O governador Jerônimo Rodrigues acompanhou, na quinta-feira, 11/06/2026, a movimentação no canteiro de obras de São Roque do Paraguaçu, em Maragogipe, uma das bases operacionais da Ponte Salvador-Itaparica, empreendimento considerado estratégico para a infraestrutura da Bahia e para a integração econômica entre Salvador, Ilha de Itaparica, Recôncavo, Baixo Sul e litoral sul do estado. A visita técnica ocorreu em meio à chegada de equipamentos, estruturas metálicas e componentes destinados às etapas iniciais da construção, em uma fase marcada pela montagem da estrutura logística que dará suporte à execução da ponte sobre a Baía de Todos-os-Santos.
Canteiro de São Roque do Paraguaçu concentra etapa logística da obra
Durante a visita, Jerônimo Rodrigues percorreu a área operacional do canteiro, conheceu estruturas de apoio e acompanhou o trabalho de guindastes responsáveis pela movimentação de peças recentemente recebidas na Bahia. Em maio, mais de 800 toneladas de equipamentos e componentes vindos da China desembarcaram no Porto de Salvador e passaram a ser distribuídas entre os canteiros de São Roque do Paraguaçu e Vera Cruz.
Ao todo, a estruturação dos canteiros deve envolver cerca de 10 mil toneladas de equipamentos, incluindo componentes importados e materiais adquiridos junto a empresas brasileiras. A mobilização demonstra a transição do projeto para uma etapa de maior presença física nos territórios envolvidos, com instalação de maquinário, organização de áreas de apoio e preparação das frentes operacionais.
O canteiro de São Roque do Paraguaçu ocupa área estimada em 400 mil metros quadrados e é apontado como o principal polo industrial e logístico desta fase da obra. No local estão concentrados equipamentos pesados, estruturas metálicas, tubos de aço, perfis metálicos, cantoneiras, painéis de vigas Bailey e dois guindastes com capacidade para movimentar até 60 toneladas.
Governador afirma que obra entra em fase concreta
Durante a agenda, Jerônimo Rodrigues afirmou que acompanha diretamente o andamento do empreendimento e associou o avanço da mobilização à chegada das peças e à operação dos guindastes. Segundo o governador, a obra resulta de uma parceria com o consórcio chinês e conta com apoio do governo federal.
“Eu boto o pé na obra e acompanho todo esse processo. As peças chegaram, os guindastes já estão trabalhando e estamos mostrando ao povo baiano que este é um projeto concreto, fruto de uma parceria firme com o consórcio chinês e com o apoio do presidente Lula”, declarou.
O governador também afirmou que a expectativa é de avanço progressivo com três canteiros em operação. De acordo com ele, a ampliação das frentes de trabalho deverá contribuir para a geração de empregos e oportunidades na Bahia, especialmente nos municípios diretamente conectados à obra.
Estrutura operacional envolve Salvador, Vera Cruz e Maragogipe
Além de São Roque do Paraguaçu, o Sistema Rodoviário Salvador-Itaparica conta com canteiros em Salvador e Vera Cruz. A unidade da capital terá função administrativa e será utilizada como centro de produção de materiais. Já a estrutura instalada na Ilha de Itaparica será voltada às atividades executadas naquela região, com sistema modular e menor impacto ambiental.
A organização em múltiplas bases busca dar suporte às diferentes etapas da obra, que combina atividades em terra e no mar. Essa configuração é relevante porque a construção da ponte exige logística complexa, transporte permanente de equipamentos, áreas de pré-fabricação, plataformas temporárias e integração entre frentes terrestres e marítimas.
Segundo Francisco Miguel, gerente geral do consórcio contratado pela Concessionária Ponte Salvador-Itaparica, as plataformas temporárias terão papel essencial na construção da ponte principal. Ele afirmou que essas estruturas permitirão trabalho mais seguro e eficiente, com transporte contínuo de equipamentos entre terra e mar, além de menor dependência de embarcações durante a execução da obra.
