Quem é João Vianey: engenheiro civil assume protagonismo na infraestrutura de Feira de Santana

O engenheiro civil João Vianey Marval Silva, conhecido como João Vianey, consolidou trajetória técnica ligada à infraestrutura urbana e rodoviária antes de assumir posição de destaque na gestão municipal de Feira de Santana, onde passou a comandar a Superintendência de Operações e Manutenção (SOMA) em 2021 e, em 2026, aparece como titular do órgão no momento em que a Câmara Municipal aprovou projeto do Executivo para elevar a estrutura à condição de Secretaria Municipal de Infraestrutura. A mudança amplia o peso administrativo de uma área estratégica para pavimentação, drenagem, manutenção viária, estradas vicinais, praças, lagoas urbanas e obras de mobilidade no município.

Formação técnica e início da carreira

João Vianey Marval Silva é engenheiro civil formado pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) em 2008 e pós-graduado em Pavimentação Rodoviária pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), formação que orientou sua atuação profissional em obras de infraestrutura, mobilidade e conservação viária.

Após a graduação, atuou entre 2008 e 2010 na supervisão de obras de recuperação de rodovias da malha estadual, período em que passou a lidar diretamente com serviços de recomposição de pavimento, conservação de trechos rodoviários e acompanhamento técnico de intervenções em vias públicas.

Entre 2010 e 2015, integrou a gestão da infraestrutura da concessão das rodovias BR-324 e BR-116, dois dos principais corredores logísticos da Bahia. A BR-324 conecta Salvador a Feira de Santana, enquanto a BR-116 exerce papel de eixo nacional de integração entre o Nordeste, o Sudeste e o Sul do país, o que confere à experiência acumulada por Vianey uma dimensão técnica vinculada ao transporte de pessoas, mercadorias e serviços essenciais.

Atuação no BRT e presença em obras de mobilidade urbana

A experiência de João Vianey na infraestrutura municipal ganhou projeção com sua atuação na supervisão de obras do Bus Rapid Transit (BRT) de Feira de Santana, entre 2015 e 2020. O sistema de mobilidade urbana, marcado por intervenções viárias, túneis, corredores e ajustes no trânsito, tornou-se uma das principais obras públicas da cidade naquele período.

Em 2017, o Jornal Grande Bahia registrou a participação de João Vianey como engenheiro responsável pelas obras dos túneis construídos pela administração municipal. Na ocasião, ao comentar falhas em placas de acabamento do túnel da Avenida Maria Quitéria, ele explicou que os elementos deslocados não tinham função estrutural, mas estética, e que o sistema de travamento não oferecia risco à estrutura nem aos usuários.

Esse episódio revelou uma característica central de sua atuação pública: a comunicação técnica em situações de cobrança social. Em obras urbanas complexas, especialmente aquelas que alteram o cotidiano do trânsito, o gestor técnico precisa explicar riscos, prazos, reparos e impactos com clareza. No caso do túnel da Avenida Maria Quitéria, a resposta pública buscou separar falha de acabamento de risco estrutural, distinção essencial em engenharia civil.

Entrada no primeiro escalão operacional da Prefeitura

Em 7 de janeiro de 2021, João Vianey foi nomeado pelo então prefeito Colbert Martins Filho para comandar a Superintendência Municipal de Manutenção e Operações, substituindo José Pinheiro. A nomeação foi publicada no Diário Oficial Eletrônico do Município, segundo registro do Jornal Grande Bahia.

À época, Vianey afirmou que havia sido convidado após atuar na coordenação do gerenciamento das obras do BRT e que sua missão inicial seria compreender a estrutura disponível, avaliar recursos e definir prioridades para manutenção urbana e rural. Ele descreveu a superintendência como responsável por serviços de manutenção urbana, estradas, limpeza de aguadas, microdrenagem, recomposição de meio-fio e operações tapa-buraco.

Na mesma entrevista, o engenheiro ressaltou que o pavimento urbano possui vida útil limitada e que o período chuvoso agrava a deterioração das vias por causa da infiltração de água. A declaração sintetiza uma visão técnica recorrente em sua trajetória: infraestrutura não se resume à execução de obras novas, mas exige manutenção permanente, planejamento preventivo e capacidade operacional para reduzir impactos sobre a população. (

Gestão da SOMA e rotina de obras públicas

À frente da SOMA, João Vianey passou a aparecer em agendas relacionadas a pavimentação, drenagem, manutenção de ruas, recuperação de lagoas, revitalização de espaços públicos e acompanhamento de intervenções urbanas. Em 2022, por exemplo, o Jornal Grande Bahia registrou sua explicação sobre a aplicação de pavimento em concreto na Avenida Tomé de Souza, com construção de passagens molhadas para melhorar o escoamento das águas pluviais e preservar a estrutura do piso.

