Tássio Brito critica oposição na Bahia e contrapõe Governo Jerônimo à gestão de Salvador durante PGP em Barreiras

O presidente estadual do PT, Tássio Brito, afirmou neste sábado, 27/06/2026, em Barreiras, no Oeste da Bahia, que o Governo Jerônimo Rodrigues promoveu uma ampla transformação administrativa no estado e defendeu que a oposição faça uma autocrítica sobre os resultados da gestão municipal em Salvador. A declaração ocorreu durante agenda do Programa de Governo Participativo — PGP 2026, no Território de Identidade da Bacia do Rio Grande, em meio à articulação da base governista para a formulação de propostas destinadas ao próximo ciclo político estadual.

Tássio Brito usa PGP em Barreiras para defender legado do Governo Jerônimo

Em entrevista à Rádio Vale, em Barreiras, Tássio Brito afirmou que o Governo da Bahia é reconhecido por entregas em áreas como infraestrutura, saúde, educação e serviços públicos. O dirigente petista sustentou que o governador Jerônimo Rodrigues teria apresentado, em três anos e meio, um volume expressivo de realizações, argumento usado para reforçar a narrativa governista de continuidade administrativa iniciada em 2007.

A fala ocorreu no contexto do PGP 2026 — Encontros para o Futuro, iniciativa voltada à escuta de lideranças políticas, movimentos sociais, representantes da sociedade civil e moradores dos territórios baianos. Em Barreiras, a plenária reuniu demandas da Bacia do Rio Grande, região estratégica para a economia estadual em razão da força do agronegócio, da logística regional, da expansão urbana e das necessidades de infraestrutura pública.

Segundo Tássio, a escuta participativa é uma forma de aproximar a formulação programática das demandas concretas da população. Para o presidente estadual do PT, o plano de governo deve ser construído com base em problemas reais identificados nos territórios, e não apenas em diretrizes definidas por núcleos políticos ou técnicos afastados da vida cotidiana dos municípios.

Dirigente petista afirma que oposição deve “olhar para o próprio umbigo”

Ao comentar a atuação da oposição na Bahia, Tássio Brito afirmou que adversários do governo estadual deveriam avaliar os resultados de suas próprias administrações antes de criticar a gestão de Jerônimo Rodrigues. A declaração teve como alvo político o grupo ligado ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto, principal liderança da oposição no estado.

“É importante que a oposição olhe para o próprio umbigo”, declarou Tássio, ao associar a crítica ao desempenho administrativo da capital baiana. O dirigente afirmou que Salvador, governada há quase 15 anos pelo mesmo campo político de oposição ao PT estadual, apresenta indicadores sociais que, na avaliação dele, deveriam ser considerados no debate sobre o projeto que esse grupo pretende levar ao interior da Bahia.

No conteúdo analisado, Tássio citou Salvador como exemplo de contraste entre dois modelos de gestão. A referência a indicadores negativos da capital, contudo, exige precisão técnica: o dado recente que coloca Salvador entre as capitais de pior desempenho está associado ao Índice de Progresso Social — IPS Brasil 2026, e não ao Índice de Desenvolvimento Humano tradicional. Essa distinção é relevante para evitar confusão metodológica, pois os dois indicadores medem dimensões diferentes da realidade social.

Salvador entra no centro da disputa narrativa entre governo e oposição

Na entrevista, Tássio Brito também mencionou a promessa de climatização da frota de ônibus de Salvador. Segundo ele, ACM Neto teria prometido veículos com ar-condicionado, mas a capital ainda conviveria com ônibus sem climatização. A declaração foi usada como exemplo de cobrança política sobre compromissos assumidos pela gestão municipal.

A crítica insere a mobilidade urbana no centro do embate estadual. Embora a disputa pelo Governo da Bahia envolva temas amplos, como segurança pública, saúde, educação, obras estruturantes e desenvolvimento regional, a capital funciona como vitrine política da oposição e, ao mesmo tempo, como alvo preferencial da base governista.

No discurso petista, Salvador aparece como contraponto ao projeto estadual do PT. A estratégia busca associar o campo adversário a problemas urbanos persistentes da capital, enquanto a base de Jerônimo Rodrigues tenta consolidar a imagem de um governo voltado à interiorização de serviços públicos, ampliação da infraestrutura e presença do Estado em regiões historicamente menos atendidas.

Infraestrutura, saúde e educação são apresentadas como eixos do projeto governista

Tássio Brito afirmou que o projeto defendido pelo PT na Bahia tem como eixo levar água, luz, estrada, saúde e escola às localidades onde esses serviços ainda são insuficientes. A formulação sintetiza uma narrativa histórica dos governos petistas no estado, especialmente a partir de 2007, marcada pela tentativa de ampliar a presença administrativa em regiões do interior.

O dirigente citou a pavimentação de acessos municipais como um dos exemplos de transformação territorial. Em 2024, o Governo da Bahia anunciou que os 417 municípios baianos passariam a estar interligados por asfalto, após autorização para a pavimentação do acesso a Caetanos. A informação é usada pela base governista como símbolo de integração regional e de redução do isolamento de sedes municipais.

Na saúde, Tássio destacou a interiorização de serviços antes concentrados em Salvador, com menção a áreas de alta complexidade, como a hemodinâmica. Na educação, afirmou que o governo estadual investiu valores elevados na construção e modernização de escolas de tempo integral, política apresentada pelo PT como resultado de planejamento público e de escutas sociais anteriores.

PGP 2026 reforça dimensão eleitoral da escuta participativa

O Programa de Governo Participativo tem função política e programática. Ao reunir propostas nos territórios, a iniciativa busca oferecer base social ao plano de governo da base liderada por Jerônimo Rodrigues, ao mesmo tempo em que mobiliza prefeitos, parlamentares, movimentos sociais e lideranças locais em torno da pré-campanha estadual.

Em Barreiras, a escolha do Território da Bacia do Rio Grande confere relevância especial à agenda. O Oeste baiano tem peso econômico crescente, concentra demandas ligadas à infraestrutura, logística, saúde regionalizada, qualificação profissional, meio ambiente, agricultura e serviços urbanos, além de ocupar posição estratégica na disputa política estadual.

A presença do PGP no território também reforça a tentativa governista de disputar a narrativa fora da capital. Ao levar a escuta para o interior, o PT busca demonstrar capilaridade política e conectar o discurso de continuidade administrativa a demandas locais. O desafio, porém, está em transformar propostas coletadas em metas verificáveis, cronogramas, orçamento e mecanismos de prestação de contas.


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