Banco Master financiou eventos internacionais com autoridades e gastos de até R$ 60 milhões, aponta investigação da PF

Vieram a público, nesta quinta-feira (09/04/2026), informações detalhadas de uma investigação conduzida pela Polícia Federal que apontam que o Banco Master, sob comando do banqueiro Daniel Vorcaro, desembolsou cerca de US$ 11,5 milhões (aproximadamente R$ 60 milhões) para financiar eventos internacionais frequentados por autoridades brasileiras em 2024. As despesas incluem fóruns jurídicos e agendas paralelas em Londres, Nova York e Lisboa, com participação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ), integrantes do Executivo, parlamentares e representantes do setor privado.

A investigação aponta que o banco custeou integralmente ou de forma majoritária três grandes agendas internacionais ao longo de 2024. O principal evento foi o 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres entre 24 e 26 de abril, seguido pela participação na chamada “Semana do Brasil” em Nova York, em maio, e por eventos paralelos ao Fórum Jurídico de Lisboa, em junho.

No caso de Londres, considerado o mais oneroso, o gasto estimado chegou a US$ 7,5 milhões (R$ 38,7 milhões), incluindo hospedagem, locação de espaços, alimentação, transporte e atividades sociais para cerca de 70 pessoas.

Segundo os documentos analisados, o financiamento não se limitou à estrutura formal dos eventos. Houve organização de uma agenda paralela com atividades sociais, recepções e encontros privados, destinados à interação entre autoridades e convidados.

Luxo, entretenimento e agenda paralela chamam atenção

Os registros detalham que os eventos foram realizados em locais de alto padrão, como o hotel Península, em Londres, além de restaurantes com estrelas Michelin e clubes privados exclusivos.

Entre os itens financiados, constam:

  • Shows musicais internacionais, como apresentação do cantor Seal
  • Degustações de uísque premium, incluindo rótulos Macallan de alto valor
  • Distribuição de presentes de luxo, como troféus de cristal
  • Eventos em clubes privados e espaços históricos
  • Uso de jatinhos fretados, inclusive para deslocamentos internacionais

Em Nova York, por exemplo, foram adquiridas 25 garrafas de uísque Macallan 30 anos, ao custo de cerca de R$ 625 mil, destinadas a convidados.

Já em Lisboa, o padrão se repetiu, com programação que incluiu apresentações artísticas, DJs, restaurantes de luxo e transporte aéreo privado para participantes.

Presença de autoridades do Judiciário, Executivo e Legislativo

A lista de participantes inclui nomes relevantes da estrutura institucional brasileira, como ministros do STF, STJ, integrantes do Ministério da Justiça, da Advocacia-Geral da União, da Procuradoria-Geral da República, além de parlamentares e empresários.

Entre os presentes no evento de Londres estavam:

  • Ministros do STF: Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes
  • Ministros do STJ: Benedito Gonçalves, Mauro Campbell Marques, Luis Felipe Salomão, entre outros
  • Autoridades do Executivo: Ricardo Lewandowski, Jorge Messias, Paulo Gonet
  • Representantes do Legislativo: Hugo Motta e Ciro Nogueira

Também participaram representantes do setor privado e ex-integrantes do governo federal.

As autoridades, em geral, afirmaram que participaram como palestrantes ou convidados institucionais, sem ingerência sobre a organização ou financiamento dos eventos.

Relações pessoais e possíveis conflitos de interesse

A investigação da Polícia Federal também aponta indícios de aproximação pessoal entre o banqueiro e autoridades públicas, incluindo familiares. Há registros de contratos relevantes e vínculos indiretos envolvendo empresas ligadas a participantes.

Um dos pontos destacados é a existência de contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório da esposa de um ministro do STF, além da utilização de aeronaves privadas associadas ao banqueiro por autoridades.

As agendas sociais e institucionais teriam ocorrido em ambientes informais, onde atividades públicas e privadas se misturavam, o que levanta questionamentos sobre eventuais conflitos de interesse.

Ausência de transparência e respostas institucionais

Segundo a apuração, a imprensa não teve acesso às discussões formais realizadas nos eventos, o que limita a transparência sobre os conteúdos debatidos.

As instituições envolvidas, em sua maioria, não se manifestaram sobre os potenciais conflitos de interesse. Algumas autoridades afirmaram que a participação em eventos internacionais faz parte de suas atribuições institucionais.

