Secretária Roberta Santana acompanha presidente Lula e ministro Padilha em visita à Bionovis e destaca papel da Bahia na produção nacional de medicamentos oncológicos

A secretária da Saúde do Estado da Bahia, Roberta Santana, participou nesta terça-feira (03/03/2026), em Valinhos, no interior de São Paulo, de uma visita institucional à empresa Bionovis, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Saúde Alexandre Padilha. A agenda integra a estratégia federal de ampliar a produção nacional de medicamentos biológicos, reduzir a dependência de importações e fortalecer a capacidade produtiva do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente no tratamento de câncer e doenças raras. A presença da Bahia na visita também reforça o papel da Bahiafarma, fundação vinculada à Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), nas Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) voltadas à transferência de tecnologia farmacêutica.

Produção nacional de biofármacos e fortalecimento do SUS

A visita à Bionovis ocorre em um contexto de reorganização da política industrial da saúde no Brasil, que busca ampliar a autonomia do país na produção de medicamentos biológicos de alta complexidade, essenciais para o tratamento de enfermidades como câncer, doenças autoimunes e enfermidades raras.

Esses medicamentos, conhecidos como biofármacos, são produzidos a partir de organismos vivos ou de sistemas biotecnológicos avançados. Por envolverem tecnologia sofisticada e alto custo de desenvolvimento, a produção costuma ser concentrada em poucos países e grandes multinacionais farmacêuticas.

Nesse cenário, iniciativas de transferência de tecnologia e produção local, articuladas por meio das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo, tornaram-se um dos instrumentos adotados pelo governo federal para reduzir a dependência externa e ampliar a oferta desses tratamentos no SUS.

Bahiafarma e transferência de tecnologia

A participação da secretária Roberta Santana na agenda está diretamente relacionada ao avanço da Bahiafarma no arranjo nacional de produção de biofármacos. A fundação, vinculada à Sesab, integra acordos que envolvem transferência tecnológica e produção nacional de medicamentos estratégicos.

Essas parcerias permitem que laboratórios públicos brasileiros absorvam conhecimento tecnológico originalmente desenvolvido por empresas ou instituições estrangeiras, passando gradualmente a dominar as etapas de produção e formulação dos medicamentos.

Segundo Roberta Santana, o fortalecimento da capacidade produtiva nacional representa um passo relevante para ampliar o acesso da população a tratamentos de alta complexidade.

“Estamos falando de uma agenda estratégica para o SUS e para o Brasil. Fortalecer a Bahiafarma e avançar na transferência de tecnologia para a produção nacional de medicamentos biológicos é garantir mais autonomia ao país e ampliar o acesso da população a tratamentos de alta complexidade”, afirmou a secretária.

Missões internacionais e cooperação tecnológica

A inserção da Bahia nesse processo foi reforçada por missões técnicas realizadas recentemente na Índia e na Coreia do Sul, que contaram com a participação de representantes da Sesab, da Bahiafarma e da própria Bionovis.

Essas agendas internacionais tiveram como objetivo ampliar parcerias científicas, discutir processos de transferência tecnológica e consolidar acordos que viabilizem a produção nacional de medicamentos biológicos considerados estratégicos pelo Ministério da Saúde.

A cooperação internacional é considerada fundamental para o desenvolvimento da indústria biofarmacêutica, uma vez que envolve acesso a tecnologias avançadas, protocolos de produção e processos regulatórios complexos.

O papel estratégico da Bionovis

Fundada em 2012, a Bionovis é uma empresa brasileira dedicada à biotecnologia farmacêutica, com foco na produção de medicamentos biológicos destinados principalmente ao Sistema Único de Saúde.

Instalada em Valinhos (SP), a companhia ocupa posição relevante na estratégia nacional de nacionalização de biofármacos. Atualmente, mantém 12 parcerias com instituições internacionais e laboratórios públicos brasileiros, incluindo a Bahiafarma.

A empresa já fornece mais de 19 milhões de frascos e seringas ao SUS, contribuindo para o abastecimento de medicamentos utilizados no tratamento de câncer, doenças imunológicas e enfermidades raras.

A planta industrial da companhia possui capacidade para produzir até 250 quilos de proteínas de medicamentos biológicos por ano, além de fabricar até dez biofármacos de alta complexidade, o que representa potencial significativo para ampliar a oferta nacional desses tratamentos.

Bahia no centro da estratégia nacional de medicamentos

A agenda em Valinhos também simboliza o reposicionamento da Bahia no cenário da política industrial da saúde, especialmente no segmento de medicamentos biológicos.

A participação da Bahiafarma em projetos de transferência tecnológica e produção local indica uma tentativa de fortalecer o papel de laboratórios públicos estaduais na cadeia produtiva do setor farmacêutico nacional.

Ao integrar iniciativas com empresas de biotecnologia e instituições internacionais, o estado busca ampliar sua participação em um setor considerado estratégico para a sustentabilidade do SUS e para a segurança sanitária do país.


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