Na quarta-feira (08/07/2026), o deputado estadual Bobô (PCdoB) cobrou uma manifestação pública de ACM Neto após a repercussão do pedido feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a autoridades dos Estados Unidos para adiar a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros para depois das eleições. A declaração insere a disputa sobre o chamado tarifaço em um ambiente de tensão política, comercial e eleitoral, envolvendo comércio exterior, soberania nacional, relação Brasil-EUA e posicionamento de lideranças oposicionistas na Bahia.
Bobô questiona silêncio de ACM Neto sobre articulação de Flávio Bolsonaro
O deputado estadual Bobô criticou o silêncio de ACM Neto diante da revelação de que Flávio Bolsonaro solicitou ao governo norte-americano o adiamento da cobrança de tarifas sobre produtos brasileiros. Segundo o parlamentar baiano, a ausência de manifestação do ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do União Brasil exige esclarecimento político, especialmente por envolver uma medida com potencial impacto econômico sobre empresas, exportadores e trabalhadores brasileiros.
“Queria saber se ACM Neto também acha normal pedir a um governo estrangeiro que espere passar a eleição para só depois impor uma medida que prejudica a economia brasileira. Vai continuar calado ou vai dizer se concorda com o aliado?”, afirmou Bobô.
A cobrança ocorre no momento em que a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros é analisada no âmbito do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, em investigação aberta com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O processo envolve temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas consideradas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.
Pedido de adiamento desloca debate econômico para o calendário eleitoral
De acordo com informações publicadas pela Reuters, Flávio Bolsonaro atuou junto à administração norte-americana para defender o adiamento da tarifa proposta até depois das eleições brasileiras de outubro de 2026. A agência também informou que o senador buscou uma suspensão de 180 dias da decisão, sob o argumento de que a medida poderia ter efeitos políticos no processo eleitoral.
Para Bobô, o ponto central da controvérsia está na diferença entre combater uma medida considerada prejudicial ao país e pedir que ela seja apenas postergada por conveniência eleitoral. Na avaliação do deputado, se a tarifa é danosa à economia brasileira, deveria ser enfrentada de imediato, independentemente do calendário político.
“Se o tarifaço é ruim para o Brasil, deveria ser combatido imediatamente. Se pode esperar até depois da eleição, fica evidente que o cálculo nunca foi econômico, mas eleitoral”, declarou o parlamentar.
Flávio Bolsonaro passou a defender cancelamento da medida após repercussão
Após a repercussão negativa do caso, Flávio Bolsonaro passou a afirmar que defendia o cancelamento da tarifa. A controvérsia, porém, permaneceu em torno do teor do documento e das manifestações apresentadas às autoridades norte-americanas, nas quais o adiamento da aplicação da medida foi vinculado ao período posterior às eleições.
A proposta tarifária dos Estados Unidos contra produtos brasileiros ganhou dimensão política por atingir diretamente a agenda comercial bilateral e por ocorrer em ano eleitoral. A audiência pública do USTR, realizada em julho de 2026, reuniu representantes de setores econômicos e políticos interessados na definição da política tarifária norte-americana em relação ao Brasil.
Nesse contexto, a fala de Bobô procura deslocar o debate para a responsabilidade política de lideranças brasileiras que mantêm proximidade com o campo bolsonarista ou com setores da oposição ao governo federal. Ao cobrar ACM Neto, o deputado tenta associar o silêncio do ex-prefeito à necessidade de posicionamento público sobre uma articulação internacional que pode afetar a economia nacional.








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