O Grupo Voto, organizador do fórum em Londres, declarou que foi responsável apenas pela curadoria e organização, cabendo aos patrocinadores o custeio das atividades.

A partir da análise do conteúdo investigativo, os principais dados podem ser organizados em categorias estruturadas, permitindo leitura rápida, escaneável e com foco nos elementos centrais da apuração.

Valores e despesas totais

  • Total desembolsado: cerca de US$ 11,5 milhões (R$ 60 milhões)
  • Londres: US$ 7,5 milhões (R$ 38,7 milhões)
  • Nova York: US$ 2,5 milhões (R$ 13 milhões)
  • Lisboa: US$ 1,6 milhão (R$ 8,3 milhões)
  • Itens específicos:
    • 25 garrafas de uísque Macallan 30 anos: US$ 121 mil (R$ 625 mil)
    • Jatinhos fretados Lisboa–Brasília: US$ 232,6 mil (R$ 1,2 milhão)

Eventos e locais

  • Londres (24 a 26 de abril de 2024)
    • 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias
    • Hotel Península
    • Wallace Collection (evento de homenagem)
    • Restaurantes de luxo e clubes privados (Annabel’s, Gaia)
  • Nova York (12 a 18 de maio de 2024)
    • Semana do Brasil
    • Carnegie Club (degustações e encontros privados)
  • Lisboa (26 a 28 de junho de 2024)
    • Fórum Jurídico de Lisboa (“Gilmarpalooza”)
    • Eventos sociais paralelos com entretenimento e recepções

Tipos de gastos financiados

  • Hospedagem em hotéis de alto padrão
  • Locação de espaços para conferências e reuniões
  • Alimentação em restaurantes com estrelas Michelin
  • Shows musicais internacionais (ex: Seal)
  • Degustações de bebidas premium (uísque Macallan)
  • Presentes de luxo (troféus de cristal)
  • Eventos sociais exclusivos e clubes privados
  • Transporte aéreo com jatinhos fretados
  • Logística completa para convidados e familiares

Participantes institucionais

Judiciário

  • Ministros do STF:
    • Gilmar Mendes
    • Dias Toffoli
    • Alexandre de Moraes
  • Ministros do STJ:
    • Benedito Gonçalves
    • Mauro Campbell Marques
    • Luis Felipe Salomão
    • Antonio Saldanha Palheiro
    • Raul Araújo

Executivo

  • Ricardo Lewandowski (Ministério da Justiça)
  • Jorge Messias (AGU)
  • Paulo Gonet (PGR)
  • Andrei Rodrigues (Polícia Federal)
  • Alexandre Cordeiro (Cade)

Legislativo

  • Hugo Motta (Câmara dos Deputados)
  • Ciro Nogueira (Senado)

Setor privado e outros

  • Daniel Vorcaro (Banco Master)
  • Representantes do BTG Pactual e Grupo FS
  • Ex-presidente Michel Temer (homenageado)

Estrutura e organização dos eventos

  • Organização formal: Grupo Voto (curadoria e programação)
  • Financiamento: Banco Master como principal patrocinador
  • Participantes estimados (Londres): 70 pessoas, sendo 25 painelistas
  • Programação dividida em:
    • Agenda oficial (painéis e debates)
    • Agenda paralela (eventos sociais e networking)

Elementos de ostentação identificados

  • Ambientes comparados a cenários aristocráticos (ex: referência a “Bridgerton”)
  • Decoração sofisticada (rococó e art déco)
  • Programações exclusivas por perfil (ex: eventos separados para homens e mulheres)
  • Alto padrão gastronômico e cultural

Indícios de relações e vínculos

  • Contrato de R$ 129 milhões com escritório ligado a familiar de ministro do STF
  • Uso de aeronaves privadas associadas ao banqueiro por autoridades
  • Participação de familiares em eventos internacionais
  • Relações que extrapolam o âmbito institucional

Pontos de questionamento institucional

  • Possível conflito de interesse entre patrocinadores e autoridades
  • Mistura entre agendas públicas e privadas
  • Falta de transparência sobre debates e critérios de participação
  • Ausência de manifestação de diversas instituições envolvidas

Posicionamentos e respostas

  • Autoridades alegam participação institucional como palestrantes
  • Grupo Voto afirma responsabilidade apenas pela organização
  • Defesa do banqueiro não se manifestou
  • Parte das instituições não respondeu aos questionamentos

*Com informações do Jornal Folha de S.Paulo.


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