Deputada Lídice da Mata comenta pesquisa Genial/Quaest que mostra Lula à frente de Flávio Bolsonaro e compara disputa judicial a caso ACM Neto

Nesta quarta-feira, 10/06/2026, a deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA) comentou a nova pesquisa Genial/Quaest sobre a eleição presidencial de 2026, que mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em cenário de segundo turno, com 44% contra 38%, e comparou a tentativa do PL de suspender levantamento do Instituto AtlasIntel no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à ofensiva judicial movida, em 2022, pelo grupo de ACM Neto (União Brasil) contra pesquisa que indicava crescimento de Jerônimo Rodrigues (PT) na disputa pelo Governo da Bahia.

Para Lídice da Mata, o questionamento judicial apresentado pelo PL contra a pesquisa AtlasIntel reproduz um expediente já utilizado na política baiana: contestar levantamentos eleitorais incômodos em vez de enfrentar politicamente o cenário revelado pelos números.

A parlamentar afirmou que há um paralelo direto entre o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e o episódio ocorrido na eleição baiana de 2022, quando o União Brasil, partido de ACM Neto, acionou a Justiça Eleitoral contra pesquisa da AtlasIntel que apontava avanço de Jerônimo Rodrigues.

É o mesmo manual, a mesma editora, só mudou o estado e o sobrenome do candidato”, declarou Lídice. “ACM Neto tentou calar a pesquisa em 2022 e as urnas responderam. Flávio tenta o mesmo em 2026 — e a Genial/Quaest acaba de confirmar, sem precisar de liminar, que o quadro para ele só piora.

Pesquisa Genial/Quaest reforça cenário desfavorável a Flávio Bolsonaro

A leitura política feita por Lídice ganhou força com a divulgação da pesquisa Genial/Quaest, que apresentou Lula numericamente à frente de Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno. Segundo o levantamento, o presidente registra 44% das intenções de voto, contra 38% do senador.

O resultado amplia a vantagem petista em relação a rodadas anteriores e ocorre em momento de desgaste político para o pré-candidato do PL, após a repercussão de áudios atribuídos a ele em episódio envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.

A pesquisa também aponta 14% de eleitores que declaram voto branco, nulo ou afirmam que não votariam, além de 4% de indecisos. O dado confirma que, embora o cenário ainda esteja em construção, Lula aparece em posição mais favorável no confronto direto.

Paralelo com ACM Neto em 2022 ganha centralidade no debate

Em 2022, o União Brasil de ACM Neto conseguiu inicialmente suspender a divulgação de pesquisa AtlasIntel que indicava crescimento de Jerônimo Rodrigues na disputa pelo Governo da Bahia. A decisão foi posteriormente revista pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, que julgou improcedente a representação, revogou a liminar e validou o levantamento.

Nas urnas, Jerônimo venceu a eleição, resultado que, na avaliação de Lídice, confirma a fragilidade política da tentativa de barrar pesquisas desfavoráveis.

A deputada usa esse precedente para enquadrar o movimento do PL como parte de uma tradição eleitoral pouco republicana: quando o dado contraria a narrativa de campanha, busca-se desqualificar o mensageiro. A comparação, embora politicamente dura, encontra lastro no fato de que os dois episódios envolveram o mesmo instituto e a contestação judicial de pesquisas incômodas para candidaturas de oposição ao PT.

Pesquisa mostra Lula à frente em cenários contra Flávio Bolsonaro

A 26ª rodada da pesquisa Genial/Quaest, contratada pela Genial Investimentos, foi realizada entre os dias 5 e 8 de junho de 2026, com 2.004 entrevistas presenciais com brasileiros de 16 anos ou mais. O levantamento informa margem de erro estimada de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, com registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07661/2026.

No cenário estimulado de primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) registra 29%. Outros nomes citados ficam em patamar inferior: Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem com 3% cada; Aécio Neves (PSDB) e Romeu Zema (Novo) têm 2% cada. Indecisos somam 10%, e branco, nulo ou não vai votar correspondem a 9%.

Na pesquisa espontânea, em que o entrevistado responde sem apresentação prévia de nomes, Lula registra 23%, Flávio Bolsonaro aparece com 17%, e os indecisos ainda representam 56% do eleitorado. O dado indica que, apesar da antecipação do debate presidencial, a disputa permanece marcada por elevado grau de indefinição.

Segundo turno indica vantagem de Lula sobre Flávio

No cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o levantamento aponta o petista com 44% das intenções de voto, contra 38% do senador do PL. O índice de branco, nulo ou não vai votar chega a 14%, enquanto os indecisos somam 4%.

A comparação com rodadas anteriores apresentada pela pesquisa indica oscilação no desempenho de Flávio Bolsonaro no confronto direto. Em maio, o senador aparecia com 41% contra 42% de Lula. Em junho, o presidente passou a 44%, enquanto o pré-candidato do PL caiu para 38% nesse cenário específico.

A pesquisa também informa que a aprovação do governo Lula está em 47%, enquanto a desaprovação chega a 48%. Na avaliação qualitativa, 34% consideram o governo positivo, 38% avaliam como negativo, 26% classificam como regular e 2% não souberam ou não responderam.

TSE analisa contestação do PL contra pesquisa AtlasIntel

O comentário da deputada Lídice da Mata ocorre no contexto da disputa jurídica aberta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em torno da pesquisa AtlasIntel registrada sob o nº BR-06939/2026, referente à eleição presidencial de 2026. O levantamento teve sua divulgação suspensa em decisão liminar do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, após representação do PL, partido do senador Flávio Bolsonaro, que alegou possível indução dos entrevistados por meio do questionário aplicado.

Segundo o PL, a pesquisa teria extrapolado a aferição regular da opinião pública ao incluir perguntas relacionadas ao suposto envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e o Banco Master. A legenda sustenta que, das 48 perguntas do questionário, oito tratavam desse tema, o que, na avaliação do partido, poderia contaminar respostas sobre imagem, rejeição e intenção de voto do senador.

Na decisão liminar, Nunes Marques afirmou haver indícios de possível comprometimento da neutralidade metodológica e determinou que a AtlasIntel se abstivesse de promover nova divulgação, impulsionamento, republicação ou manutenção da pesquisa em seus canais oficiais até nova deliberação do TSE. O ministro também determinou a apresentação de documentação técnica complementar pela empresa, especialmente sobre o uso de áudio no levantamento.

O caso começou a ser analisado pelo plenário do TSE em 9 de junho de 2026, quando Nunes Marques votou pela manutenção da cautelar. O julgamento, porém, foi interrompido após pedido de vista da ministra Estela Aranha, mantendo em aberto a decisão colegiada sobre a validade da liminar. Até a última atualização oficial localizada, não havia decisão definitiva do plenário.

A controvérsia ultrapassa o caso específico da AtlasIntel e reacende o debate sobre os limites entre a fiscalização legítima de pesquisas eleitorais e a judicialização excessiva de levantamentos de opinião. Para aliados de Flávio Bolsonaro, a contestação busca preservar a regularidade metodológica e evitar que perguntas enviesadas influenciem artificialmente a percepção do eleitorado. Para críticos da medida, a ação pode representar uma tentativa de reduzir o impacto público de números politicamente desfavoráveis.

É nesse ambiente que Lídice enquadra sua crítica. Para a deputada, o episódio revelaria uma estratégia recorrente de setores políticos diante de pesquisas negativas: deslocar a disputa da arena pública e eleitoral para o Judiciário Eleitoral, tentando neutralizar, por via judicial, efeitos políticos produzidos por levantamentos de opinião.


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