Queda de Salvador no IPS 2025 amplia debate sobre legado de ACM Neto e gestão social da capital baiana no Governo Bruno Reis

A queda de Salvador no Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2025 recolocou no centro do debate público a avaliação sobre os resultados sociais acumulados pela capital baiana nas últimas gestões municipais. Segundo o levantamento, Salvador aparece na 24ª posição entre as 27 capitais brasileiras, com 62,05 pontos, à frente apenas de Maceió, Macapá e Porto Velho, desempenho que passou a ser usado por adversários políticos do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) e do prefeito Bruno Reis (União Brasil) para contestar o discurso de eficiência administrativa associado ao período em que seu grupo político comandou a Prefeitura. O IPS mede qualidade de vida e resultados sociais, não apenas volume de investimento público ou desempenho econômico.

IPS 2025 coloca Salvador entre as capitais com pior desempenho social do país

O Índice de Progresso Social Brasil 2025 classifica Salvador na 24ª colocação entre as capitais, com pontuação de 62,05. No ranking, a capital baiana aparece abaixo de cidades como Belém, Rio Branco, Manaus, Recife e Boa Vista, ficando acima apenas de Maceió, Macapá e Porto Velho.

A posição de Salvador no levantamento ganhou repercussão política porque ocorre em meio à disputa narrativa sobre a gestão da capital. O deputado estadual Robinson Almeida (PT) afirmou que a queda no IPS evidencia problemas estruturais que, na avaliação dele, não foram enfrentados durante as administrações ligadas ao grupo de ACM Neto. A crítica foi feita após declarações do ex-prefeito à rádio Baiana FM, segundo registro publicado pela imprensa baiana.

O dado é politicamente sensível porque o IPS não mede apenas a existência formal de políticas públicas. A metodologia avalia se os serviços e estruturas disponíveis produzem resultados concretos para a população, incluindo áreas como saúde, educação, moradia, saneamento, segurança, acesso à informação, inclusão social e oportunidades.

O que mede o Índice de Progresso Social

O IPS Brasil é uma metodologia baseada no modelo internacional da Social Progress Imperative e aplicada no país com adaptação para a realidade municipal. A edição de 2025 avaliou os 5.570 municípios brasileiros, organizando os indicadores em três grandes dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades.

Diferentemente de indicadores econômicos tradicionais, como o Produto Interno Bruto (PIB), o IPS busca medir a qualidade de vida sob a ótica dos resultados sociais. Ou seja, o índice procura responder se os recursos, equipamentos e serviços públicos chegam efetivamente à população e se contribuem para melhorar as condições de vida nos territórios avaliados.

Segundo a plataforma do IPS Brasil, o índice utiliza dados públicos, recentes e comparáveis entre municípios. A metodologia considera dimensões como nutrição, cuidados médicos básicos, água e saneamento, moradia, segurança pessoal, acesso ao conhecimento básico, saúde, meio ambiente, direitos individuais, liberdades de escolha, inclusão social e acesso à educação superior.

Educação e alfabetização entram no centro da disputa política

Além do desempenho geral no IPS, a educação aparece como um dos pontos mais sensíveis do debate. O material fornecido menciona que Salvador ficou em posição desfavorável no índice de alfabetização infantil de 2024, segundo dados do Ministério da Educação, tema também citado por Robinson Almeida ao criticar a gestão municipal.

Os dados mais recentes divulgados pelo Inep, vinculado ao Ministério da Educação, indicam que o Indicador Criança Alfabetizada mede o percentual de estudantes considerados alfabetizados ao final do 2º ano do ensino fundamental, com base em avaliações aplicadas pelos estados no âmbito do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada.

Em 2026, veículos locais registraram que Salvador avançou de 36,8% em 2024 para 50,3% em 2025 no percentual de crianças alfabetizadas ao final do 2º ano, crescimento de 13,6 pontos percentuais. O avanço, contudo, não elimina o passivo anterior nem encerra o debate sobre a consistência das políticas educacionais na capital.

