O senador Angelo Coronel (Republicanos-BA), ex-integrante da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou neste mês de abril de 2026, publicamente que rompeu com o grupo político do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia e declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma eventual disputa pela Presidência da República. A decisão, segundo o parlamentar, foi motivada por divergências internas e pela exclusão de seu nome das articulações políticas estaduais.
O afastamento de Angelo Coronel ocorre após anos de alinhamento com o grupo político liderado pelo PT na Bahia. O senador afirmou ter sido preterido na composição da chamada chapa “puro-sangue”, que reúne nomes centrais da base governista no estado, incluindo o ex-ministro Rui Costa, o senador Jaques Wagner e o governador Jerônimo Rodrigues.
Segundo Coronel, a decisão de romper foi consequência direta da falta de espaço político. Em declaração, afirmou que o PT teria concentrado as vagas estratégicas, o que classificou como um movimento de exclusão dentro da própria base aliada.
O parlamentar destacou que sua saída não foi abrupta, mas resultado de um processo gradual de desgaste político. A ausência de diálogo e de articulação interna teria contribuído para o rompimento definitivo no final de 2025.
Declaração de apoio a Flávio Bolsonaro
Ao anunciar sua nova posição política, Coronel declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro, apontando afinidade pessoal e institucional como fatores determinantes. O parlamentar ressaltou a convivência no Senado como elemento que fortaleceu essa aproximação.
Em sua fala, destacou que, diante da ruptura com o PT, buscou alinhamento com um projeto político alternativo. A escolha por Flávio Bolsonaro, segundo ele, representa uma decisão pragmática dentro do atual cenário político nacional.
A declaração sinaliza um reposicionamento relevante dentro do espectro político baiano, especialmente considerando o histórico de Coronel como aliado de governos petistas no estado.
Impacto político e rearranjos no cenário baiano
O movimento de Angelo Coronel ocorre em um contexto de reconfiguração política na Bahia, estado historicamente dominado pelo PT nas últimas décadas. Sua saída da base governista pode influenciar alianças locais e articulações futuras, sobretudo em relação às eleições nacionais.
Além disso, o senador também rompeu com seu aliado histórico, o senador Otto Alencar (PSD-BA), que manteve apoio à base do governo Lula. A divergência evidencia fissuras internas entre lideranças tradicionais da política baiana.
Esse rearranjo pode ter reflexos diretos na formação de blocos políticos no estado, especialmente diante da disputa por protagonismo entre grupos alinhados ao governo federal e setores de oposição.
Relações no Senado e estratégia nacional
A aproximação entre Angelo Coronel e Flávio Bolsonaro ocorre em meio a uma estratégia mais ampla de fortalecimento de alianças no Senado. O movimento pode ser interpretado como parte de uma articulação nacional visando ampliar bases de apoio fora do eixo tradicional do PL.
No Congresso, alianças transversais têm sido frequentes, especialmente em temas de interesse comum, o que facilita aproximações mesmo entre parlamentares de trajetórias políticas distintas.
A declaração de apoio antecipa possíveis alinhamentos para o cenário eleitoral de 2026, indicando que a disputa presidencial já começa a influenciar posicionamentos no Legislativo.
Apoio ao bolsonarismo desafia base histórica do eleitorado baiano
A decisão do senador Angelo Coronel de declarar apoio a Flávio Bolsonaro representa mais do que um gesto de ruptura com a base governista; trata-se de um movimento que o reposiciona em um campo político que, na Bahia, enfrenta restrições eleitorais históricas. O estado consolidou-se, ao longo das últimas décadas, como um dos principais redutos do lulismo e de forças políticas associadas ao Partido dos Trabalhadores, com sucessivas vitórias em eleições presidenciais e estaduais. Esse padrão revela uma estrutura de preferência eleitoral relativamente estável, na qual candidaturas alinhadas ao bolsonarismo encontram dificuldades para ampliar sua base de apoio de forma consistente.
Do ponto de vista empírico, eleições recentes demonstram que o bolsonarismo mantém níveis elevados de rejeição no eleitorado baiano, sobretudo em áreas urbanas densas e em regiões com maior dependência de políticas públicas federais. Ainda que haja nichos de apoio mais consolidado, especialmente em segmentos específicos do interior e do setor produtivo, esses grupos não têm sido suficientes para alterar o equilíbrio geral do estado. Nesse contexto, a adesão de Coronel a esse campo político pode gerar um efeito de desalinhamento com sua própria base eleitoral, construída ao longo de anos em diálogo com forças políticas de centro e centro-esquerda.
Além disso, o movimento impõe um desafio adicional no plano das alianças regionais. Ao se afastar de lideranças tradicionais como Otto Alencar e do núcleo político ligado ao governo estadual, o senador reduz sua margem de articulação dentro de um ambiente ainda fortemente influenciado pelo grupo petista. A aposta em um novo eixo político, portanto, envolve não apenas a busca por protagonismo nacional, mas também o risco de isolamento no cenário local, onde o peso das estruturas partidárias e da memória eleitoral tende a favorecer candidaturas alinhadas ao campo político historicamente dominante.








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