Mulheres da comunidade rural de Acarás, no município de Ibirapitanga, no Baixo Sul da Bahia, passaram a ampliar a renda familiar e a fortalecer a economia local por meio da agroindustrialização da mandioca, com a produção de biscoitos, bolos e pães elaborados a partir de matérias-primas cultivadas na própria comunidade. A iniciativa é conduzida por integrantes da Associação dos Pequenos Produtores e Moradores de Acarás e beneficia, direta e indiretamente, mais de 50 famílias associadas.
A estruturação da agroindústria familiar modificou a rotina produtiva da comunidade de Acarás. Antes marcada por limitações de equipamentos e baixa capacidade de processamento, a produção passou a contar com melhores condições de trabalho, maior eficiência e possibilidade de ampliação das vendas.
O empreendimento é voltado ao beneficiamento da mandioca e à fabricação de alimentos derivados, como biscoitos, bolos e pães. A utilização de matérias-primas cultivadas localmente reforça a integração entre produção agrícola, processamento artesanal organizado e comercialização regional.
Segundo as informações fornecidas, o crescimento da unidade foi impulsionado por apoio do Governo do Estado da Bahia, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).
Mulheres assumem protagonismo na produção e na renda
À frente da iniciativa está um grupo de mulheres da própria comunidade, que encontrou na agroindústria uma alternativa de trabalho e permanência no território. A produção passou a representar fonte de renda para famílias associadas e instrumento de fortalecimento da autonomia econômica feminina.
A coordenadora do Grupo de Mulheres de Acarás, Suilan Sousa de Oliveira, afirma que a ausência de equipamentos limitava o trabalho antes da estruturação da unidade.
“Antes, enfrentávamos muitas dificuldades para produzir porque não tínhamos os equipamentos necessários. Com o apoio recebido, conseguimos estruturar nossa agroindústria e ampliar a produção. Hoje, as mulheres da comunidade têm uma fonte de renda e não precisam sair daqui em busca de trabalho. Temos orgulho de ver nosso empreendimento crescendo a cada dia”, declarou.
A fala evidencia um dos efeitos centrais do projeto: a possibilidade de geração de renda no próprio meio rural, reduzindo a necessidade de deslocamento em busca de ocupação em outras localidades.
Apoio técnico amplia gestão e comercialização
Além da estrutura física e dos equipamentos, a associação passou a contar com uma agente de negócios, contratada por meio de edital da CAR voltado ao fortalecimento da gestão e da comercialização de empreendimentos da agricultura familiar.
A atuação técnica teve impacto na apresentação dos produtos e na capacidade de acesso ao mercado. De acordo com a agente de negócios da associação, Sanya de Assis, foram realizadas melhorias na identidade dos produtos, nas embalagens e na adequação das informações comerciais.
“Trabalhamos no fortalecimento da identidade dos produtos, com novas embalagens, rotulagem adequada, tabela nutricional e inserção de código de barras. Essas ações permitiram ampliar nossa presença no mercado e já resultaram em um aumento de cerca de 70% nas vendas”, afirmou.
O dado informado, de crescimento de cerca de 70% nas vendas, indica que a adequação da apresentação comercial dos produtos teve efeito direto sobre a competitividade da produção local.
Produtos chegam a mercados de Ibirapitanga, Itamarati e Camamu
As melhorias implementadas permitiram ampliar os canais de comercialização da associação. Com nova identidade visual e rotulagem adequada, os produtos passaram a ser fornecidos para mercados da sede de Ibirapitanga, do distrito de Itamarati e do distrito de Travessão, em Camamu.
A produção também é comercializada na Feira da Agricultura Familiar de Ibirapitanga, espaço de venda direta que aproxima produtores e consumidores e contribui para a circulação de renda dentro do próprio território.
A expansão dos pontos de venda representa um avanço relevante para empreendimentos comunitários, pois reduz a dependência de canais informais e permite maior regularidade na comercialização.
Associação vê políticas públicas como fator decisivo
Para o presidente da Associação dos Pequenos Produtores e Moradores de Acarás, Antônio Gama, o acesso às políticas públicas foi determinante para o fortalecimento da iniciativa e para a melhoria das condições de vida das famílias envolvidas.
“O apoio recebido por meio das ações do Governo do Estado tem contribuído para gerar trabalho, renda e desenvolvimento para as famílias. Hoje, a nossa associação é referência no município, gerando renda para as mulheres que trabalham na agroindústria”, afirmou.
A declaração reforça a percepção da associação de que a combinação entre estrutura produtiva, apoio à gestão e acesso a mercados é essencial para a sustentabilidade econômica da agroindústria familiar.
Agricultura familiar e permanência no campo
A experiência da comunidade de Acarás se insere em um contexto mais amplo de fortalecimento da agricultura familiar no interior da Bahia. Ao agregar valor à mandioca, a agroindústria transforma uma cultura tradicional em produtos com maior potencial de venda e circulação regional.
Esse processo tem impacto econômico e social. Além de melhorar a renda, amplia o protagonismo das mulheres, fortalece a organização comunitária e contribui para manter famílias no campo com atividades produtivas vinculadas ao território.
A agroindustrialização também ajuda a reduzir perdas, diversificar produtos e criar uma marca coletiva associada à comunidade rural, desde que sejam mantidas condições adequadas de gestão, qualidade, regularidade produtiva e acesso a compradores.









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