A vereadora de Salvador Aladilce Souza (PCdoB) afirmou, nesta quarta-feira (29/07/2026), que os resultados da pesquisa Genial/Quaest contradizem o discurso de “terra arrasada” atribuído por ela ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). O levantamento aponta que 57% dos eleitores baianos aprovam o Governo Jerônimo, enquanto 52% consideram que o governador merece ser reeleito. Apesar da avaliação administrativa majoritariamente favorável, a disputa eleitoral permanece aberta: ACM Neto registra 39% das intenções de voto estimuladas, diante de 38% de Jerônimo Rodrigues, diferença situada dentro da margem de erro de três pontos percentuais.
Aladilce associa aprovação às entregas do Governo da Bahia
Ao comentar os resultados, Aladilce sustentou que a avaliação positiva da administração estadual enfraquece a estratégia da oposição de apresentar a Bahia como um estado marcado pela paralisação dos serviços públicos e pela ausência de investimentos.
“Os números mostram que a maioria do povo baiano reconhece o trabalho realizado e quer que ele continue. A oposição tenta convencer a Bahia de que nada funciona e de que tudo precisa mudar, mas essa narrativa não encontra respaldo na avaliação concreta da população.”
Na interpretação da vereadora, a aprovação decorre de ações desenvolvidas pelo Governo do Estado nas áreas de saúde, educação, infraestrutura, segurança pública e abastecimento de água, com programas e obras distribuídos entre Salvador, a Região Metropolitana e os municípios do interior.
Os dados da Quaest mostram, entretanto, avaliações diferentes entre as áreas administrativas. A educação apresenta o melhor resultado, com 47% de avaliação positiva, seguida por infraestrutura e mobilidade, com 46%. Em sentido oposto, segurança pública recebe avaliação negativa de 47% dos entrevistados, enquanto a saúde é avaliada negativamente por 39%.
Aprovação administrativa não garante liderança eleitoral
A pesquisa diferencia a aprovação do trabalho realizado pelo governador da intenção efetiva de voto. Enquanto 57% aprovam a administração estadual, 34% desaprovam e 9% não souberam ou não responderam. Na avaliação qualitativa, 37% classificam a gestão como positiva, 35% como regular e 23% como negativa.
Quando a pergunta trata diretamente da continuidade no cargo, 52% afirmam que Jerônimo merece ser reeleito, 41% defendem a substituição do governador e 7% não apresentam opinião. Os índices representam maioria favorável à permanência do atual chefe do Executivo, mas não se convertem automaticamente em vantagem na intenção de voto.
Nos dois cenários estimulados de primeiro turno, ACM Neto aparece com 39%, enquanto Jerônimo registra 38%. A diferença de um ponto percentual caracteriza empate técnico. Aroldo Félix (UP) e Ronaldo Mansur (PSOL) marcam 1% cada, enquanto José Estêvão (DC) não pontua no cenário em que seu nome é apresentado.
Disputa também permanece aberta no segundo turno
Em uma eventual disputa direta de segundo turno, ACM Neto alcança 43%, contra 39% de Jerônimo. Os indecisos representam 11%, enquanto 7% afirmam que votariam em branco, anulariam o voto ou não compareceriam. A diferença de quatro pontos também permanece dentro do intervalo definido pela margem de erro.
Na consulta espontânea, em que os entrevistados não recebem uma lista de nomes, Jerônimo aparece numericamente à frente, com 18%, contra 17% de ACM Neto. O dado mais relevante desse recorte é o percentual de 63% de eleitores indecisos, indicando que a lembrança espontânea dos candidatos ainda está restrita a uma parcela minoritária do eleitorado.
A pesquisa mostra ainda que 54% dos entrevistados consideram definitiva sua escolha para governador, enquanto 44% admitem que ainda podem mudar de candidato. O percentual mantém espaço para alterações durante a campanha eleitoral, especialmente a partir da exposição dos programas de governo, dos debates e da avaliação das alianças nacionais e estaduais.
Levantamento acompanha promessas do Governo Jerônimo
Aladilce também citou o levantamento do projeto Promessas dos Políticos, mantido pelo g1, segundo o qual Jerônimo Rodrigues ocupa a terceira colocação nacional em número absoluto de compromissos de campanha integralmente concluídos.
O monitoramento contabiliza 92 promessas apresentadas na campanha de 2022. Até 30 de junho de 2026, 33 compromissos haviam sido integralmente cumpridos, 37 estavam parcialmente executados e 22 permaneciam sem conclusão. As entregas integrais correspondem a aproximadamente 35,9% do total acompanhado.
