O Partido dos Trabalhadores consolidou, no documento “Construindo o futuro: Manifesto do PT para seguir transformando o país”, aprovado no 8º Congresso Nacional ocorrido na sexta-feira (24/04/2026) uma plataforma política voltada às eleições de 2026, à defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à formulação de um novo projeto nacional de desenvolvimento. O texto sustenta que o Brasil enfrenta um cenário de instabilidade global, crise do capitalismo neoliberal, avanço da extrema direita, disputas geopolíticas e necessidade de reformas estruturais, propondo como resposta o fortalecimento do Estado, a soberania nacional, a ampliação de direitos sociais, a transição ecológica e a reorganização interna do partido.
Manifesto do PT vincula eleições de 2026 à disputa por soberania e desenvolvimento
O manifesto aprovado pelo PT apresenta as eleições de 2026 como eixo central da estratégia política do partido. A legenda afirma que a eventual reeleição de Lula seria decisiva não apenas para o Brasil, mas também para a correlação de forças na América Latina e no cenário internacional.
O documento parte de uma leitura crítica da conjuntura mundial. Para o PT, o capitalismo neoliberal atravessa uma crise estrutural marcada por desigualdade, concentração de riqueza, precarização do trabalho, enfraquecimento das democracias liberais e ampliação do poder de grandes corporações tecnológicas.
Na avaliação do partido, a ordem internacional também passa por uma transição. O texto aponta o declínio relativo da hegemonia norte-americana, a ascensão de novos polos de poder, a ampliação dos BRICS e a necessidade de fortalecimento do multilateralismo como elementos centrais da atual disputa geopolítica.
Sete reformas estruturais são apresentadas como base do programa
O manifesto organiza o projeto político do PT em torno de sete reformas estruturais. Segundo o partido, elas seriam necessárias para sustentar um novo ciclo de desenvolvimento nacional e enfrentar bloqueios históricos do Estado brasileiro.
As reformas citadas são:
- Reforma política e eleitoral, com revisão do modelo de poder e das emendas parlamentares;
- Reforma tributária, voltada à justiça fiscal e à redução da concentração de renda;
- Reforma tecnológica, com foco em soberania digital e regulação das plataformas;
- Reforma do Poder Judiciário, com mecanismos de democratização e autocorreção;
- Reforma administrativa, para reconstrução da capacidade pública;
- Reforma agrária, associada à soberania alimentar;
- Reforma da comunicação, com combate aos monopólios no setor.
Essas propostas são articuladas a três eixos: fortalecimento do Estado como indutor do desenvolvimento, crescimento econômico com distribuição de renda e transição produtiva, tecnológica e ambiental com foco na soberania nacional.
Educação integral, creches e fim da escala 6×1 entram no centro da agenda
O PT também defende a universalização da escola em tempo integral, a ampliação do acesso à creche, a alfabetização infantil e o aumento dos investimentos em infraestrutura de educação e saúde.
No campo trabalhista, o manifesto incorpora a defesa do fim imediato da escala 6×1, associando a redução da jornada de trabalho ao direito ao descanso, à convivência familiar, ao estudo e à vida fora do ambiente laboral.
O partido sustenta que a soberania nacional no século XXI envolve não apenas fronteiras e território, mas também capacidade industrial, autonomia tecnológica, soberania alimentar, energética, ambiental, digital e comunicativa.
PT exalta governo Lula e contrapõe gestão Bolsonaro
O documento afirma que o governo Lula retomou políticas públicas como Minha Casa Minha Vida, PAC, Farmácia Popular, Bolsa Família, Pé de Meia, Nova Indústria Brasil e Plano de Transformação Ecológica.
O manifesto também associa o governo anterior, de Jair Bolsonaro, a desmonte institucional, agravamento social, negacionismo na pandemia e retorno da fome. Em contraponto, apresenta Lula como liderança capaz de lidar com crises, citando enchentes no Rio Grande do Sul, queimadas, deslizamentos, tensões comerciais e instabilidade internacional.
Entre os dados destacados pelo PT estão crescimento médio de 2,8% no atual mandato, valorização real do salário mínimo, queda da pobreza e da extrema pobreza, inflação controlada, ampliação de recursos para educação e saúde, expansão da educação em tempo integral e recordes em safra agrícola, turismo e balança comercial.
BRICS, América Latina e multilateralismo ganham destaque
Além do manifesto, o 8º Congresso Nacional do PT discutiu a crise do multilateralismo e a reorganização da ordem internacional. O partido defendeu o fortalecimento dos BRICS, a integração da América Latina e a reforma das instituições globais.
O senador Humberto Costa, secretário de Relações Internacionais do PT, apontou os BRICS como ator político relevante, com peso populacional e econômico crescente. O debate também abordou moedas locais, banco internacional de desenvolvimento e maior autonomia do Sul Global.
Participantes do seminário defenderam uma ordem internacional baseada em regras, criticaram políticas unilaterais e ressaltaram o papel do Brasil na diplomacia, na mediação de conflitos e na defesa de uma cultura de paz.
Reorganização interna inclui transição geracional e paridade de gênero
O manifesto também trata da estrutura interna do Partido dos Trabalhadores. A legenda defende o fortalecimento dos diretórios, núcleos de base, secretarias e setoriais.
Entre as medidas internas, o partido propõe limitar mandatos em suas instâncias, estimular a transição geracional e garantir mínimo de 50% de mulheres nos espaços de deliberação.
O texto também reafirma o compromisso do PT com o socialismo democrático, a igualdade de direitos, o combate à discriminação e a construção de um projeto nacional baseado em democracia, justiça social e soberania.












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