Salvador foi apontada pelo Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026 como uma das capitais brasileiras com pior desempenho em qualidade de vida, ao registrar 62,18 pontos e ocupar a 24ª posição entre as 27 capitais, ficando à frente apenas de Maceió, Macapá e Porto Velho. O resultado, divulgado em 20 de maio, foi associado pelo deputado estadual Rosemberg Pinto (PT), líder do governo na Assembleia Legislativa da Bahia, aos indicadores de desemprego da PNAD Contínua Trimestral, do IBGE, que mostram Salvador com 10,2% de desocupação no primeiro trimestre de 2026, a maior taxa entre as capitais, segundo levantamento citado pelo parlamentar. O quadro reúne dados sobre qualidade de vida, mercado de trabalho, moradia e desigualdade urbana, além de críticas políticas à gestão municipal vinculada ao grupo do ex-prefeito ACM Neto.
IPS Brasil 2026 coloca Salvador entre as capitais com pior qualidade de vida
O IPS Brasil 2026 avalia os municípios brasileiros em uma escala de 0 a 100, considerando dimensões sociais e ambientais que medem se a população dispõe de condições mínimas para viver com dignidade. A metodologia observa fatores como necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades, incluindo nutrição, cuidados médicos, saneamento, moradia, segurança pessoal, acesso ao conhecimento e inclusão social.
Segundo o levantamento, Salvador obteve 62,18 pontos, abaixo da média nacional de 63,40, e ficou na parte inferior do ranking das capitais brasileiras. O IPS Brasil informa que, entre os menores resultados das capitais, aparecem Salvador (62,18), Maceió (61,96), Macapá (59,65) e Porto Velho (58,59), evidenciando a distância entre os centros urbanos com melhores e piores condições sociais.
O desempenho da capital baiana reforça a leitura de que os problemas urbanos de Salvador ultrapassam a infraestrutura visível e alcançam áreas estruturais da vida social, como inclusão, educação básica, saúde preventiva, habitação e segurança. No material apresentado, um dos pontos mais graves é o componente de Inclusão Social, no qual Salvador aparece com 39,09 pontos, situada entre os piores desempenhos municipais do país nesse recorte.
Rosemberg Pinto atribui resultado ao modelo de gestão municipal
O deputado estadual Rosemberg Pinto (PT) afirmou que os resultados “expõem as consequências do modelo de gestão de ACM Neto e seu grupo à frente da prefeitura”. Na avaliação do parlamentar, os indicadores de qualidade de vida, desemprego e moradia demonstram fragilidades acumuladas na administração municipal da capital baiana.
Rosemberg também associou os dados à disputa política estadual, ao afirmar que o mesmo grupo político que comandou Salvador pretende ampliar sua influência sobre a Bahia. “Essa turma é quem quer tomar conta da Bahia, mas o povo vai dizer não mais uma vez”, declarou o líder do governo na Assembleia Legislativa.
A crítica do parlamentar tem caráter político e deve ser compreendida no contexto da polarização entre governo estadual e oposição na Bahia. Ainda assim, os dados utilizados na manifestação remetem a fontes públicas de acompanhamento social e econômico, como o IPS Brasil, o IBGE e a PNAD Contínua Trimestral.
Desemprego em Salvador amplia pressão sobre indicadores sociais
Além do baixo desempenho no IPS Brasil 2026, Salvador aparece no debate público como a capital com maior taxa de desemprego no primeiro trimestre de 2026. Segundo os dados citados por Rosemberg Pinto, a capital baiana registrou 10,2% de desocupação, enquanto a Região Metropolitana de Salvador chegou a 11,2%.
No mesmo período, a taxa nacional de desocupação foi de 6,1%, conforme release oficial da PNAD Contínua Trimestral do IBGE. O instituto informou ainda que a Bahia registrou 9,2% de desemprego, uma das maiores taxas entre as unidades da Federação, e que a subutilização da força de trabalho no estado chegou a 26,3%, atrás apenas do Piauí no ranking nacional. (Agência de Notícias – IBGE)
O contraste entre Salvador e a média nacional evidencia a permanência de dificuldades no mercado de trabalho local. Conforme os números citados no conteúdo analisado, outras capitais nordestinas apresentaram taxas inferiores: Recife, 8,8%; Fortaleza, 8,0%; e Maceió, 7,7%. A desocupação em Salvador teria subido 2 pontos percentuais em três meses, passando de 8,2% para 10,2%.
Bahia tem desemprego elevado, mas dado estadual exige leitura cuidadosa
O dado estadual também merece análise. O IBGE apontou que a Bahia teve 9,2% de desocupação no primeiro trimestre de 2026, acima da média nacional. Ao mesmo tempo, reportagens regionais destacaram que esse foi o menor índice para um primeiro trimestre no estado desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012.
Isso significa que o cenário combina duas leituras simultâneas: a Bahia ainda aparece entre os estados com maiores taxas de desemprego do país, mas apresenta melhora quando comparada a trimestres equivalentes de anos anteriores. Em Salvador, contudo, o recorte municipal e metropolitano permanece mais desfavorável, segundo os dados citados pelo parlamentar.
Moradia e favelização reforçam desigualdade urbana em Salvador
O Censo Demográfico 2022, do IBGE, completa o diagnóstico sobre a capital baiana ao indicar forte concentração populacional em favelas e comunidades urbanas. Levantamento publicado pelo Jornal Grande Bahia com base nos dados censitários informa que Salvador concentrava 262 favelas, quase metade das áreas desse tipo na Bahia, e tinha aproximadamente 1.033.258 moradores nesses territórios.
O mesmo levantamento aponta que 42,7% da população de Salvador vivia em favelas e comunidades urbanas, a terceira maior proporção entre as capitais brasileiras. Esse dado coloca a capital baiana em posição de destaque no debate nacional sobre desigualdade urbana, acesso a serviços públicos, habitação, saneamento e mobilidade.
No plano nacional, o IBGE identificou 12.348 favelas e comunidades urbanas em 2022, com 16,39 milhões de moradores, equivalentes a 8,1% da população brasileira. O instituto ressalta que a comparação com censos anteriores deve considerar aprimoramentos metodológicos, tecnológicos e territoriais feitos na coleta.
Indicadores expõem distância entre propaganda urbana e realidade social
Na avaliação de Rosemberg Pinto, o conjunto dos dados contradiz a imagem de modernização atribuída à capital baiana. Para o parlamentar, os números mostram uma cidade marcada por desigualdade, precariedade habitacional e dificuldade de absorção da força de trabalho.
O deputado afirmou que “não há propaganda que resista aos dados” e classificou o cenário como legado do grupo político que comandou a Prefeitura de Salvador. A declaração reforça o uso político dos indicadores sociais em meio ao debate sobre sucessão estadual, gestão municipal e responsabilidade administrativa.
Embora a crítica tenha origem em um representante do governo estadual, os indicadores citados apontam problemas concretos. A posição de Salvador no IPS Brasil, a taxa de desemprego e o percentual de moradores em favelas indicam que a capital enfrenta desafios estruturais que não se resolvem apenas com obras urbanas, comunicação institucional ou valorização turística da cidade.








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