O deputado federal Daniel Gomes de Almeida (PCdoB-BA) avaliou, neste domingo (07/06/2026), em entrevista ao jornalista Carlos Augusto, editor do Jornal Grande Bahia, o cenário eleitoral de 2026 no Brasil e na Bahia, a pré-candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, o projeto político do governador Jerônimo Rodrigues (PT), a estratégia do PCdoB para ampliar representação parlamentar e o peso das bases municipais na disputa estadual. A entrevista foi concedida em Ipirá, durante etapa do Programa de Governo Participativo (PGP 2026) no Território de Identidade da Bacia do Jacuípe, agenda liderada pelo governador Jerônimo Rodrigues como parte da construção programática de sua pré-campanha à reeleição.
Perfil de Daniel Almeida
Natural de Mairi, no interior da Bahia, Daniel Gomes de Almeida é sindicalista, técnico industrial e político filiado ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Ele exerce mandato na Câmara dos Deputados desde 2003 e está no ciclo legislativo de 2023 a 2027, correspondente ao seu sexto mandato federal.
Na Câmara dos Deputados, Daniel Almeida integra a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. Sua trajetória parlamentar está associada a temas como direitos dos trabalhadores, organização sindical, desenvolvimento regional, políticas sociais, defesa da agricultura familiar, fortalecimento das bases municipais e atuação política no interior da Bahia.
A entrevista ocorreu em ambiente de mobilização governista, com presença de lideranças regionais, prefeitos, vereadores, representantes de movimentos sociais e integrantes da base política do governador Jerônimo Rodrigues.
Entrevista com Daniel Almeida
Lula e a disputa presidencial de 2026
Jornal Grande Bahia — O senhor está há várias décadas como parlamentar na Câmara dos Deputados, representando o PCdoB da Bahia. Como o senhor está vendo esse processo político-eleitoral? O presidente Lula tenta conquistar mais um mandato. Como o senhor avalia essa eleição e por que há tanta resistência ao nome dele neste momento?
Daniel Almeida — Eu acho que Lula vai ganhar a eleição. É a única opção razoável e racional que o Brasil tem.
O outro lado que polariza não tem projeto. É só ataque, é só entrega da soberania, é só destruição. Eu acho que a razão vai prevalecer.
Agora, não será uma disputa simples. Lula nunca ganhou eleição com facilidade. Sempre esteve no limite de disputa de segundo turno. Ele próprio já disputou várias eleições, perdeu algumas e ganhou outras.
Depois de tantas disputas, há um desgaste. Ele sempre sofreu ataques permanentes. Alguém que é sempre atacado, atacado, atacado, vai acumulando algum desgaste.
Então, ele está ali com um nível de aceitação e um nível de desgaste próximos, em uma disputa polarizada.
Minha expectativa é que o eleitor passe a avaliar o governo, os resultados do governo e o presidente Lula. Naturalmente, avaliará também o indivíduo, o personagem que é o presidente Lula, mas principalmente os resultados administrativos.
Se o eleitor avaliar os resultados de governo, temos muitas razões, olhando para o mundo, olhando para o Brasil e comparando o governo passado com este governo. Isso dá uma vantagem extraordinária para a disputa em favor de Lula.
Mas acho que a tendência ainda é uma eleição de dois turnos. Sempre aparecem alguns candidatos novos. Pelo cenário que está posto, podem surgir quatro ou cinco candidaturas. Esses nomes sempre acumulam 2%, 3% ou 4%. A soma disso pode produzir um segundo turno.
Pré-campanha de Jerônimo Rodrigues na Bahia
Jornal Grande Bahia — Com relação à Bahia, o senhor está na base do PT desde os governos de Jaques Wagner, passando por Rui Costa, e agora acompanha o governador Jerônimo Rodrigues, que busca a reeleição. O senhor participou de vários momentos de pré-campanha. Como avalia esse cenário, especialmente com a série de encontros territoriais do Programa de Governo participativo (PGP)?
Daniel Almeida — Vejo a pré-candidatura de Jerônimo em acelerado crescimento.
O PGP tem sido a revelação disso. Há ânimo, lideranças se juntando em cada região, quase uma unanimidade das principais lideranças em cada território e entusiasmo das pessoas.
Há um clima muito favorável, muito positivo. Eu acho que tudo isso é o reconhecimento dessa trajetória de vitórias que começou com Wagner, avançou com Rui Costa e agora tem em Jerônimo uma liderança que transmite mais identidade com as pessoas, com o projeto e com o povo da Bahia.
O jeito dele, o perfil pessoal, a história, a trajetória e os resultados que ele também produziu em todas as áreas fortalecem essa percepção.
Na área da educação, basta olhar o que ele tem feito com as escolas de tempo integral em cada lugar. Na saúde, há ampliação de hospitais e de atendimento.
As prefeituras também têm recebido apoio nessa área. Em muitos lugares há equipamento, carro utilitário, veículo para tratamento fora do domicílio, ambulância e outros instrumentos de suporte.
Na agricultura familiar, a Bahia deu um salto muito grande. E o eleitor baiano está muito no interior.
Então, são muitos elementos que revelam a força de Jerônimo e a energia inesgotável que ele tem. Ele não para. Em todo lugar que chega, há abraço, há sentimento de acolhimento e de recepção.
