A Inglaterra derrotou a França por 6 a 4 no sábado (18/07/2026), no Estádio de Miami, em Miami Gardens, nos Estados Unidos, e conquistou o terceiro lugar da Copa do Mundo da FIFA 2026. A partida, disputada diante de 64.478 torcedores, teve quatro gols ingleses no primeiro tempo, uma reação francesa após o intervalo, três gols de Bukayo Saka, dois de Kylian Mbappé e recordes individuais e coletivos que colocaram o confronto entre os mais movimentados da história dos Mundiais.
Inglaterra constrói vantagem de quatro gols no primeiro tempo
A seleção comandada pelo técnico Thomas Tuchel começou a partida pressionando a saída de bola francesa e procurando acelerar as jogadas pelos lados do campo. A postura ofensiva produziu resultado aos 3 minutos, quando Declan Rice avançou pelo setor central e concluiu para abrir o placar.
O segundo gol surgiu aos 18 minutos. Rice cobrou escanteio, e o zagueiro Ezri Konsa apareceu na área para completar de cabeça. A França demonstrava dificuldade para organizar sua defesa e permitia que os ingleses encontrassem espaços entre os setores.
O domínio aumentou na parte final da etapa inicial. Aos 37 minutos, Bukayo Saka recebeu em profundidade e marcou o terceiro. Já aos 45 minutos e um minuto de acréscimo, o atacante voltou a superar a defesa francesa e estabeleceu o placar de 4 a 0 antes do intervalo.
O desempenho inglês representou uma mudança em relação à postura apresentada na semifinal contra a Argentina, quando a equipe perdeu por 2 a 1 após abrir o placar. Diante da França, o time de Tuchel procurou jogar de forma mais vertical, com passes direcionados ao campo ofensivo e maior aproximação entre os atacantes.
A seleção francesa, por sua vez, utilizou uma formação modificada e apresentou problemas principalmente na última linha defensiva. A distância entre os jogadores, a dificuldade para acompanhar as movimentações inglesas e as perdas de bola durante a construção permitiram que a Inglaterra controlasse praticamente toda a primeira metade do confronto.
França reage após mudanças no intervalo
O técnico Didier Deschamps promoveu alterações defensivas no intervalo, com as entradas de Dayot Upamecano e Lucas Digne. As substituições reorganizaram a equipe, aumentaram a intensidade da marcação e permitiram que os franceses passassem a jogar no campo inglês.
A reação começou aos 48 minutos. Após assistência de Michael Olise, Kylian Mbappé finalizou e reduziu a diferença. Seis minutos depois, aos 54, Bradley Barcola atravessou a defesa inglesa e marcou o segundo gol francês.
A pressão continuou. Aos 66 minutos, Mbappé recebeu outra assistência de Olise e fez o terceiro da França, reduzindo a vantagem inglesa para 4 a 3. Em menos de 20 minutos, a seleção francesa transformou uma partida que parecia definida em um confronto novamente aberto.
A Inglaterra passou a encontrar dificuldades para manter a posse de bola e controlar o ritmo. O desgaste físico, somado à intensidade francesa, obrigou Tuchel a recorrer ao banco de reservas. Jude Bellingham, Reece James e Elliot Anderson foram utilizados para recompor o meio-campo e recuperar capacidade de transição.
Mesmo pressionada, a equipe inglesa preservou a disposição para atacar. Aos 87 minutos, Saka converteu uma cobrança de pênalti e completou seu hat-trick, ampliando o placar para 5 a 3.
A partida ainda teve dois gols nos acréscimos. Ousmane Dembélé marcou o quarto da França aos 90 minutos e seis minutos adicionais. Dois minutos depois, Bellingham conduziu a bola em velocidade e fez o sexto gol inglês, encerrando o confronto em 6 a 4.
Saka marca três vezes e conduz conquista inglesa
Bukayo Saka terminou a partida como principal destaque da Inglaterra. O atacante marcou duas vezes durante o primeiro tempo e completou o hat-trick em cobrança de pênalti na etapa final, em um momento no qual a França ameaçava alcançar o empate.
A atuação permitiu que a seleção inglesa conquistasse o terceiro lugar de uma Copa do Mundo pela primeira vez. Nas duas ocasiões anteriores em que havia disputado a partida pelo bronze, a equipe terminou derrotada: diante da Itália, em 1990, e contra a Bélgica, em 2018.
