A prefeita de Carinhanha, Francisca Alves Ribeiro, conhecida como Chica do PT, afirmou neste domingo (12/07/2026), durante a plenária territorial do Programa de Governo Participativo (PGP 2026), em Bom Jesus da Lapa, que seu município não recebeu as mesmas oportunidades quando a Bahia era administrada pelo grupo político atualmente liderado por ACM Neto. Em discurso de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao governador Jerônimo Rodrigues, a gestora associou a atual parceria entre União, Estado e Município à ampliação de obras e benefícios públicos e pediu a derrota eleitoral da oposição no primeiro turno de 4 de outubro de 2026.
Prefeita contrapõe atual parceria a governos anteriores
Ao falar para lideranças políticas, gestores municipais, militantes e moradores do Território de Identidade Velho Chico, Chica do PT sustentou que a relação entre o Governo da Bahia e os municípios do interior teria mudado desde a chegada do Partido dos Trabalhadores ao comando estadual.
A prefeita utilizou sua própria experiência administrativa para estabelecer uma comparação entre períodos distintos da política baiana. Segundo ela, Carinhanha enfrentou dificuldades de acesso a investimentos estaduais durante administrações ligadas aos adversários do PT.
“Eu fui prefeita quando eles eram governadores e não tive a oportunidade. O meu município hoje tem obra para todo lado. Os benefícios chegam porque tem parceria e investimento.”
Chica do PT defende governos de Lula e Jerônimo Rodrigues
A manifestação ocorreu no PGP 2026 de Bom Jesus da Lapa, encontro que integra uma sequência de plenárias promovidas pela base governista para recolher propostas regionais e organizar o programa político que deverá ser apresentado nas eleições estaduais.
Realizada no espaço Mega Show Predileto, a plenária reuniu o governador Jerônimo Rodrigues, os senadores Jaques Wagner e Otto Alencar, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, além de prefeitos, parlamentares, vereadores e representantes de organizações sociais. O encontro procurou relacionar a presença territorial do Estado às políticas federais executadas durante os governos de Lula.
Chica do PT afirmou que a articulação entre os diferentes níveis de governo permite que investimentos e serviços cheguem aos municípios do interior. Em sua avaliação, a gestão pública deve ser orientada pela inclusão social, pela proteção ambiental e pela redução das desigualdades.
“Eu não faço política pensando em mim. Eu faço política pensando no outro, nas crianças, no meio ambiente e na distribuição de renda.”
A prefeita também declarou que a população passou a ter maior acesso às autoridades estaduais e mais espaço na formulação de políticas públicas. A fala reforçou uma das principais mensagens políticas do PGP: a ideia de que prefeitos, vereadores e movimentos territoriais devem participar da definição das prioridades do próximo ciclo governamental.
Quarto mandato amplia peso político da prefeita no Velho Chico
Chica do PT exerce o quarto mandato à frente da Prefeitura de Carinhanha. Nas eleições municipais de 2024, foi eleita com 47,22% dos votos válidos, superando Leo do Luana, do Avante, que obteve 38,21%.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística identifica Francisca Alves Ribeiro como prefeita do município desde 2025. Carinhanha tinha 28.869 habitantes no Censo de 2022 e população estimada em 30.439 moradores em 2025, o que confere ao município relevância administrativa e política na região do Médio São Francisco.
A trajetória de quatro mandatos foi utilizada pela própria gestora como fundamento para comparar diferentes períodos da relação institucional entre o Município e o Governo do Estado. Filiada ao Partido dos Trabalhadores desde sua primeira candidatura, ela vinculou sua administração ao projeto político conduzido nacionalmente por Lula e, na Bahia, por Jerônimo Rodrigues.
O discurso também procurou apresentar a cooperação federativa como elemento determinante para a execução de políticas municipais. Embora prefeituras possuam receitas próprias e recebam transferências constitucionais, obras de maior porte frequentemente dependem de convênios, financiamentos, emendas parlamentares e investimentos diretos dos governos estadual e federal.
Discurso contra ACM Neto eleva temperatura da disputa eleitoral
A prefeita endureceu o tom ao mencionar o ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto, principal liderança da oposição estadual. Ao pedir que o grupo adversário fosse derrotado nas urnas, Chica empregou linguagem de confronto e fez referência à controvérsia sobre a autodeclaração racial do político nas eleições de 2022.
“Essa cambada que não pode falar o nome, temos que eliminar em 4 de outubro para nunca mais colocarem a cabeça de fora. Esse, que mudou até de cor na Bahia, não podemos aceitar.”
Pelo contexto e pela referência direta a 4 de outubro, a expressão “eliminar” foi empregada em sentido eleitoral, como apelo para que os adversários sejam afastados pelo voto. O primeiro turno das eleições gerais de 2026 está oficialmente marcado para essa data, quando serão escolhidos presidente da República, governadores, senadores e deputados.
Registro racial de ACM Neto gerou controvérsia em 2022
A referência feita por Chica do PT remete a um episódio ocorrido durante a campanha estadual de 2022. Naquele ano, o requerimento inicial de candidatura de ACM Neto apresentado à Justiça Eleitoral registrava a categoria racial branca. Posteriormente, o cadastro foi alterado para pardo.
A campanha do então candidato afirmou que o registro inicial como branco havia resultado de um “erro do jurídico”, corrigido no mesmo dia ou no dia seguinte. ACM Neto declarou que sempre se identificou como pardo e citou registros eleitorais de 2016 e 2018 com essa mesma classificação.
Portanto, não é factual afirmar que ACM Neto reconheceu como erro sua autodeclaração como pardo. O equívoco admitido por sua campanha dizia respeito ao registro inicial como branco. Durante entrevista concedida em setembro de 2022, ao ser informado de que o IBGE considera pretos e pardos como integrantes da população negra, ele respondeu que, nesse caso, “o erro é do IBGE”, mantendo sua identificação como pardo.
A controvérsia passou a ser explorada por adversários políticos porque a legislação eleitoral determina critérios de distribuição de recursos e tempo de propaganda relacionados às candidaturas de pessoas negras. ACM Neto rejeitou as acusações de oportunismo e argumentou que já havia se declarado pardo antes da aplicação dessas regras.







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