Eu não tenho dúvida de que, na Bahia, a eleição será definida no primeiro turno, com uma grande vantagem para Jerônimo.
PCdoB, federação e renovação de mandato
Jornal Grande Bahia — O senhor objetiva mais renovação de mandato, em um momento em que o partido perdeu densidade nacional e também enfrenta desafios na Bahia. Como o avalia essa conjuntura? O partido pretende formar federação ou coligação?
Daniel Almeida — O PCdoB está na federação com o PT e o PV, a Federação Brasil da Esperança.
Nós já disputamos a eleição passada nessa federação e continuamos nela para a disputa deste ano.
Estamos em uma fase de estabilidade nacional. Elegemos sete deputados federais e hoje estamos com onze, porque três suplentes assumiram mandatos ao longo dessa trajetória.
É o patamar que sempre tivemos nessas últimas disputas, participando do governo do presidente Lula.
Aqui na Bahia também há estabilidade. Em seis eleições, elegemos dois deputados federais: eu e Alice Portugal. Nós dois vamos concorrer à reeleição.
Em alguns momentos, lançamos um terceiro nome. Foi o caso de Davidson Magalhães. Em outro momento, lançamos Isaac Carvalho, ex-prefeito de Juazeiro. Ele se elegeu, mas teve problema jurídico e não tomou posse.
Agora, vamos apostar novamente em eleger três deputados federais: eu, Alice Portugal e Olívia Santana, que hoje é deputada estadual.
Também pretendemos manter uma bancada de quatro deputados estaduais.
Nomes do PCdoB para a Assembleia Legislativa da Bahia
Jornal Grande Bahia — Quais seriam os nomes do PCdoB para deputado estadual?
Daniel Almeida — Nós temos Bobô, Zó e Fabrício, que já estão com mandato.
Olívia Santana, que é deputada estadual, deve disputar uma vaga federal.
Temos ainda dois nomes bem situados para ocupar essa quarta vaga.
Um é Wenceslau, de Itabuna. Ele já foi vereador, vice-prefeito e candidato a deputado estadual no passado, quando teve uma boa votação, com mais de 30 mil votos. Hoje, ele comanda a economia solidária na Bahia.
Outro nome é o professor Rui Oliveira, que também foi candidato na eleição passada, teve mais de 30 mil votos e agora ampliou sua base política. Ele também tem chance de ocupar essa quarta vaga.
Prefeitos, vereadores e base territorial
Jornal Grande Bahia — Para concluir, os cerca de 380 prefeitos que apoiam o governador Jerônimo Rodrigues ajudam a base na disputa pela reeleição? O senhor também poderia comentar sobre os números de vereadores e prefeitos do PCdoB na Bahia?
Daniel Almeida — Nós temos 15 prefeitos no PCdoB da Bahia e cerca de 150 vereadores.
Também temos muita força no movimento social, sindical, de juventude, no movimento negro, na área rural, nos sindicatos dos trabalhadores rurais e na Fetag.
Temos uma força bem consolidada no estado da Bahia. E os prefeitos são as principais lideranças em cada município.
O eleitor decidiu pela eleição de um prefeito, e os prefeitos normalmente estão bem avaliados porque têm boas parcerias com o governo federal e com o governo estadual.
Isso ajuda muito e vai contar bastante. Engana-se quem acha que prefeito não tem importância.
O eleitor tem na prefeitura e no prefeito uma boa referência, e isso vai contar bastante.
Jornal Grande Bahia — O Jornal Grande Bahia agradece ao deputado Daniel Almeida pela entrevista.
Daniel Almeida — Muito obrigado pela oportunidade.
Daniel Almeida aposta em Lula, Jerônimo e força municipal para sustentar projeto governista em 2026
A segunda parte da entrevista com Daniel Almeida revela a estratégia política da base governista para 2026: associar a disputa nacional à avaliação dos resultados do governo Lula e, na Bahia, defender a continuidade do ciclo iniciado por Jaques Wagner, aprofundado por Rui Costa e conduzido atualmente por Jerônimo Rodrigues. A fala do parlamentar reforça a aposta em interiorização, presença territorial e articulação com prefeitos como fatores decisivos para a eleição estadual.
O ponto central da análise está na combinação entre avaliação administrativa e força municipal. Daniel Almeida reconhece que Lula enfrenta desgaste decorrente da polarização e de ataques acumulados ao longo de sua trajetória, mas sustenta que a comparação entre governos pode favorecer o presidente. Na Bahia, o deputado apresenta leitura mais otimista, ao afirmar que Jerônimo reúne identidade popular, base política ampla e capilaridade suficiente para tentar definir a eleição ainda no primeiro turno.
A entrevista também evidencia o desafio do PCdoB: preservar relevância institucional dentro da Federação Brasil da Esperança e ampliar representação parlamentar em um cenário de concentração partidária. Ao citar nomes para a Câmara Federal e para a Assembleia Legislativa da Bahia, Daniel Almeida mostra que a legenda aposta em mandatos consolidados, lideranças regionais e vínculos com movimentos sociais. A disputa, entretanto, dependerá da capacidade do partido de transformar base histórica em votos efetivos diante de um sistema político cada vez mais competitivo.








Deixe um comentário