O resultado também representou a melhor colocação da Inglaterra desde o título conquistado em 1966, em território inglês. A equipe encerrou a edição de 2026 com a segunda melhor campanha de sua história no torneio.
Após o confronto, Thomas Tuchel definiu a atuação como marcada por um “primeiro tempo brilhante e um segundo tempo turbulento”. O treinador destacou o desgaste acumulado durante a competição e a capacidade do grupo de resistir à reação francesa.
Apesar da medalha, o técnico reconheceu que o terceiro lugar não eliminava a frustração provocada pela derrota na semifinal. A Inglaterra havia estabelecido como objetivo chegar à decisão e buscar o segundo título mundial de sua história.
Mbappé assume liderança histórica dos gols em Copas
Os dois gols marcados por Kylian Mbappé elevaram o atacante a 22 gols em Copas do Mundo, colocando-o, naquele momento, à frente dos 21 gols de Lionel Messi na classificação histórica da competição.
A liderança ainda poderia sofrer alteração porque Messi disputaria, no domingo (19/07), a final entre Argentina e Espanha. O francês, contudo, encerrou sua participação no Mundial de 2026 com dez gols, dois a mais que o argentino antes da decisão.
Mbappé também se tornou o primeiro jogador a atingir dez gols em uma única edição desde o alemão Gerd Müller, em 1970. O desempenho individual contrastou com a quarta colocação da França, que havia iniciado o torneio entre as principais candidatas ao título.
Depois da partida, o capitão francês reconheceu a queda de rendimento durante a etapa inicial e afirmou que a atuação transmitiu a impressão de que os jogadores haviam falhado na despedida de Deschamps. O atacante ressaltou, porém, que o resultado não reduziria a importância do treinador para a história recente da seleção.
Bellingham estabelece recorde pela Inglaterra
O gol marcado por Jude Bellingham aos 98 minutos foi o sétimo do meio-campista na Copa do Mundo de 2026. Com a marca, ele passou a ser o jogador inglês com mais gols em uma única edição do torneio.
O recorde anterior era de seis gols e havia sido alcançado por Gary Lineker, em 1986, e por Harry Kane, nas edições de 2018 e 2026. Bellingham havia sido decisivo também nas quartas de final, quando marcou os dois gols da vitória inglesa sobre a Noruega por 2 a 1.
A campanha consolidou o jogador como um dos principais nomes da seleção dirigida por Tuchel. Além da capacidade de organização no meio-campo, o atleta teve participação direta em momentos decisivos do mata-mata. (AP News)
Partida entra para a história das Copas do Mundo
Os dez gols registrados em Miami estabeleceram um novo recorde para uma partida de disputa do terceiro lugar. A marca anterior pertencia à vitória da França por 6 a 3 sobre a Alemanha Ocidental, no Mundial de 1958.
O confronto também se tornou o jogo com mais gols em uma Copa do Mundo desde a goleada da Hungria por 10 a 1 sobre El Salvador, em 1982. Considerando todas as edições, Inglaterra 6 x 4 França foi uma das cinco partidas com maior número de gols da história do torneio.
O placar de 6 a 4 ainda foi inédito em Copas. Até então, os resultados de dez ou mais gols incluíam Áustria 7 x 5 Suíça, em 1954; Brasil 6 x 5 Polônia, em 1938; Hungria 8 x 3 Alemanha Ocidental, em 1954; Hungria 10 x 1 El Salvador, em 1982; e França 7 x 3 Paraguai, em 1958. (ge)
A elevada quantidade de gols refletiu uma partida na qual as duas seleções assumiram riscos ofensivos e apresentaram dificuldades para manter o equilíbrio defensivo. A Inglaterra foi dominante durante a etapa inicial, enquanto a França controlou grande parte do segundo tempo.
Deschamps encerra ciclo de 14 anos na seleção francesa
A derrota marcou o último jogo de Didier Deschamps como técnico da França. O treinador deixou o cargo após 14 anos, período no qual conduziu a equipe ao título mundial de 2018 e às finais da Eurocopa de 2016 e da Copa do Mundo de 2022.
