O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, negou, nesta quinta-feira (18/06/2026), qualquer irregularidade envolvendo valores em moeda estrangeira apreendidos pela Polícia Federal, um apartamento em construção no Horto Florestal, em Salvador, e supostas relações políticas com executivos ligados ao Banco Master, durante entrevista concedida à BandNews TV/Band Bahia após ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar afirmou que sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro foi “praticamente zero”, declarou que mantém sua pré-candidatura ao Senado pela Bahia e disse ter recebido telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo ele, manifestou solidariedade e confiança.
Wagner atribui valores apreendidos a diárias oficiais e compra de moeda para viagens
Questionado sobre a apreensão de 55 mil dólares e 33 mil euros em endereços ligados a ele, Jaques Wagner afirmou que os recursos teriam origem em diárias recebidas em viagens internacionais pelo Senado Federal e em compras de moeda estrangeira feitas por ele próprio, por meio de instituição bancária, para deslocamentos ao exterior.
Segundo o senador, desde 2019 ele teria recebido cerca de 70 mil dólares em diárias internacionais. Wagner declarou que parte desses valores foi mantida em espécie porque, em algumas viagens, optou por utilizar cartão de crédito, sem consumir integralmente a moeda recebida. Ele sustentou que os recursos estariam “escriturados” e vinculados à atividade parlamentar.
O líder governista negou ter recebido dinheiro do Banco Master, de Daniel Vorcaro ou de Augusto Lima, empresário citado na investigação. “Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master ou do Augusto Lima”, afirmou, ao responder à pergunta sobre a origem dos valores encontrados.
Apartamento no Horto Florestal é citado na entrevista
Outro ponto abordado foi a menção, no contexto da investigação, a um apartamento em construção no bairro do Horto Florestal, área nobre de Salvador. Wagner afirmou que não houve transferência patrimonial em seu favor e disse que o episódio estaria relacionado a uma intenção de ajudar a filha na aquisição de um imóvel.
De acordo com o senador, o apartamento ainda não estava pronto e dependeria de venda de patrimônio familiar ou financiamento para que a compra fosse efetivada. Ele afirmou que Augusto Lima, descrito por ele como investidor, teria mencionado a possibilidade de recomprar o imóvel posteriormente, mas negou que a situação configurasse benefício patrimonial indevido.
Wagner insistiu que não possui negócios com o Banco Master nem com o Credcesta. Segundo ele, a origem da relação remonta ao processo de privatização da rede estadual Cesta do Povo, durante seu governo na Bahia, operação que teria incluído o cartão associado à rede.
Relação com Daniel Vorcaro é descrita como “praticamente zero”
Ao ser perguntado sobre a relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Jaques Wagner afirmou que esteve com o banqueiro apenas duas vezes. A primeira, segundo ele, ocorreu quando Vorcaro se apresentou como sócio de Augusto Lima em negócios relacionados ao Credcesta. A segunda teria ocorrido quando Wagner apresentou o ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski para uma possível atuação jurídica junto ao banco.
O senador disse que a aproximação não foi iniciativa sua, mas decorrente de pedido de Augusto Lima, que buscava, segundo Wagner, reforçar a estrutura jurídica da instituição financeira. O parlamentar afirmou ainda que o Banco Master surgiu posteriormente na relação comercial de Augusto Lima, quando este buscou uma instituição financeira capaz de prover fluxo de caixa para operações de crédito.
Wagner também negou ter apresentado o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega a executivos do Banco Master. Segundo ele, a única indicação feita foi a de Lewandowski, e não diretamente a Daniel Vorcaro, mas a pedido de Augusto Lima.
Senador nega intermediação de conversa entre Lula e Daniel Vorcaro
Na entrevista, Wagner também foi questionado sobre eventual intermediação de conversas entre o presidente Lula e Daniel Vorcaro fora da agenda oficial. O senador negou ter participado ou organizado qualquer encontro dessa natureza.
Segundo ele, não houve intermediação sua em relação a Vorcaro, Mantega ou qualquer reunião envolvendo o presidente da República. Wagner reafirmou que sua relação direta com o banqueiro foi limitada aos dois encontros já mencionados.
A declaração busca responder a um dos pontos politicamente mais sensíveis do caso: a possibilidade de a investigação alcançar interlocuções no entorno do Palácio do Planalto. Wagner procurou separar sua atuação parlamentar e institucional de qualquer relação operacional com executivos do Banco Master.
Liderança do governo no Senado permanece sob decisão de Lula
Jaques Wagner afirmou que continuará na liderança do governo no Senado enquanto essa for a decisão do presidente Lula. O parlamentar disse ter conversado com o chefe do Executivo nesta quinta-feira e afirmou que o presidente não mencionou a possibilidade de substituí-lo no cargo.
Segundo Wagner, Lula telefonou para manifestar solidariedade e confiança. O senador afirmou que ambos se conhecem há 48 anos e que o presidente teria interpretado a operação como uma tentativa de desestabilização política.