Em números absolutos, a Bahia aparece atrás do Maranhão, com 43 compromissos concluídos, e do Piauí, com 35. Como os governadores assumiram quantidades diferentes de compromissos, a posição nacional deve ser analisada juntamente com o número total de promessas de cada administração e com o estágio das medidas classificadas como parcialmente cumpridas.
Entre as ações classificadas como concluídas estão a ampliação da vigilância laboratorial, a implantação de uma Unidade de Alta Complexidade em Oncologia em Ruy Barbosa, a criação do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde, a implantação do prontuário eletrônico estadual e medidas relacionadas à educação, à agricultura familiar e à segurança pública.
Rui Costa e Jaques Wagner lideram disputa pelo Senado
Aladilce também destacou os resultados da pesquisa para as duas vagas da Bahia no Senado Federal. O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), lidera com 22% das intenções de voto, seguido pelo senador Jaques Wagner (PT), com 16%.
O senador Ângelo Coronel (Republicanos) e o ex-ministro João Roma (PL) aparecem com 6% cada. A professora Delliana Ricelli (PSOL) registra entre 3% e 4%, conforme o cenário, enquanto Marcelo Santtana (DC) marca 1%. Os indecisos representam 22%, e 24% indicam voto branco, nulo ou ausência na votação.
Para a vereadora, a liderança dos dois candidatos petistas demonstra a permanência da influência política do grupo que governa a Bahia desde 2007 e sua associação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Jerônimo é o candidato de Lula na Bahia. Não existe compatibilidade política entre votar em Lula para presidente e entregar o governo estadual a ACM Neto, integrante de um campo político que reúne partidos e lideranças ligados ao bolsonarismo. A Bahia sabe que os avanços sociais dependem da sintonia entre os governos estadual e federal, e a pesquisa mostra que o povo quer manter esse trabalho.”
Alinhamento com Lula permanece relevante na eleição baiana
A pesquisa indica que 47% dos eleitores preferem que o próximo governador seja aliado do presidente Lula. Outros 34% defendem um nome politicamente independente, enquanto 14% preferem um candidato associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Jerônimo também é identificado por 56% dos entrevistados como o candidato apoiado por Lula na disputa estadual. ACM Neto é apontado nessa condição por 2%, enquanto 42% não souberam responder. Quando a pergunta trata do candidato associado a Bolsonaro, 29% mencionam ACM Neto, mas 68% não conseguem identificar um representante desse campo político.
Os números ajudam a explicar a estratégia governista de vincular a candidatura estadual à chapa presidencial de Lula. Ao mesmo tempo, a pesquisa demonstra que o alinhamento nacional não encerra a disputa pelo Governo da Bahia, pois ACM Neto permanece numericamente à frente nos cenários estimulados de primeiro e segundo turnos.
Linha do tempo da aprovação do Governo Jerônimo
- Julho de 2024: aprovação de 62%, desaprovação de 32% e 6% sem opinião. A avaliação positiva era de 38%.
- Dezembro de 2024: aprovação de 54%, desaprovação de 35% e 11% sem resposta. A avaliação positiva recuou para 32%.
- Fevereiro de 2025: aprovação de 61% e desaprovação de 31%. A avaliação positiva alcançou 42%.
- Agosto de 2025: aprovação de 59% e desaprovação de 33%. A avaliação positiva ficou em 39%.
- Abril de 2026: aprovação de 56%, desaprovação de 33% e 11% sem opinião. O apoio à reeleição era de 51%.
- Julho de 2026: aprovação de 57%, desaprovação de 34% e 9% sem opinião. O apoio à reeleição chegou a 52%.
A série histórica mostra que a aprovação permaneceu majoritária em todas as rodadas apresentadas, embora tenha oscilado ao longo do período. A passagem de 56% em abril para 57% em julho está dentro da margem de erro e indica estabilidade estatística, não crescimento consolidado.
Metodologia e registros da pesquisa
A pesquisa foi realizada pela Quaest, sob encomenda da Genial Investimentos, com 1.200 eleitores de 16 anos ou mais, entrevistados presencialmente em 61 municípios da Bahia entre os dias 23 e 27 de julho de 2026.
A margem de erro máxima é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob os números BR-05856/2026 e BA-02331/2026.
Uma das lâminas iniciais do relatório apresenta a expressão “23 a 27/abril”. Os registros eleitorais, a identificação geral do estudo e os gráficos comparativos indicam, porém, que a coleta analisada foi realizada em julho de 2026, configurando aparente erro material naquela página específica.








Deixe um comentário