PF prende ex-presidente do BRB em operação que apura esquema bilionário envolvendo Banco Master

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (16/04/2026) o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, no âmbito de uma nova fase da operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades na tentativa de aquisição do Banco Master e em operações financeiras envolvendo carteiras de crédito bilionárias. A investigação também resultou na prisão do advogado Daniel Monteiro, apontado como operador jurídico do esquema.

As apurações indicam que Daniel Monteiro teria estruturado contratos fraudulentos, além de organizar um sistema paralelo de compliance dentro do Banco Master. Segundo a investigação, o advogado também teria coordenado a criação de empresas de fachada e mecanismos para ocultação de pagamentos ilícitos.

De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que Monteiro tenha obtido vantagens financeiras expressivas decorrentes dessas práticas. O ex-presidente do BRB, por sua vez, é investigado por seu papel na condução das operações com o banco ligado ao empresário Daniel Vorcaro.

A defesa de Paulo Henrique Costa sustenta que não houve irregularidades e que as decisões eram colegiadas, envolvendo diferentes instâncias administrativas do banco.

Auditoria revela operações sob pressão e falhas de controle

Um relatório de auditoria independente, conduzido pelo escritório Machado Meyer com apoio da consultoria Kroll, reforçou as suspeitas. O documento aponta que as operações com o Banco Master eram tratadas internamente como “negócio do presidente”, sendo conduzidas sob pressão e urgência.

Entre os principais achados, destacam-se:

  • Fragmentação de carteiras para evitar aprovação do Conselho de Administração
  • Aquisições bilionárias aprovadas no mesmo dia
  • Falta de documentação obrigatória em diversas operações
  • Ausência de mecanismos eficazes de mitigação de risco

A auditoria indica ainda que 83% das operações realizadas entre 2024 e 2025 estavam vinculadas ao Banco Master, o que evidencia alta concentração de risco .

R$ 21,9 bilhões em operações sob suspeita

As investigações apontam que o BRB adquiriu cerca de R$ 21,9 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master. Desse total, aproximadamente R$ 12,3 bilhões apresentam indícios de irregularidades, incluindo:

  • Falta de lastro financeiro
  • Inconsistências estruturais
  • Vícios documentais
  • Registros em nome de pessoas falecidas

Há também suspeitas de que parte dos ativos tenha sido gerada artificialmente por consultorias e revendida ao banco público sem respaldo financeiro adequado .

Operações societárias e possível triangulação financeira

Outro eixo da investigação envolve operações que permitiram a entrada de investidores ligados ao Banco Master no capital do próprio BRB. Após duas operações de aumento de capital, realizadas em 2024 e somando R$ 1 bilhão, esses grupos passaram a deter 23,5% das ações do banco.

A auditoria aponta a existência de uma possível “operação triangulada com elementos de simulação”, que teria permitido a participação indireta de fundos que, formalmente, não poderiam integrar a operação .

Histórico e desdobramentos da operação

Paulo Henrique Costa presidiu o BRB entre 2019 e novembro de 2025, tendo sido indicado pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. Ele já era alvo da primeira fase da operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, quando foi afastado do cargo por decisão judicial.

Na ocasião, o Ministério Público Federal chegou a solicitar sua prisão, mas o pedido foi negado. A nova fase da operação, entretanto, avançou com base em evidências adicionais obtidas por meio da auditoria independente.

*Com informações da Folha de S.Paulo.


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