Apesar disso, Wagner reconheceu que a função de líder do governo pertence ao presidente da República. Ele disse que deixaria o posto “com tranquilidade” caso Lula entendesse que a permanência já não seria conveniente.
Pré-candidatura ao Senado é mantida
O senador também afirmou que sua pré-candidatura ao Senado em 2026 está mantida. Wagner declarou que está seguro de sua trajetória pessoal e patrimonial, sustentando que possui apenas CPF, não tem empresas e mantém patrimônio declarado à Receita Federal.
Ele comparou o momento atual a episódio ocorrido em 2018, quando também foi alvo de busca e apreensão no contexto de investigação relacionada à Arena Fonte Nova. Wagner lembrou que, naquele ano, manteve a candidatura e foi eleito senador pela Bahia.
O parlamentar disse esperar disputar novamente o Senado ao lado de lideranças do grupo governista baiano, mencionando o governador Jerônimo Rodrigues e o ministro Rui Costa como integrantes do campo político ao qual pertence.
Cautelares e restrição de comunicação
A entrevista também abordou medidas cautelares determinadas no âmbito da decisão judicial. Wagner foi perguntado sobre restrições de comunicação envolvendo, entre outros nomes, Eduardo Sodré, secretário estadual do Meio Ambiente da Bahia, e Boni Bonilha, pessoas com vínculos familiares citadas no contexto da investigação.
O senador afirmou que, conforme sua interpretação e a de seus advogados, a decisão teria preservado a comunicação familiar, vedando apenas conversas sobre o caso investigado. Ele disse que a esposa, Fátima Mendonça, não foi alvo de apreensão de celular, ao contrário dele, que teve dois aparelhos recolhidos.
Ao tratar da atuação da Polícia Federal, Wagner afirmou que recebeu os agentes em casa, mas classificou como desconfortável a diligência realizada por volta das 6 horas da manhã. Ainda assim, declarou que não faria reparos à decisão do ministro André Mendonça e que cumpriria as determinações da Justiça.
CPI do Banco Master e Fundo Garantidor de Crédito entram no debate
Durante a entrevista, Wagner afirmou ter assinado pedido de instalação de uma CPI do Banco Master, embora tenha ponderado que as investigações já teriam avançado de forma significativa. O senador disse que apoiou a iniciativa para não deixar dúvidas sobre sua disposição em esclarecer os fatos.
Outro tema abordado foi o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A pergunta citou mensagens atribuídas a Augusto Lima e uma possível tentativa de apoio a pautas que poderiam beneficiar o Banco Master, incluindo discussão sobre ampliação de garantias. Wagner afirmou que o governo foi contra a ampliação do FGC e que, como líder governista, encaminhou voto contrário à medida.
O senador também comentou sua relação com Ciro Nogueira, apontado na entrevista como parlamentar vinculado ao debate sobre emendas relacionadas ao tema. Wagner classificou a relação como institucional e afirmou que dialoga com senadores de diferentes campos políticos, inclusive da oposição, por dever de articulação parlamentar.
Privatização da Cesta do Povo é usada por Wagner para explicar relação com Augusto Lima
Wagner voltou várias vezes ao processo de privatização da rede Cesta do Povo, realizado durante seu governo na Bahia, para explicar a origem de sua relação com Augusto Lima. Segundo ele, a rede estatal era um passivo administrativo herdado de gestões anteriores e foi levada a leilão sem interessados.
O senador afirmou que, após duas tentativas frustradas na Bolsa de São Paulo, o governo baiano realizou chamada pública. Nesse contexto, Augusto Lima teria surgido acompanhado de um grupo estrangeiro interessado na aquisição da rede e do cartão vinculado à operação.
Para Wagner, a frase atribuída a Augusto Lima — “você, mais do que ninguém, sabe de minha história e faz parte disso” — deveria ser interpretada como referência ao conhecimento prévio sobre a trajetória empresarial do investidor, e não como indicação de vínculo ilícito.
Entrevista ocorre em momento de pressão política sobre o governo
A entrevista de Jaques Wagner ocorreu em um momento de forte repercussão política da Operação Compliance Zero. Como líder do governo Lula no Senado e uma das principais lideranças do PT na Bahia, o senador ocupa posição estratégica tanto na articulação legislativa nacional quanto na composição eleitoral do grupo governista no estado.
A investigação sobre o Banco Master já vinha produzindo reflexos no sistema político, no mercado financeiro e no debate sobre relações entre agentes públicos, instituições financeiras e interesses privados. A inclusão de Wagner entre os alvos da nova fase ampliou o alcance institucional do caso e elevou a pressão sobre o governo federal.
Ao conceder entrevista no mesmo dia da operação, Wagner buscou fixar uma narrativa de defesa baseada em três eixos: origem lícita dos valores apreendidos, ausência de relação operacional com Daniel Vorcaro e manutenção de confiança política por parte de Lula.
