Bahia Export 2026 encerra edição com foco em logística, Ferrovia Centro-Atlântica e investimentos de R$ 24 bilhões

Na quinta-feira (09/04/2026), em Salvador, o Bahia Export 2026 encerrou sua terceira edição consolidando-se como um dos principais fóruns nacionais de discussão sobre infraestrutura, logística e desenvolvimento econômico, com destaque para a renovação antecipada da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e a perspectiva de mais de R$ 24 bilhões em investimentos, além de debates sobre multimodalidade, economia azul, integração regional e planejamento estratégico de longo prazo para a Bahia e o Brasil.

O evento, promovido pelo Grupo Brasil Export, reuniu autoridades públicas, lideranças empresariais e especialistas com o objetivo de discutir caminhos concretos para o fortalecimento da competitividade econômica. Ao longo da programação, o encontro reafirmou sua função como espaço de articulação institucional e construção de consensos em torno de temas estruturantes.

O CEO do Grupo Brasil Export, Fabrício Julião, destacou o papel do fórum na convergência entre agentes públicos e privados. “Encerramos esta edição com a certeza de que avançamos na conexão entre os diferentes atores do setor, contribuindo para uma agenda mais consistente de desenvolvimento logístico para a Bahia, o Nordeste e o Brasil”, afirmou.

Na mesma linha, o secretário executivo do Bahia Export, Fausto Franco, enfatizou o alcance do encontro. “O evento regional reafirma sua relevância ao reunir lideranças de todas as instâncias governamentais e empresariais, promovendo discussões necessárias para avançar no desenvolvimento das potencialidades baianas. Saímos com uma visão mais clara dos desafios e, principalmente, das oportunidades para acelerar”, declarou.

Ferrovia Centro-Atlântica e os R$ 24 bilhões em investimentos

Um dos pontos centrais do evento foi a discussão sobre a renovação antecipada da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), considerada estratégica para a logística nacional e regional.

A proposta, já aprovada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), prevê um pacote robusto de investimentos superior a R$ 24 bilhões, com impacto direto na ampliação da capacidade ferroviária e na eficiência do escoamento de cargas.

Entre as principais medidas anunciadas estão:

  • Mais de 800 intervenções ao longo da malha ferroviária
  • Manutenção de aproximadamente 4,1 mil quilômetros de trilhos
  • Ampliação da capacidade operacional
  • Devolução de trechos considerados economicamente inviáveis

Segundo participantes do painel, essas ações representam um passo relevante para reduzir gargalos históricos da logística brasileira e criar condições mais favoráveis para o investimento privado.

O secretário especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Marcus Cavalcanti, reforçou a necessidade de alinhamento institucional. “Projetos dessa magnitude exigem coordenação entre o setor público e a iniciativa privada. Sem essa articulação, não há viabilidade para investimentos estruturantes no Brasil”, afirmou durante o encerramento.

Salvador como polo logístico e economia do mar

Outro eixo relevante do Bahia Export 2026 foi o debate sobre o posicionamento estratégico de Salvador como potencial hub logístico internacional, ancorado na Baía de Todos-os-Santos e na chamada economia azul.

A secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Mila Paes, destacou a localização geográfica privilegiada da capital baiana. “Estamos no ponto médio do Brasil e em uma posição estratégica entre América, África e Europa. Temos eficiência logística de padrão internacional nos portos da Baía de Todos-os-Santos”, afirmou.

Ao estabelecer um paralelo com Singapura, a gestora enfatizou a necessidade de decisão estratégica. “Já somos a capital da Amazônia Azul, mas chegou a hora de definirmos nossa escolha. Não dá para acreditar que a evolução econômica da cidade não passe pelo mar”, declarou.

A perspectiva de ampliação do escoamento da produção do oeste baiano, especialmente do algodão, também foi destacada como vetor de crescimento. O uso dos portos de Salvador tende a reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade das exportações.

Gargalos estruturais e desafios logísticos

Apesar das oportunidades identificadas, especialistas apontaram entraves estruturais que ainda limitam o avanço da infraestrutura logística no estado.

O diretor comercial da Wilson Sons, Guilherme Nogueira Dutra, ressaltou a necessidade de planejamento de longo prazo. “É um desafio pensar Salvador no mesmo percurso de Singapura, mas exige planejamento consistente e visão de futuro. Não será um processo imediato nem concluído por quem o iniciou”, afirmou.

Ele também destacou problemas concretos de infraestrutura. “Precisamos melhorar os acessos para ampliar a eficiência logística. A prioridade é a acessibilidade. Também é fundamental investir na qualificação da mão de obra”, acrescentou.

Na mesma direção, o consultor Waldeck Ornélas chamou atenção para o impacto do isolamento logístico. “A Bahia apresenta um desempenho abaixo do esperado, e o isolamento logístico pesa muito nisso. Salvador precisa estar fortemente conectada ao oeste baiano”, disse.

Representando o setor produtivo do interior, Josias Cruz, da Aciclem, destacou a relevância do transporte rodoviário no curto prazo. “Estamos chegando a 20% do algodão exportado por Salvador, e a tendência é de crescimento. O transporte rodoviário ainda precisa de atenção”, afirmou.

Infraestrutura como vetor de desenvolvimento econômico

A presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), Ivana Bastos, reforçou a centralidade da infraestrutura para o desenvolvimento regional.

Falar de logística, infraestrutura e transportes é tratar diretamente de desenvolvimento, geração de emprego e ampliação de oportunidades para a população baiana”, declarou.

A parlamentar destacou projetos considerados estruturantes para o estado:

  • FIOL (Ferrovia de Integração Oeste-Leste)
  • Porto Sul
  • Concessões das BRs 324 e 116
  • Ponte Salvador-Itaparica
  • Melhoria da malha rodoviária

Segundo Ivana Bastos, “o desenvolvimento da Bahia passa pela união entre planejamento, diálogo, responsabilidade e visão de futuro”, reforçando a necessidade de coordenação entre diferentes esferas institucionais.

O Bahia Export 2026 destacou a renovação da Ferrovia Centro-Atlântica, com previsão de R$ 24 bilhões em investimentos, e debates sobre logística, economia azul e integração regional. O evento reuniu autoridades e especialistas, apontou gargalos estruturais e reforçou a importância do planejamento de longo prazo e da articulação público-privada para ampliar a competitividade da Bahia.
Autoridades, empresários e especialistas participam do Bahia Export 2026, na FIEB, debatendo logística, infraestrutura e desenvolvimento econômico.

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