Plataformas temporárias devem reduzir impacto operacional de clima adverso
De acordo com Francisco Miguel, as plataformas temporárias também devem ampliar a estabilidade das atividades em períodos de condições climáticas adversas. A avaliação técnica é que a redução da dependência de embarcações pode permitir maior continuidade operacional, fator importante em uma obra de grande porte executada sobre lâmina d’água.
A construção de uma ponte sobre a Baía de Todos-os-Santos impõe desafios de engenharia, logística, segurança operacional e planejamento ambiental. A presença de canteiros articulados entre Salvador, Vera Cruz e Maragogipe indica que a execução dependerá de sincronização permanente entre fornecedores, concessionária, consórcio, governo estadual e órgãos responsáveis pelo acompanhamento institucional.
A etapa atual, portanto, não se limita à chegada de equipamentos. Ela representa a montagem da base física e operacional que deverá sustentar as fases seguintes da construção, incluindo fundações, pré-fabricação, transporte de estruturas e instalação de componentes no trecho principal.
Obra já movimenta mercado de trabalho na Bahia
A mobilização da Ponte Salvador-Itaparica também começa a produzir efeitos no mercado de trabalho. O SineBahia está disponibilizando vagas para funções ligadas ao empreendimento, entre elas mestre de cravação de estaca, encarregado de manobra marítima, operador de martelo de cravação de estacas offshore e operador de guincho estático.
Segundo o secretário extraordinário do Sistema Viário Oeste Ponte Salvador-Itaparica, Mateus Dias, a obra segue o cronograma previsto e a população deverá perceber, em breve, o avanço das atividades na Baía de Todos-os-Santos. Ele informou que, nesta fase, já foram gerados cerca de 200 empregos.
O titular da pasta afirmou ainda que, no pico da construção, o canteiro de São Roque do Paraguaçu poderá reunir aproximadamente 700 trabalhadores. A projeção reforça a dimensão econômica do empreendimento, tanto pela contratação direta quanto pela demanda indireta por serviços, transporte, alimentação, fornecimento de materiais e apoio logístico.
Sistema Rodoviário Salvador-Itaparica terá ponte, acessos e duplicações
A Ponte Salvador-Itaparica terá 12,4 quilômetros de extensão sobre a Baía de Todos-os-Santos e é apresentada como a maior da América Latina sobre lâmina d’água. O equipamento integra o Sistema Rodoviário Salvador-Itaparica, que inclui novos acessos viários em Salvador e Vera Cruz.
O projeto também prevê uma via expressa de 22 quilômetros na Ilha de Itaparica e a duplicação de oito quilômetros da BA-001, no trecho entre Tairu e a Ponte do Funil. O conjunto das intervenções busca reorganizar a ligação entre Salvador, Ilha de Itaparica, Recôncavo, Baixo Sul e litoral sul baiano.
A expectativa do governo estadual é que a nova conexão reduza distâncias, amplie a integração regional e fortaleça a circulação de pessoas, mercadorias e serviços. Para municípios historicamente dependentes de rotas mais longas ou de travessias marítimas, o sistema pode alterar padrões de mobilidade, logística, turismo, comércio e ocupação territorial.
Integração regional é principal aposta do empreendimento
A Ponte Salvador-Itaparica é tratada pelo governo estadual como uma obra de transformação logística. A ligação direta entre Salvador e a Ilha de Itaparica tende a modificar o papel econômico de municípios do entorno da Baía de Todos-os-Santos e pode ampliar a pressão por planejamento urbano, ordenamento territorial, saneamento, mobilidade e preservação ambiental.
O impacto esperado não se restringe à construção civil. A obra tem potencial para influenciar cadeias produtivas associadas ao turismo, ao transporte de cargas, ao comércio regional, à valorização imobiliária e à prestação de serviços. Esses efeitos, contudo, dependerão da capacidade de coordenação entre Estado, municípios e setor privado.
Por sua escala, o empreendimento também exige acompanhamento público rigoroso. A magnitude técnica, financeira e territorial da Ponte Salvador-Itaparica demanda transparência sobre cronograma, licenciamento, execução contratual, mitigação ambiental, geração de empregos e impactos sociais nas comunidades afetadas.









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