Principais dados do levantamento

Entre os pontos centrais do debate sobre Salvador no IPS 2025, destacam-se:

  • 24ª posição entre as 27 capitais brasileiras no IPS Brasil 2025;
  • 62,05 pontos no índice geral;
  • desempenho superior apenas ao de Maceió, Macapá e Porto Velho entre as capitais;
  • uso do indicador por opositores para questionar o discurso de eficiência administrativa atribuído ao grupo político de ACM Neto;
  • inclusão de áreas como educação, saneamento, saúde, moradia, segurança e oportunidades na metodologia do IPS.

Indicador amplia pressão sobre a Prefeitura de Salvador

A posição de Salvador no ranking reforça a pressão sobre a administração municipal porque os indicadores sociais têm impacto direto na avaliação da qualidade da gestão pública. Ainda que obras urbanas, requalificações e investimentos em infraestrutura tenham peso político e visibilidade eleitoral, o IPS desloca o foco para resultados concretos na vida cotidiana da população.

Esse tipo de indicador tende a ganhar relevância no ciclo eleitoral porque permite comparar capitais em bases padronizadas. No caso de Salvador, a classificação entre as piores capitais do país no IPS 2025 cria um contraponto objetivo ao discurso de modernização administrativa sustentado por lideranças do União Brasil.

Ao mesmo tempo, a leitura do índice exige cautela. O IPS não deve ser usado como diagnóstico isolado de uma gestão específica, pois muitos problemas urbanos resultam de processos históricos, desigualdades estruturais e competências compartilhadas entre Município, Estado e União. Ainda assim, a permanência de Salvador em posição baixa no ranking indica que a capital enfrenta desafios persistentes em políticas sociais básicas.

Disputa sobre legado de ACM Neto ganha novo elemento

A crítica dirigida a ACM Neto se insere em um ambiente político marcado pela antecipação do debate eleitoral de 2026. O ex-prefeito, que governou Salvador entre 2013 e 2020, mantém influência sobre o grupo político que administra a capital desde então e busca sustentar a imagem de gestor eficiente, especialmente em comparação com adversários estaduais.

A divulgação do IPS 2025 oferece aos opositores um argumento baseado em indicador social amplo. A tese apresentada por Robinson Almeida é que a posição de Salvador no ranking enfraquece a narrativa de excelência administrativa construída pelo grupo de ACM Neto. Essa avaliação, porém, deve ser atribuída ao campo político que a formulou, preservando a distinção entre dado estatístico e interpretação partidária.

Do ponto de vista jornalístico, o dado relevante é que Salvador aparece em posição baixa no ranking nacional de capitais. A partir dele, diferentes atores políticos constroem interpretações sobre causas, responsabilidades e consequências. A apuração deve separar com clareza o que é informação verificável, o que é crítica política e o que depende de análise mais ampla de séries históricas e políticas públicas setoriais.

Fontes oficiais e metodologia reforçam peso do levantamento

A credibilidade do IPS decorre do uso de bases públicas e de uma metodologia multidimensional. A plataforma informa que o índice trabalha com dados socioambientais e de resultado, buscando avaliar se políticas, recursos e serviços produzem efeitos efetivos para a população.

Essa característica torna o índice relevante para gestores, pesquisadores, imprensa e sociedade civil. Ao organizar os municípios brasileiros por critérios comparáveis, o IPS permite identificar desigualdades, mapear áreas críticas e orientar prioridades de investimento público.

No caso de Salvador, o resultado de 2025 reforça a necessidade de avaliação mais detalhada sobre quais componentes puxaram a pontuação para baixo. Sem esse exame por dimensão e indicador, o debate pode ficar restrito à disputa política, quando o interesse público exige diagnóstico técnico sobre os gargalos da capital.

Dados de 2025 do Índice de Progresso Social de Salvador.
Dados de 2025 do Índice de Progresso Social de Salvador.

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