Deputado Bobô exalta resposta de Jerônimo a Caiado e acusa ACM Neto de cumplicidade após fala sobre “alforriar” baianos

O deputado estadual Bobô (PCdoB) exaltou, nesta terça-feira, 28/07/2026, o pronunciamento do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), em resposta à declaração do candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, segundo a qual o povo baiano se sentiria “alforriado” caso ele fosse eleito presidente e ACM Neto (União Brasil) vencesse a disputa pelo Governo do Estado. Para o parlamentar, a reação do chefe do Executivo baiano foi firme, necessária e proporcional ao significado histórico e político da expressão utilizada pelo presidenciável.

Bobô considera resposta de Jerônimo firme e necessária

Ao comentar o pronunciamento do governador, Bobô afirmou que Jerônimo respondeu à declaração de Caiado de maneira compatível com a gravidade atribuída ao episódio.

Jerônimo deu uma resposta à altura da ofensa. Foi um dos pronunciamentos mais firmes e necessários dos últimos tempos.

Segundo o deputado estadual, a palavra escolhida pelo candidato do PSD não pode ser analisada isoladamente do contexto histórico da Bahia e da composição étnico-racial de sua população. Bobô interpretou a declaração como reveladora da maneira pela qual Caiado enxerga os baianos e a relação entre poder político, liberdade e autonomia popular.

Caiado escancarou o que pensa da Bahia. Ele não vê um povo livre, vê gente para libertar por decreto, como se fôssemos propriedade dele e de seus aliados. Jerônimo respondeu com a dignidade de quem sabe de onde vem esse povo e para onde ele caminha.

Bobô integra a atual legislatura da Assembleia Legislativa da Bahia pelo PCdoB, partido que compõe a Federação Brasil da Esperança ao lado do PT e do PV. O parlamentar foi reeleito para o mandato de 2023 a 2027.

Jerônimo reage como governador e como baiano

O pronunciamento elogiado por Bobô foi divulgado por Jerônimo Rodrigues em vídeo publicado nas redes sociais. Na manifestação, o governador afirmou que responderia não apenas na condição de chefe do Executivo estadual, mas também como baiano descendente de pessoas negras e indígenas.

Jerônimo relacionou o termo utilizado por Caiado à história da escravidão e rejeitou a ideia de que a população baiana necessitaria ser libertada por um grupo político ou por seus adversários eleitorais. Em um dos principais trechos do pronunciamento, declarou: “Na Bahia não há escravos, Caiado. Há um povo livre.”

O governador também sustentou que a declaração não deveria ser tratada apenas como um acidente verbal. Segundo Jerônimo, as palavras empregadas por uma liderança política revelam valores e concepções sobre a sociedade. Ao concluir o vídeo, afirmou: “Não há mais espaço para o seu coronelismo” e cobrou respeito à Bahia e aos baianos.

Declaração de Caiado ocorreu antes de convenção do PSD

A controvérsia começou no domingo, 26/07/2026, em São Paulo, antes da convenção nacional do PSD que oficializou a candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência e confirmou o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, como candidato a vice-presidente.

Questionado durante entrevista coletiva sobre a composição eleitoral da oposição na Bahia, Caiado declarou:

“Com Caiado e ACM eleitos, o povo baiano vai se sentir alforriado.”

A afirmação foi apresentada pelo candidato ao comentar a aliança construída em torno de ACM Neto. O ex-prefeito de Salvador declarou apoio à candidatura presidencial de Caiado, embora integrantes da coligação estadual tenham manifestado preferência por outros candidatos à Presidência.

A palavra “alforria” designa historicamente a concessão da liberdade a uma pessoa submetida à escravidão. Por essa razão, o uso do termo para se referir ao conjunto da população baiana provocou reações políticas relacionadas à história escravista do Brasil e à formação social do estado.

Dados do Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IBGE —, registraram 3.164.691 pessoas pretas e 8.103.964 pessoas pardas entre os aproximadamente 14,1 milhões de habitantes da Bahia. Somados, os dois grupos representam cerca de 79,7% da população estadual.

Caiado já havia empregado o termo em outra declaração

A repercussão também foi ampliada porque Caiado já havia utilizado a palavra “alforriar” no início de julho de 2026. Na ocasião, o candidato presidencial afirmou que pretendia “alforriar” as favelas do Rio de Janeiro caso fosse eleito.

A repetição indica que o vocábulo integra a retórica política utilizada pelo candidato para representar uma proposta de libertação em relação a governos, administrações ou condições sociais que critica. Entretanto, ao aplicar a expressão ao povo baiano, o presidenciável provocou uma interpretação vinculada diretamente à escravidão e às relações raciais.

