Neste domingo (19/04/2026), em Hannover, na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da abertura da Feira Industrial de Hanôver (Hannover Messe 2026), considerada o principal evento global de inovação industrial, onde apresentou o Brasil como destino estratégico para investimentos internacionais, defendeu a reformulação do sistema multilateral e destacou oportunidades em áreas como energia limpa, minerais críticos e indústria 4.0. A agenda incluiu interlocução com lideranças políticas e empresariais, com foco no fortalecimento das relações bilaterais entre Brasil e Alemanha e na ampliação de parcerias econômicas em um cenário global marcado por instabilidade geopolítica.
Brasil busca ampliar parcerias e atrair investimentos industriais
Durante o evento, o governo brasileiro enfatizou políticas públicas voltadas à reindustrialização e à atração de capital estrangeiro. Lula ressaltou que, desde 2023, o país vem reconstruindo sua capacidade estatal para impulsionar o crescimento econômico com inclusão social, tendo como pilares a economia verde e a transformação digital.
O presidente apresentou o Brasil como um parceiro confiável em um cenário internacional instável, destacando iniciativas como o fortalecimento da indústria nacional, incentivos à inovação e a consolidação de um ambiente favorável aos negócios. Segundo ele, a participação na feira reforça a posição estratégica do país na reorganização das cadeias globais de valor.
Também foram destacadas oportunidades de cooperação com a Alemanha em setores considerados estratégicos, como descarbonização industrial, tecnologia e produção sustentável.
Críticas ao modelo atual e defesa do multilateralismo
Em seu discurso, Lula afirmou que o atual sistema multilateral não reflete a realidade geopolítica contemporânea e não assegura participação equilibrada entre os países. Segundo ele, a desigual distribuição dos ganhos da globalização tem contribuído para o crescimento de tensões sociais e políticas.
O presidente criticou o avanço do protecionismo, classificando-o como uma resposta inadequada a problemas estruturais da economia global. Para Lula, o mundo enfrenta uma encruzilhada entre a fragmentação das cadeias produtivas e a cooperação internacional.
Ele defendeu a necessidade de um “multilateralismo justo e equilibrado”, capaz de promover prosperidade compartilhada e maior integração entre países desenvolvidos e emergentes.
Reformas na governança global
O presidente voltou a cobrar mudanças na estrutura da Organização das Nações Unidas, especialmente no Conselho de Segurança, argumentando que a atual configuração limita a capacidade de resposta a crises internacionais.
Também apontou a necessidade de reformulação da Organização Mundial do Comércio (OMC), diante da paralisia recente da entidade e da falta de avanços em negociações multilaterais.
Segundo Lula, a incorporação dos interesses do Sul Global é essencial para garantir legitimidade e eficácia às instituições internacionais.
Acordo Mercosul-União Europeia e expansão comercial
O acordo entre Mercosul e União Europeia foi apresentado como exemplo concreto de cooperação multilateral. O pacto prevê a eliminação de tarifas sobre cerca de 95% dos bens importados pela União Europeia, ampliando o acesso de produtos sul-americanos ao mercado europeu.
De acordo com o presidente, o acordo criará um mercado integrado de aproximadamente 720 milhões de pessoas, com impacto direto na geração de empregos e no aumento dos investimentos.
Ele destacou ainda que a maior integração produtiva tende a fortalecer a estabilidade das cadeias de suprimento globais.
Energia limpa e protagonismo brasileiro
Lula destacou o histórico do Brasil na adoção de energias renováveis, lembrando que o país foi pioneiro na implementação de biocombustíveis desde a década de 1970.
“Produzimos biocombustíveis de forma sustentável, sem comprometer o cultivo de alimentos ou derrubar florestas”, afirmou. O presidente também ressaltou que “dispomos de matriz elétrica 90% limpa e temos potencial para produzir o hidrogênio verde mais barato do mundo”.
Atualmente, mais de 75% da frota nacional é composta por veículos flex, com mistura de etanol na gasolina e biodiesel no diesel. O presidente afirmou que a matriz elétrica brasileira é cerca de 90% limpa, o que posiciona o país como referência na transição energética.
Ele também ressaltou a redução recente do desmatamento e o potencial do Brasil na produção de hidrogênio verde, apontando o tema como central para o enfrentamento das mudanças climáticas.
Minerais críticos e agregação de valor
Outro ponto central do discurso foi o papel dos minerais críticos na nova economia global. O presidente destacou que o Brasil possui reservas estratégicas de nióbio, grafita, terras raras e níquel.
Segundo Lula, o país não pretende se limitar à exportação de matérias-primas, defendendo a participação em todas as etapas da cadeia produtiva, com foco em agregação de valor e transferência de tecnologia.
Ele afirmou que o Brasil está aberto a parcerias internacionais que promovam desenvolvimento econômico e social, com geração de emprego e fortalecimento da indústria nacional.
Indicadores econômicos e ambiente de negócios
O presidente apresentou dados para reforçar a atratividade do Brasil como destino de investimentos. Entre os indicadores mencionados estão:
- Crescimento econômico acima da média mundial desde 2023
- Redução do desemprego a níveis históricos
- Aumento da renda dos trabalhadores
- Ampliação do investimento estrangeiro direto
Também foram citadas iniciativas como o fortalecimento da ciência, o avanço do governo digital e a consolidação do sistema de pagamentos instantâneos, como o Pix.
Propostas trabalhistas e políticas sociais
Lula mencionou ainda o envio ao Congresso Nacional de um projeto de lei que reduz a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial.
A proposta é apresentada como parte de uma estratégia de redistribuição dos ganhos de produtividade e melhoria das condições de trabalho.
Além disso, o presidente destacou a saída do Brasil do Mapa da Fome da FAO e o aumento do financiamento ao setor industrial.











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