Em 2025, no início do quinto mandato do prefeito José Ronaldo de Carvalho, João Vianey foi mantido entre os nomes indicados para compor a estrutura de governo, novamente como superintendente de Operações e Manutenção. O Jornal Grande Bahia o incluiu na lista dos primeiros nomeados pelo Executivo municipal.

No mesmo ano, ele acompanhou o prefeito em visita técnica à Avenida Artêmia Pires, quando foram avaliadas condições para a duplicação total da via. Segundo o registro do Jornal Grande Bahia, a inspeção indicou que cerca de 90% a 92% da extensão apresentava condições para receber pista dupla, enquanto aproximadamente 8% exigia análise técnica adicional.

Lagoas, drenagem e requalificação urbana

Nos últimos anos, a atuação de João Vianey também passou a se relacionar com intervenções em áreas ambientais urbanas, especialmente lagoas e canais de drenagem. Em 2025, decreto municipal publicado no Diário Oficial citou João Vianey como superintendente de Operações e Manutenção da SOMA, em contexto de organização de comissões técnicas de fiscalização para obras de construção e reforma no município.

Em 2026, ele atuou na urbanização da Lagoa do Papagaio, intervenção que prevê drenagem, limpeza, regularização de terreno, pavimentação, calçadas, ciclovias, barreiras de proteção e equipamentos de lazer. Segundo reportagens, Vianey afirmou que a rede de drenagem já executada atendia áreas críticas, como a Rua dos Franceses e a Fagundes Filho.

O Jornal Grande Bahia também passou a reunir publicações recentes sob a tag João Vianey, com registros sobre requalificação da Lagoa do Papagaio, estudos para revitalização da Lagoa da Pindoba, pavimentação, iluminação e intervenções em bairros e distritos. Esse conjunto de publicações indica que sua atuação pública está associada, sobretudo, à infraestrutura de proximidade: ruas, drenagem, praças, lagoas, mobilidade e manutenção cotidiana da cidade.

Da SOMA à Secretaria Municipal de Infraestrutura

A mudança institucional mais relevante para o perfil público de João Vianey ocorreu em 2 de junho de 2026, quando a Câmara Municipal de Feira de Santana aprovou, em segunda votação, o projeto encaminhado pelo Executivo para elevar a SOMA à condição de Secretaria Municipal de Infraestrutura. A próxima etapa indicada pela Prefeitura é a sanção do projeto pelo prefeito José Ronaldo e a publicação no Diário Oficial do Município.

Segundo a Prefeitura, a nova secretaria deverá ter orçamento próprio e assumir atribuições já exercidas pela SOMA, como pavimentação, manutenção de ruas e avenidas, recuperação do pavimento, patrolamento de estradas vicinais, drenagem e revitalização de praças. A elevação do órgão foi apresentada como antigo desejo do prefeito José Ronaldo, sob o argumento de que Feira de Santana necessita de estrutura mais robusta para enfrentar problemas de infraestrutura na sede e nos distritos.

O próprio comunicado da PMFS registra que a titularidade da SOMA é exercida pelo engenheiro João Vianey. A alteração administrativa, portanto, projeta seu nome para um patamar superior na estrutura municipal, embora a efetiva configuração da nova secretaria dependa da sanção, da publicação oficial e da regulamentação administrativa subsequente.

Perfil profissional

O perfil de João Vianey é marcado por uma trajetória essencialmente técnica. Diferentemente de gestores que chegam à infraestrutura por trajetória política, ele construiu carreira em áreas diretamente relacionadas à engenharia civil, à pavimentação rodoviária, à mobilidade urbana e à manutenção viária.

Sua formação em engenharia pela UEFS, a pós-graduação em pavimentação pela UFBA e a experiência em rodovias estaduais, concessões federais, BRT e manutenção municipal formam uma linha profissional coerente. O eixo dessa trajetória é a infraestrutura como campo de execução prática, em que decisões de projeto, drenagem, conservação e fiscalização têm impacto direto na circulação urbana e na qualidade de vida.

Em Feira de Santana, essa trajetória se conecta a um desafio histórico: uma cidade em expansão territorial, com crescimento urbano acelerado, forte fluxo de veículos, pressão sobre vias estruturantes, demandas reprimidas de pavimentação em bairros e distritos, além de problemas recorrentes de drenagem em períodos chuvosos.

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