Presidente Lula celebra entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia e reforça parceria estratégica com a Alemanha

Nesta segunda-feira (20/04/2026), em Hanôver, na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia, prevista para 1º de maio, marca uma nova etapa na integração econômica entre os blocos e amplia a cooperação estratégica entre Brasil e Alemanha em áreas como energia limpa, inovação tecnológica e ação climática. Em declaração à imprensa após reunião com o chanceler Friedrich Merz, o presidente destacou o acordo como um marco do multilateralismo e da construção de uma parceria baseada em regras comerciais equilibradas e desenvolvimento sustentável .

Acordo Mercosul-União Europeia inaugura nova fase de integração

O presidente ressaltou que o acordo representa um avanço histórico após 25 anos de negociações, consolidando uma zona de livre comércio que reúne cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB combinado de aproximadamente US$ 22 trilhões. Em sua avaliação, o pacto simboliza uma escolha política e econômica clara em favor da integração.

“Depois de 25 anos de negociações, nossas regiões disseram sim à integração para criar uma zona de livre comércio que reúne 720 milhões de pessoas e que soma um PIB de 22 trilhões de dólares”, afirmou o presidente .

Lula enfatizou ainda que o acordo transcende o comércio tradicional, incorporando compromissos sociais e ambientais. “Estamos falando de um modelo de cooperação que valoriza e protege os trabalhadores, os direitos humanos e o meio ambiente”, declarou .

O chanceler alemão Friedrich Merz corroborou essa visão, destacando o esforço conjunto para viabilizar o acordo. “Fizemos parte daquele grupo que realmente insistiu que o acordo entrasse em vigor, então foi um êxito em comum”, disse .

Cooperação estratégica avança em tecnologia, defesa e energia

Durante a visita oficial, Lula participou da Feira Industrial de Hanôver, do Encontro Econômico Brasil-Alemanha e de reuniões de alto nível que resultaram em acordos em setores estratégicos.

Os entendimentos firmados abrangem áreas como:

  • Defesa e indústria naval
  • Inteligência artificial e tecnologias quânticas
  • Infraestrutura sustentável
  • Economia circular e bioeconomia
  • Energias renováveis

Na área de defesa, o presidente mencionou o avanço do programa de fragatas. “Um consórcio binacional está construindo quatro fragatas da classe Tamandaré, para entrega até 2028”, afirmou, acrescentando que novas unidades estão em negociação .

No campo energético, Lula defendeu uma mudança de postura da Europa. “Não existe segurança energética sem diversificação. A recente alta nos preços do petróleo mostra que está mais do que na hora de a Europa superar sua resistência ideológica aos biocombustíveis”, declarou .

Ele também destacou a experiência brasileira acumulada ao longo de décadas. “Com conhecimento acumulado ao longo de cinco décadas, o Brasil é capaz de produzir etanol e biodiesel sem comprometer a produção de alimentos e as áreas de floresta” .

Agenda climática e investimentos reforçam parceria bilateral

A agenda ambiental ocupou papel central nas discussões bilaterais. Lula reiterou o compromisso brasileiro com metas climáticas ambiciosas e apresentou resultados recentes.

“Até agora, já reduzimos em 50% os índices de desmatamento na Amazônia e em 32% no Cerrado”, afirmou .

O presidente também destacou a cooperação com a Alemanha no financiamento climático. “Hoje, confirmou a contribuição de quinhentos milhões de euros ao Fundo Clima”, disse .

Além disso, enfatizou a importância da ação conjunta. “Alemanha e Brasil têm consciência de que o amanhã depende do cuidado com o planeta”, declarou .

No campo digital, Lula defendeu maior autonomia tecnológica. “Não queremos mais permanecer dependentes de empresas estrangeiras que enriquecem às custas dos dados de nossos cidadãos, sem garantias de privacidade e segurança”, afirmou .

Multilateralismo, regras comerciais e críticas ao unilateralismo

Em seu discurso, o presidente brasileiro também fez críticas a práticas internacionais que, segundo ele, comprometem o equilíbrio das relações comerciais.

“É legítimo impulsionar políticas de descarbonização, preservação ambiental e desenvolvimento industrial. Mas não é correto adotar métricas que não são fidedignas à realidade, nem compatíveis com regras multilaterais”, afirmou .

Ele reforçou ainda a necessidade de cooperação internacional. “Não há como vencer o unilateralismo com mais unilateralismo”, declarou .

Ao abordar o cenário global, Lula alertou para o enfraquecimento das instituições multilaterais. “Somente um multilateralismo revigorado pode restabelecer a diplomacia e a cooperação como ferramentas para a paz e o desenvolvimento sustentável”, disse .

Relação econômica entre Brasil e Alemanha ganha densidade

A Alemanha foi destacada como parceiro estratégico central para o Brasil. Lula ressaltou dados econômicos relevantes que evidenciam a robustez dessa relação.

Segundo o presidente, o país europeu é a terceira maior economia mundial e um dos principais parceiros comerciais do Brasil, com fluxo bilateral de cerca de US$ 21 bilhões e estoque de investimentos superiores a US$ 40 bilhões .

O chanceler Merz também enfatizou a importância da parceria. “Essa proximidade é mais importante do que nunca, nesses tempos de tanta mudança na ordem mundial”, afirmou .

Ele acrescentou que medidas estão sendo adotadas para fortalecer ainda mais os vínculos econômicos. “Definimos um catálogo de medidas e decidimos retomar as negociações em prol de um acordo para evitar tributação dupla” .


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