mobilização
O release informa que a Bahia ocupa a 24ª posição no ranking nacional de alfabetização na idade certa, cenário que reforça a necessidade de mobilização institucional. Embora o avanço registrado em 2025 indique melhora, a posição no ranking revela que o estado ainda enfrenta obstáculos estruturais relevantes.
Entre os principais desafios estão a formação continuada de professores, a gestão pedagógica das redes municipais, a avaliação dos resultados, o financiamento adequado e a capacidade de transformar experiências bem-sucedidas em políticas públicas replicáveis.
Nesse sentido, o caso de Licínio de Almeida ganha relevância por funcionar como exemplo concreto de desempenho municipal. A apresentação de experiências locais bem avaliadas pode contribuir para que outras redes adaptem práticas, metodologias e formas de acompanhamento da aprendizagem.
Alfabetização na idade certa mobiliza debate sobre desenvolvimento e equidade
A alfabetização na idade certa tem impacto direto sobre a equidade educacional. Crianças que não consolidam habilidades básicas de leitura e escrita nos anos iniciais tendem a enfrentar maior dificuldade ao longo da vida escolar, o que pode ampliar distorções de aprendizagem e reduzir oportunidades futuras.
Para os municípios, o tema também tem dimensão administrativa. A melhoria dos indicadores educacionais exige planejamento, governança, formação de equipes e uso eficiente dos recursos do Fundeb e de mecanismos como o ICMS Educacional.
Ao reunir gestores de diferentes territórios, o encontro em Salvador busca criar um ambiente de cooperação, no qual políticas públicas possam ser discutidas a partir de evidências, experiências municipais e metas de longo prazo. A iniciativa também contribui para aproximar redes locais de instituições com capacidade técnica e política de apoio.









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