As principais declarações do senador Jaques Wagner
1. Valores apreendidos e origem do dinheiro
“Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master ou do Augusto Lima.”
“Não tenho nenhuma coisa para esconder.”
“Esse dinheiro está escriturado, porque foi recebido como diária do Senado da República.”
“Parte desse dinheiro veio de diárias e outra parte eu próprio comprei quando ia viajar.”
2. Patrimônio e apartamento no Horto Florestal
“Não tem nenhuma transferência de patrimônio para mim.”
“Eu tinha interesse em ajudar minha filha a comprar um apartamento.”
“Eu teria que vender o apartamento da minha filha para complementar e pagar o imóvel, ou ela financiar.”
“Eu não tenho, vou repetir, nenhum negócio com o Master ou com o Credcesta.”
3. Relação com Banco Master, Daniel Vorcaro e Augusto Lima
“A relação com Daniel Vorcaro é praticamente zero.”
“Eu nunca tive maiores entendimentos com Daniel Vorcaro.”
“Estive com Daniel apenas duas vezes.”
“Nunca apresentei Guido Mantega ao pessoal do Banco Master.”
“A única vez que fiz uma indicação foi a pedido de Augusto Lima, para a área jurídica do banco.”
4. Credcesta e privatização da Cesta do Povo
“Nós privatizamos a rede de supermercado Cesta do Povo, e essa rede levou junto o cartão.”
“Não existia nem Banco Máxima, nem Banco Master, nem Daniel Vorcaro.”
“Nós privatizamos uma rede de supermercado estatal que era um absurdo.”
“Depois da compra, Augusto Lima procurou um banco que pudesse dar fluxo de caixa para os empréstimos.”
5. Liderança do governo Lula no Senado
“Continuo na liderança até que o presidente Lula peça para eu me retirar.”
“O cargo de líder do governo é do presidente da República.”
“Falei com ele hoje, e ele sequer tocou nesse tema.”
“Não acho que ele vá mexer na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim.”
6. Apoio de Lula e dimensão política da operação
“O presidente Lula ligou para mim para se solidarizar e dizer que mantém absoluta confiança.”
“A gente se conhece há 48 anos.”
“Ele só ligou para dizer: fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você.”
“Do meu ponto de vista, até agora, o que tenho do presidente Lula é solidariedade.”
7. Pré-candidatura ao Senado
“Minha candidatura está absolutamente mantida.”
“Estou muito seguro de tudo que fiz e da minha vida pessoal.”
“Eu não tenho CNPJ, eu só tenho CPF.”
“Não tenho por que retirar minha candidatura.”
“Sou candidato a senador e espero ser reeleito senador pela Bahia.”
8. Investigação, STF e Polícia Federal
“Até agora eu não sou réu, não sou culpado, não sou nada.”
“Por enquanto, é uma mera investigação.”
“Não tenho nenhum reparo a fazer à decisão do ministro André Mendonça.”
“A Polícia Federal entendeu que era para fazer isso, e a decisão da Justiça se cumpre.”
“Recebi a Polícia Federal na minha casa.”
9. Medidas cautelares e comunicação familiar
“Pelo que entendi, a relação familiar está preservada.”
“A decisão excetuou Eduardo e Boni por conta da relação de família.”
“Evidentemente, não deve haver relação sobre o caso especificamente.”
“Fátima não tem nada a ver com isso; o celular dela não foi apreendido.”
10. CPI do Banco Master
“Eu assinei a CPI do Banco Master.”
“Fiz questão de assinar para não parecer que eu tivesse qualquer preocupação em relação a essa CPI.”
“Não sei o que a CPI do Banco Master poderia acrescentar, porque as investigações já foram longe.”
“Se ela for instalada, depende do Congresso e do Senado.”
11. Fundo Garantidor de Crédito — FGC
“O governo foi contra o aumento do FGC.”
“Eu, como líder do governo, encaminhei contra essa emenda.”
“Qualquer senador é procurado por interessados na votação de uma matéria.”
“O fato de alguém mandar uma emenda tentando convencer o senador a votar não significa problema.”
12. Relação com Ciro Nogueira e demais senadores
“Minha relação com Ciro Nogueira é institucional.”
“Eu me relaciono com todos os senadores, de Flávio Bolsonaro aos do PT.”
“Meu estilo é de conciliador.”
“Eu converso com todo mundo.”
“Não tenho nenhum tipo de restrição a dialogar com pessoas do Senado da República.”
13. Fogo amigo e pressões internas
“Fogo amigo sempre aparece.”
“Prefiro confiar na minha relação e na confiança que o presidente Lula tem na minha trajetória.”
“Se ele entender que é melhor eu sair, sairei com a maior tranquilidade.”
“Não acho que será essa a posição dele.”
14. Encerramento e defesa pública
“Agradeço essa possibilidade de esclarecer os fatos.”
“Estou sinceramente muito tranquilo em relação a isso.”
“Agora espero a conclusão.”
“Minha candidatura está mantida.”









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