A declaração passou, assim, a ocupar espaço no confronto eleitoral entre o grupo liderado por Jerônimo Rodrigues e a oposição reunida em torno de ACM Neto. O debate deixou de se limitar à escolha vocabular e passou a envolver concepções sobre a identidade da Bahia, o respeito à população e os métodos tradicionais de exercício do poder político.

Bobô questiona posicionamento de ACM Neto

Em sua manifestação, Bobô também direcionou críticas a ACM Neto, aliado estadual de Ronaldo Caiado. O deputado afirmou que o candidato do União Brasil deveria ter se pronunciado sobre a declaração do presidenciável que apoia.

Neto correu para apoiar Caiado, mas não teve coragem de comentar a ofensa. É a mesma velha aliança de sempre, travestida de novidade eleitoral. A Bahia já conhece esse roteiro.

Para Bobô, o comportamento atribuído a ACM Neto não deveria ser classificado como simples omissão. O parlamentar utilizou o termo “cumplicidade” para caracterizar politicamente o silêncio que atribui ao candidato oposicionista.

A declaração constitui uma avaliação política de Bobô, inserida no confronto entre a base governista e a oposição. A existência de cumplicidade não é um fato objetivamente demonstrado pelo episódio, mas uma interpretação apresentada pelo deputado em razão do apoio de ACM Neto a Caiado e da ausência de posicionamento citada por ele.

ACM Neto havia reafirmado publicamente sua preferência por Ronaldo Caiado em 18/07/2026, durante agenda em Feira de Santana. Posteriormente, a convenção realizada em Salvador oficializou sua candidatura ao Governo da Bahia, tendo Zé Cocá (PP) como candidato a vice-governador.

Parlamentar relaciona episódio ao coronelismo

Ao encerrar sua manifestação, Bobô retomou o argumento apresentado por Jerônimo Rodrigues e associou a declaração de Caiado a práticas políticas identificadas historicamente com o coronelismo.

Coronelismo não tem mais espaço na Bahia. Quem quer nos governar precisa primeiro aprender a nos respeitar. E isso, pelo visto, Caiado e Neto não aprenderam.

A referência ao coronelismo foi utilizada tanto por Jerônimo quanto por Bobô para contestar uma concepção política na qual lideranças externas ou grupos tradicionais se apresentam como responsáveis por conceder liberdade à população.

No campo eleitoral, a controvérsia reforça a estratégia do grupo governista de apresentar a disputa de 2026 não apenas como confronto entre projetos administrativos, mas também como debate sobre identidade, memória histórica, autonomia política e respeito institucional.

Linha do tempo da controvérsia

Início de julho de 2026 — Caiado menciona “alforriar” favelas

Ronaldo Caiado utiliza a palavra “alforriar” ao afirmar que pretendia libertar as favelas do Rio de Janeiro de condições políticas, sociais ou administrativas que critica.

18/07/2026 — ACM Neto reafirma apoio a Caiado

Durante entrevista em Feira de Santana, ACM Neto declara preferência pela candidatura presidencial de Ronaldo Caiado, embora reconheça a existência de diferentes apoios nacionais dentro de sua aliança estadual.

22/07/2026 — Oposição oficializa chapa na Bahia

Convenção partidária realizada em Salvador confirma ACM Neto como candidato ao Governo da Bahia e Zé Cocá como candidato a vice-governador. A composição reúne partidos e lideranças com posições distintas na disputa presidencial.

26/07/2026 — Caiado fala em “alforria” dos baianos

Antes da convenção nacional do PSD, em São Paulo, Caiado afirma que, com ele eleito presidente e ACM Neto governador, o povo baiano se sentiria “alforriado”.

27/07/2026 — Declaração provoca reações políticas

Lideranças vinculadas ao campo governista passam a criticar a expressão. O professor Marinho Soares, pré-candidato a deputado estadual pelo PSB, relaciona o termo ao passado escravista e questiona o apoio de ACM Neto a Caiado.

28/07/2026 — Jerônimo divulga pronunciamento

O governador publica vídeo no qual classifica a declaração como ofensiva, afirma que o povo baiano é livre e associa a fala de Caiado ao coronelismo.

28/07/2026 — Bobô apoia resposta do governador

O deputado estadual exalta o pronunciamento de Jerônimo, acusa ACM Neto de cumplicidade política e afirma que candidatos interessados em governar a Bahia devem respeitar sua população e sua história.


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