O deputado estadual Angelo Almeida voltou, nesta quinta-feira (30/04/2026), a levantar questionamentos sobre a condução de políticas educacionais na Bahia, após a divulgação de um vídeo em que o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, aparece ao lado do secretário de Educação de São Paulo, Renato Feder. Para o parlamentar, o conteúdo sinaliza a possível adoção de um modelo que amplia a participação da iniciativa privada na gestão da educação pública.
Segundo Angelo Almeida, o encontro divulgado nas redes sociais ultrapassa o caráter institucional. Em sua avaliação, o registro expõe uma aproximação com um modelo de gestão educacional baseado em eficiência administrativa e parcerias com o setor privado.
“Não é uma visita institucional. É a apresentação de um modelo que trata educação como produto e escola como negócio”, afirmou o deputado.
O secretário paulista Renato Feder, que já comandou a educação do Paraná, possui trajetória ligada ao setor empresarial, tendo atuado como CEO da Multilaser e mantendo participação acionária na companhia. Esse histórico, segundo críticos, reforça a associação entre gestão pública e práticas de mercado.
Críticas ao avanço da terceirização na educação
De acordo com Angelo Almeida, o modelo observado segue um padrão recorrente:
- Melhoria inicial de indicadores educacionais
- Discurso centrado em eficiência e resultados
- Ampliação da terceirização da gestão escolar
“O problema é quando o interesse público se mistura com o privado. A conta nunca fecha para quem mais precisa”, declarou.
O parlamentar sustenta que a adoção desse formato pode comprometer o caráter universal da educação pública, destacando que a Constituição brasileira estabelece o ensino como um direito fundamental.
“Educação pública não pode ser tratada como mercadoria. Não é ativo financeiro, é direito constitucional”, acrescentou.
Caso de Salvador é citado como exemplo
Angelo Almeida utilizou a experiência de Salvador como referência para embasar suas críticas. Segundo ele, o programa Pé na Escola, implementado durante a gestão de ACM Neto na capital baiana, direcionou mais de R$ 800 milhões para instituições privadas.
De acordo com o deputado, o programa foi acompanhado pelo fechamento de unidades da rede pública, o que teria alterado a dinâmica de oferta educacional.
Um dos casos mencionados é o encerramento da escola do bairro Rio Sena, enquanto houve expansão de vagas em instituições privadas.
“Fecha-se o público para alimentar o privado. Isso não é gestão, é escolha política”, afirmou.
Investigações e questionamentos institucionais
O parlamentar também citou investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal relacionadas ao programa. As apurações buscam esclarecer:
- Possível uso irregular de recursos da educação
- Eventual desvio de finalidade em políticas públicas
As investigações ainda estão em andamento, sem conclusão definitiva.
Indicadores educacionais e críticas ao modelo
Outro ponto destacado por Angelo Almeida refere-se ao desempenho educacional da capital baiana. Segundo ele, Salvador apresenta índices baixos de alfabetização infantil em comparação com outras capitais brasileiras.
“O modelo já fracassou aqui. E agora querem vender isso como solução para toda a Bahia”, concluiu.










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