Salvador alcançou 62,18 pontos em 100 no Índice de Progresso Social Brasil 2026, resultado que coloca a capital baiana na 1.997ª posição entre os 5.570 municípios brasileiros e na 15ª colocação entre os 417 municípios da Bahia. Embora o levantamento registre desempenho positivo em água e saneamento, acesso à informação e comunicação, qualidade do meio ambiente e educação superior, os dados expõem fragilidades persistentes em segurança pessoal, inclusão social, direitos individuais e educação básica, áreas diretamente associadas à qualidade de vida da população e que atravessam as gestões de ACM Neto, prefeito entre 2013 e 2020, e Bruno Reis, que assumiu a Prefeitura de Salvador em 2021 e foi reeleito para novo mandato iniciado em 2025.
Qualidade de vida em Salvador tem desempenho mediano e desigual
O principal dado do scorecard é o resultado geral de 62,18 pontos, que situa Salvador em posição intermediária no ranking nacional do IPS Brasil 2026. O índice permite observar a qualidade de vida para além da renda, reunindo indicadores de acesso a serviços básicos, bem-estar, oportunidades, segurança, educação, saúde, inclusão e meio ambiente.
A capital baiana apresenta uma combinação contraditória. De um lado, há resultados consistentes em infraestrutura urbana e conectividade. De outro, permanecem indicadores frágeis em temas que afetam de modo direto a vida cotidiana, como violência, desigualdade, acesso a direitos e permanência escolar.
Os números mais relevantes para compreender a qualidade de vida em Salvador são:
- IPS geral: 62,18 pontos em 100;
- posição nacional: 1.997ª entre 5.570 municípios;
- posição estadual: 15ª entre 417 municípios baianos;
- Necessidades Humanas Básicas: 69,62 pontos;
- Fundamentos do Bem-Estar: 69,75 pontos;
- Oportunidades: 47,18 pontos;
- Segurança pessoal: 37,39 pontos;
- Inclusão social: 39,09 pontos;
- Direitos individuais: 24,88 pontos;
- Acesso à educação superior: 66,49 pontos.
Segurança, inclusão e direitos reduzem o alcance dos avanços urbanos
O dado mais crítico do levantamento está em segurança pessoal, componente no qual Salvador obteve apenas 37,39 pontos e ficou na 5.180ª posição nacional. Esse resultado inclui indicadores relacionados a assassinatos de jovens, assassinatos de mulheres, homicídios e mortes por acidentes de transporte.
Também chama atenção o desempenho em inclusão social, com 39,09 pontos e 5.234ª posição nacional. A pontuação considera fatores como famílias em situação de rua, paridade de gênero e raça na Câmara Municipal, violência contra indígenas, violência contra mulheres e violência contra negros.
Em direitos individuais, Salvador registrou 24,88 pontos, desempenho que revela fragilidade no acesso efetivo da população a mecanismos institucionais de proteção, justiça e garantia de direitos. Esses três blocos formam o núcleo mais sensível do diagnóstico: a cidade avançou em determinadas estruturas urbanas, mas não conseguiu converter esses avanços, de forma suficiente, em melhoria ampla e equilibrada da qualidade de vida.
Gestões de ACM Neto e Bruno Reis deixam saldo desigual
Os dados do IPS Brasil 2026 impõem uma leitura crítica sobre a continuidade administrativa entre ACM Neto e Bruno Reis na Prefeitura de Salvador. A administração iniciada por ACM Neto em 2013 foi sucedida por Bruno Reis, que havia sido vice-prefeito e assumiu o Executivo municipal em 2021. Essa continuidade política torna difícil tratar os resultados atuais como responsabilidade isolada de uma única gestão.
É correto reconhecer que Salvador apresenta resultados relevantes em água e saneamento, com 84,79 pontos, e em acesso à informação e comunicação, com 83,77 pontos. Também há bom posicionamento em qualidade do meio ambiente, com 68,34 pontos e 141ª posição nacional, além de desempenho expressivo em acesso à educação superior, com 66,49 pontos e 72ª posição nacional.
No entanto, a permanência de indicadores baixos em segurança, inclusão social, direitos individuais e educação básica limita o discurso de modernização urbana associado às duas administrações. O scorecard sugere que obras, requalificações e avanços em serviços não foram suficientes para enfrentar, com a mesma intensidade, desigualdades sociais, violência, vulnerabilidade urbana e gargalos educacionais.
A vitrine urbana não resolveu os problemas estruturais
O IPS Brasil 2026 mostra que Salvador não pode ser avaliada apenas por intervenções urbanas visíveis, requalificação de espaços públicos ou expansão de infraestrutura. Esses elementos têm relevância administrativa, mas são insuficientes quando os indicadores de segurança pessoal, inclusão social e direitos individuais permanecem em patamares baixos.
A crítica central às gestões de ACM Neto e Bruno Reis está justamente na distância entre a imagem de eficiência urbana construída ao longo dos últimos anos e os dados sociais que revelam uma cidade ainda profundamente desigual. A continuidade política no comando da Prefeitura de Salvador amplia a responsabilidade do grupo gestor sobre esse quadro, pois houve tempo administrativo suficiente para estruturar políticas mais robustas de enfrentamento dos problemas sociais persistentes.
O resultado de 62,18 pontos não representa colapso, mas tampouco autoriza comemoração acrítica. Salvador aparece como uma capital com avanços pontuais, porém marcada por déficits graves em áreas essenciais à vida concreta da população. Em termos jornalísticos, o dado mais relevante é este: a qualidade de vida na cidade melhorou em alguns serviços, mas continua comprometida onde o poder público é mais exigido — na proteção dos cidadãos, na redução das desigualdades e na garantia de direitos.









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