Deschamps havia assumido o comando da seleção em 2012. Além da trajetória como treinador, foi o capitão francês na conquista da Copa do Mundo de 1998 e da Eurocopa de 2000.
Ao deixar o campo em Miami, o técnico cumprimentou os jogadores e reconheceu que a atuação do primeiro tempo ficou abaixo do padrão esperado. “Não quero resumir minha carreira a este momento”, declarou ao avaliar a despedida.
A França terminou a competição na quarta posição depois de perder para a Espanha por 2 a 0 na semifinal realizada na terça-feira (14/07), em Dallas. A eliminação encerrou a tentativa francesa de alcançar uma terceira final consecutiva de Copa do Mundo.
Caminho de França e Inglaterra até a disputa do bronze
A partida pelo terceiro lugar reuniu duas seleções que haviam sofrido eliminações distintas nas semifinais. A França foi superada pela Espanha por 2 a 0, com gols de Mikel Oyarzabal e Pedro Porro. A equipe francesa não conseguiu transformar sua capacidade ofensiva em domínio territorial suficiente para reverter o resultado.
A Inglaterra enfrentou a Argentina no dia seguinte, em Atlanta. Os ingleses abriram o placar, mas sofreram a virada na parte final da partida e foram derrotados por 2 a 1, resultado que levou os argentinos à decisão contra a Espanha.
O encontro em Miami representou, portanto, a última oportunidade para que ambas encerrassem a competição com uma vitória. A Inglaterra aproveitou melhor o início da partida, resistiu à reação francesa e ficou com o bronze. (Jornal Grande Bahia (JGB))
Linha do tempo da partida
Primeiro tempo
- 3 minutos: Declan Rice abre o placar para a Inglaterra.
- 18 minutos: Ezri Konsa amplia de cabeça após escanteio.
- 37 minutos: Bukayo Saka marca o terceiro gol inglês.
- 45+1 minutos: Saka volta a marcar e leva a Inglaterra ao intervalo com vantagem de 4 a 0.
Segundo tempo
- 48 minutos: Kylian Mbappé marca o primeiro gol da França.
- 54 minutos: Bradley Barcola reduz a diferença para 4 a 2.
- 66 minutos: Mbappé marca novamente e deixa o placar em 4 a 3.
- 87 minutos: Saka converte pênalti, completa o hat-trick e faz 5 a 3.
- 90+6 minutos: Ousmane Dembélé marca o quarto gol francês.
- 90+8 minutos: Jude Bellingham conclui contra-ataque e define a vitória inglesa por 6 a 4.
Linha do tempo do fim da Copa de 2026
- 14/07/2026: Espanha vence a França por 2 a 0 e avança à final.
- 15/07/2026: Argentina derrota a Inglaterra por 2 a 1, de virada.
- 18/07/2026: Inglaterra vence a França por 6 a 4 e conquista o terceiro lugar.
- 19/07/2026: Argentina e Espanha disputam o título no Estádio de Nova York–Nova Jersey.
A vitória inglesa reúne elementos positivos e sinais que exigem avaliação. O ataque demonstrou velocidade, profundidade e capacidade de aproveitar erros adversários, mas a perda de controle após uma vantagem de quatro gols revelou fragilidades defensivas e dificuldades para administrar mudanças de ritmo. A França apresentou problema semelhante em sentido inverso: reagiu com eficiência, porém comprometeu o resultado ao conceder espaços excessivos durante todo o primeiro tempo.
No plano institucional, o jogo encerra ciclos distintos. A Inglaterra termina a Copa com sua melhor campanha desde 1966 e uma geração liderada por Saka e Bellingham, mas continuará submetida à cobrança por um título. A França entra em processo de sucessão após 14 anos sob o comando de Deschamps, período que estabeleceu estabilidade, presença constante nas fases decisivas e renovação competitiva.
O resultado confirma o terceiro lugar da Inglaterra, registra a França na quarta posição e insere Saka, Mbappé e Bellingham entre os protagonistas estatísticos do Mundial. Os próximos movimentos dependerão da avaliação da Federação Inglesa sobre o projeto de Thomas Tuchel, da definição do novo comando francês e do resultado da final entre Argentina e Espanha, que também poderá alterar a disputa pela artilharia e a liderança histórica de gols em Copas.







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