Diretor de empresa que adquiriu a Ilha da Paixão tem histórico no Banco Master e levanta questionamentos sobre conexões empresariais

Nesta segunda-feira (20/04/2026), apuração jornalística do site Metrópoles revelou que o diretor da RC Participações, Assessoria e Consultoria Empresarial S.A., empresa responsável pela aquisição da Ilha da Paixão, possui vínculo profissional anterior com o Banco Master. Trata-se de Márcio Vieira Lemos, que atuou no setor jurídico da instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro, levantando questionamentos sobre a interseção entre estruturas empresariais, fundos de investimento e operações patrimoniais envolvendo ativos de alto valor.

Histórico profissional e vínculos com o Banco Master

Márcio Vieira Lemos exerceu função de destaque no Banco Master, onde integrou a chefia do departamento jurídico e atuou diretamente na gestão de ativos imobiliários da instituição. Sua atuação envolvia tanto aspectos regulatórios quanto a administração patrimonial, área estratégica para instituições financeiras com atuação em investimentos e ativos estruturados.

Atualmente, o executivo aparece vinculado a atividades empresariais fora do setor financeiro, figurando como proprietário de uma unidade franqueada da rede Sodiê Doces, no município de Peruíbe, interior de São Paulo. A mudança de perfil profissional não elimina, contudo, o histórico recente em posições estratégicas dentro de uma instituição financeira relevante.

Procurado para esclarecer a natureza de sua atuação na RC Participações e eventuais vínculos com o Banco Master no contexto da aquisição da ilha, Márcio chegou a responder inicialmente, mas interrompeu o contato após questionamentos mais diretos. O espaço permanece aberto para manifestação.

Estrutura societária e aquisição da Ilha da Paixão

A Ilha da Paixão, avaliada em aproximadamente R$ 20 milhões, teve seu direito de ocupação transferido por R$ 1,3 milhão, em julho de 2023, conforme registros do cartório de Candeias. O ativo foi adquirido pela RC Participações, empresa com capital social declarado de R$ 45,5 milhões.

De acordo com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), a área possui inscrição de ocupação regular desde 1987, o que confere legitimidade formal à transação sob o ponto de vista administrativo. Ainda assim, a discrepância entre o valor estimado do ativo e o montante da operação chama atenção.

A RC Participações foi adquirida, em janeiro de 2023, pelo Falcon Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, que, por sua vez, integra a estrutura do fundo Haena 808.

Cadeia de controle e participação de fundos de investimento

Dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), encaminhados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, indicam que o empresário Augusto Lima figura como único cotista do fundo Haena 808, no período entre março de 2023 e dezembro de 2025.

Essa estrutura revela uma cadeia societária composta por múltiplos níveis:

  • Haena 808 (fundo controlador)
  • Falcon FIP Multiestratégia (veículo intermediário)
  • RC Participações (empresa operacional)
  • Ativo final: Ilha da Paixão

A utilização de fundos de investimento como veículos de controle é prática recorrente no mercado financeiro, mas exige transparência quanto à origem dos recursos, finalidade das operações e governança.

Valores e discrepâncias na operação

A diferença entre o valor estimado da ilha (R$ 20 milhões) e o preço pago pelo direito de ocupação (R$ 1,3 milhão) representa um dos pontos centrais da apuração. Embora juridicamente possível, a negociação envolve fatores que demandam análise mais detalhada, como:

  • natureza do direito transferido (ocupação, não propriedade plena)
  • eventuais limitações legais e ambientais
  • condições específicas do contrato
  • avaliação técnica do ativo no momento da transação

Esses elementos são determinantes para compreender a lógica econômica da operação e sua compatibilidade com práticas de mercado.

*Com informações do site Metrópoles.


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