O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom contra adversários políticos na Bahia nesta quarta-feira (01/07/2026), durante agenda pública ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT), marcada por entregas e anúncios de investimentos federais superiores a R$ 400 milhões em áreas como saúde, saneamento e infraestrutura. No discurso, Lula direcionou críticas ao ex-prefeito de Salvador e pré-candidato da oposição ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), retomando a controvérsia sobre a autodeclaração racial do político em registros eleitorais e transformando o tema em eixo de confronto político no estado.
Lula mira ACM Neto em discurso ao lado de Jerônimo Rodrigues
Durante a cerimônia, Lula afirmou que o adversário de Jerônimo Rodrigues seria “mentiroso” e associou a crítica à polêmica envolvendo a autodeclaração racial de ACM Neto.
“O teu adversário é tão mentiroso que chegou a querer passar por negro”, declarou o presidente, dirigindo-se ao governador baiano.
Na sequência, Lula citou a origem familiar do ex-prefeito de Salvador, neto do ex-governador Antônio Carlos Magalhães, e afirmou que um integrante do clã político teria assumido a condição de candidato “dizendo que era negro”. A fala, de forte carga política, foi usada pelo presidente para contrastar a trajetória do grupo adversário com o eleitorado negro baiano, que historicamente tem peso decisivo na composição social e política do estado.
A autodeclaração racial de ACM Neto tornou-se tema nacional nas eleições de 2022. À época, o ex-prefeito de Salvador se declarou pardo no registro eleitoral, informação que gerou questionamentos políticos e ações de adversários. Reportagem do Jornal Grande Bahia registrou que ACM Neto e sua então candidata a vice, Ana Coelho, declararam-se pardos no TSE, enquanto o ex-prefeito alegou que já se identificava dessa forma desde 2016.
A declaração ocorre em contexto de pré-campanha estadual, no qual Jerônimo Rodrigues busca consolidar a base governista e ACM Neto tenta reorganizar a oposição após a derrota de 2022. Naquele pleito, a disputa entre PT e União Brasil foi marcada por polarização regional, confronto sobre gestão pública e controvérsias envolvendo identidade racial, alianças políticas e uso de recursos eleitorais.
Agenda federal combina entregas públicas e disputa política
A visita presidencial à Bahia ocorreu em meio a uma agenda institucional de investimentos públicos. Informações oficiais do Governo do Brasil apontam a retomada de obras e a aplicação de R$ 412 milhões em saneamento integrado em Camaçari, com ações de macrodrenagem, esgotamento sanitário, urbanização, prevenção de alagamentos e intervenções em áreas de risco.
O pacote se soma a outras agendas recentes do governo federal na Bahia, incluindo entregas habitacionais em Camaçari. Em maio de 2026, Lula participou da entrega de 384 unidades habitacionais do Residencial Verdes Horizontes I e II, com investimento de R$ 65 milhões do Novo PAC e estimativa de benefício a cerca de 1,5 mil pessoas, ao lado de Jerônimo Rodrigues, Geraldinho, Rui Costa e senadores baianos.
A combinação entre inauguração de obras, anúncios de investimentos e discurso eleitoralmente orientado evidencia o papel estratégico da Bahia no tabuleiro nacional. O estado permanece como um dos principais redutos eleitorais do lulismo e, ao mesmo tempo, figura entre os territórios onde a oposição tenta reconstruir competitividade para 2026.








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