Na quinta-feira, 25/06/2026, Cachoeira, no Recôncavo baiano, tornou-se simbolicamente a capital da Bahia durante ato cívico que marcou o início das celebrações do 2 de Julho, data magna do Estado. Pela primeira vez, os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário transferiram conjuntamente suas sedes para o município, em homenagem à participação decisiva da cidade nas lutas pela Independência do Brasil na Bahia, iniciadas em 25 de junho de 1822 e concluídas com a expulsão definitiva das tropas portuguesas em 2 de julho de 1823.
Cachoeira reassume protagonismo histórico nas celebrações da Independência
A transferência simbólica da sede do Governo da Bahia para Cachoeira ocorre há 19 anos e tem como objetivo reconhecer o papel político, militar e popular do município no processo de emancipação nacional. Em 1822, a população cachoeirana iniciou os primeiros confrontos contra as tropas portuguesas, em um movimento que se irradiou pelo Recôncavo e se tornou parte central da luta pela consolidação da Independência do Brasil.
O ato de 2026 ganhou dimensão institucional inédita com a presença simultânea dos três poderes estaduais. A cerimônia reafirmou a importância de Cachoeira como território de memória, resistência e formação política da Bahia, projetando o 25 de Junho como marco preparatório das comemorações do 2 de Julho.
A programação também reforçou a centralidade do Recôncavo na construção da identidade baiana. A região, historicamente vinculada aos conflitos contra o domínio português, permanece como referência cívica para a compreensão do processo de independência que, na Bahia, teve desdobramentos próprios e decisivos após o 7 de Setembro.
Governador Jerônimo Rodrigues destaca continuidade do ato cívico
O governador Jerônimo Rodrigues participou da cerimônia acompanhado do vice-governador Geraldo Júnior e da primeira-dama Tatiana Velloso, que recebeu o título de cidadã cachoeirana. Em declaração durante o evento, o chefe do Executivo estadual afirmou que a presença do Governo em Cachoeira simboliza o início da caminhada pela Independência do Brasil na Bahia.
“É o quarto ano meu no governo e quatro anos aqui simbolizando a transferência do governo, demarcando, portanto, o momento em que a gente começou a caminhada pela Independência do Brasil na Bahia”, afirmou Jerônimo Rodrigues.
A presença do Executivo estadual deu continuidade a uma tradição institucional que transforma Cachoeira, por um dia, em centro político da Bahia. Em 2026, no entanto, o ato ultrapassou o caráter simbólico do governo e passou a representar uma ação conjunta das instituições estaduais em torno da memória histórica.
União dos Três Poderes amplia dimensão institucional da homenagem
Pela primeira vez, a Assembleia Legislativa da Bahia — ALBA e o Tribunal de Justiça da Bahia — TJBA também transferiram simbolicamente suas sedes para Cachoeira. A iniciativa conferiu caráter inédito à celebração e aproximou Executivo, Legislativo e Judiciário em uma agenda comum de valorização da história baiana.
A presidente da ALBA, Ivana Bastos, ressaltou o significado da integração institucional. Segundo ela, a Assembleia se uniu ao Tribunal de Justiça e ao Governo do Estado para reverenciar “a força do Recôncavo” e a importância do povo cachoeirano na formação histórica da Bahia.
O presidente do TJBA, José Rotondano, afirmou que a iniciativa também atende ao propósito de aproximar o Judiciário da população. Ele declarou que propôs à presidente da Assembleia Legislativa a união dos poderes em Cachoeira, em reverência à história do município e ao papel da cidade na luta pela Independência.
Cultura, educação e memória pública ganham centralidade na agenda
O secretário estadual da Cultura, Bruno Monteiro, destacou que as comemorações da Independência vêm ganhando maior visibilidade no sistema educacional e nas políticas culturais da Bahia. Segundo ele, a ampliação das ações ocorre especialmente por meio do programa Rotas da Independência, desenvolvido em parceria com a Secretaria da Educação.
O programa contempla cidades associadas aos acontecimentos históricos da Independência do Brasil na Bahia, com atividades festivas, cívicas e pedagógicas. Para o gestor, o envolvimento crescente do Poder Judiciário, do Ministério Público, da Assembleia Legislativa e de outras instituições revela a importância cada vez maior do tema para a história da Bahia e do Brasil.
O mestre em História pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia — UFRB, Fábio Batista Pereira, reforçou que o 25 de Junho é uma data marcante para Cachoeira, São Félix e todo o Recôncavo. Ele lembrou que Cachoeira rompeu com Portugal ao aclamar o príncipe regente, gesto que inseriu o município no centro da mobilização política contra a dominação portuguesa.
Sessão solene encerra ato com placa dos Três Poderes
A cerimônia foi realizada no anexo da Câmara de Vereadores de Cachoeira, espaço montado para receber a sessão solene. Ao fim do evento, foi descerrada a placa de transferência dos Três Poderes, símbolo da integração institucional inédita registrada em 2026.
O encerramento contou com a execução do hino de Cachoeira, em homenagem à cidade que teve papel ativo no processo de expulsão definitiva das tropas portuguesas em 1823. O gesto reforçou a conexão entre memória local, identidade regional e institucionalidade estadual.
A solenidade consolidou Cachoeira como um dos principais centros simbólicos das celebrações da Independência da Bahia. Ao reunir autoridades estaduais, representantes institucionais e referências acadêmicas, o ato buscou transformar a memória histórica em política pública de valorização cultural, educação patrimonial e preservação cívica.









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