Governador Rui Costa defende aliança Lula–Jerônimo em Salvador, cita Metrô e VLT e critica Bruno Reis e ACM Neto

O ex-governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT), escolhido em convenção para disputar uma vaga no Senado Federal nas Eleições 2026, defendeu neste sábado (08/08/2026), em Salvador, a continuidade da articulação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador Jerônimo Rodrigues (PT) como instrumento para ampliar investimentos públicos na capital baiana. Durante plenária do deputado estadual Robinson Almeida (PT), realizada no bairro de Nazaré e que reuniu, segundo os organizadores, quase 1 mil lideranças de aproximadamente 35 bairros, Rui citou Metrô, VLT, hospitais, policlínicas, escolas e obras de infraestrutura como resultados ou projetos associados à atuação dos governos estadual e federal e dirigiu críticas ao prefeito Bruno Reis (União Brasil) e ao grupo político liderado pelo ex-prefeito e candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil).

Rui Costa coloca parceria entre Governo Federal e Bahia no centro do discurso

A principal mensagem política apresentada por Rui Costa foi a defesa da continuidade do alinhamento entre os governos federal e estadual. O ex-governador argumentou que a atuação articulada das duas administrações favorece a execução de projetos estruturantes na capital e utilizou a infraestrutura urbana como principal referência para sustentar essa posição.

“Salvador não pode perder essa oportunidade de ter por mais quatro anos um governador de mãos dadas com Lula”, declarou.

A afirmação ocorreu em um momento de reorganização das forças políticas para as Eleições Gerais de 2026. A convenção da base governista realizada em Salvador em 1º de agosto escolheu Jerônimo Rodrigues para disputar a reeleição ao Governo da Bahia e Rui Costa e Jaques Wagner para as duas vagas ao Senado destinadas ao estado. Pela legislação eleitoral, a escolha em convenção antecede o pedido de registro das candidaturas perante a Justiça Eleitoral, cujo prazo termina em 15 de agosto de 2026.

A plenária de Robinson Almeida, portanto, ocorreu depois da fase das convenções partidárias e antes do início oficial da propaganda eleitoral geral, autorizada a partir de 16 de agosto. O encontro integrou a mobilização do deputado estadual para buscar novo mandato na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) e reuniu representantes políticos, comunitários e de movimentos sociais de diferentes áreas da capital.

Metrô de Salvador é apresentado como símbolo de investimento estadual

A mobilidade urbana ocupou parte significativa da manifestação de Rui Costa. O ex-governador utilizou o Metrô de Salvador e Lauro de Freitas como exemplo de intervenção estruturante realizada sob responsabilidade estadual e associada ao ciclo de governos petistas na Bahia.

“O Metrô que nós fizemos aqui foi para atender toda a cidade. O Metrô corta a cidade, do aeroporto até o Campo Grande, com as obras de sua ampliação.”

O sistema metroviário passou à responsabilidade do Governo da Bahia em 2013 e iniciou operação assistida em junho de 2014, inicialmente entre as estações Lapa e Acesso Norte. A malha possui atualmente 39 quilômetros, 21 estações e 40 trens em operação, além de dez terminais rodoviários integrados, segundo a Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB).

A referência feita por Rui ao Campo Grande corresponde à expansão prevista entre a Lapa e o Campo Grande, e não à configuração atualmente em funcionamento. O chamado Tramo 4 terá 1,105 quilômetro, integralmente subterrâneo, e investimento projetado superior a R$ 1,518 bilhão, com participação de recursos federais e estaduais no âmbito do PAC Seleções. A CTB mantém processo específico para implantação desse trecho.

VLT entra na disputa política sobre mobilidade no Subúrbio

Rui também destacou o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador e Região Metropolitana, projeto estadual destinado principalmente ao Subúrbio Ferroviário e a corredores de ligação com outras regiões da cidade.

“E, com Lula e Jerônimo, também estamos construindo 40 quilômetros de VLT que vão para o outro miolo da cidade, onde o povo mora, e que sempre foi esquecido pelo grupo político que governa Salvador.”

Embora Rui tenha utilizado no discurso a referência aproximada de 40 quilômetros, as informações oficiais atualizadas da Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia indicam que o projeto completo prevê aproximadamente 43,71 quilômetros de extensão e 50 paradas, além da Estação Calçada. A implantação foi autorizada em junho de 2024 e está estruturada em diferentes trechos.

A proposta prevê integração física e operacional com o sistema metroviário, além de intervenções urbanísticas associadas ao corredor ferroviário. Parte das obras já provoca alterações na circulação viária e nas linhas municipais de ônibus, como ocorreu na região da Calçada em julho de 2026, quando a Prefeitura de Salvador organizou operação especial para adequar o transporte coletivo às intervenções do projeto.

Rui Costa critica transporte por ônibus e integração com o Metrô

Ao tratar da relação entre ônibus e transporte sobre trilhos, Rui Costa transferiu parte do debate para a administração municipal e criticou a política de mobilidade conduzida pela Prefeitura de Salvador.

Segundo ele, moradores de bairros populares enfrentariam dificuldades para chegar às estações do Metrô devido ao que classificou como insuficiência ou redução de linhas alimentadoras.

“A população sofre nos bairros com a redução dos ônibus e para chegar à estação de metrô porque eles não alimentam as estações a partir do transporte dos bairros. Essa turma é incompetente”, afirmou.

Críticas ao VLT ampliam confronto com Bruno Reis

Rui Costa também reagiu às manifestações anteriores de Bruno Reis sobre o VLT e associou as críticas do prefeito à maneira como, em sua avaliação, o grupo político que administra Salvador percebe o Subúrbio Ferroviário.

“O prefeito chegou a dizer que esse VLT liga nada a lugar nenhum. Sabe por que ele acha que o Subúrbio é qualquer lugar? Porque ele nunca enxergou o Subúrbio.”

Na sequência, acrescentou:

“A diferença de nós para eles está no olhar e no cuidado com quem mais precisa.”

Saúde entra no balanço apresentado pelo ex-governador

Rui Costa também utilizou a expansão da rede pública de saúde como argumento para defender a atuação estadual em Salvador. Entre os equipamentos mencionados aparecem o Hospital do Subúrbio, maternidades e policlínicas localizadas em regiões como Narandiba e Escada.

O Hospital do Subúrbio foi inaugurado em 13 de setembro de 2010, durante o governo Jaques Wagner, e tornou-se a primeira experiência brasileira de parceria público-privada aplicada a um hospital público. O equipamento foi estruturado para atendimento de urgência e emergência e permanece integrado à rede estadual do Sistema Único de Saúde.

Em junho de 2022, ainda durante o governo Rui Costa, o Estado inaugurou a Policlínica de Narandiba, com investimento divulgado de R$ 24,1 milhões e capacidade prevista para mais de 14 mil consultas e exames mensais. Na mesma semana foi entregue a unidade de Escada, no Subúrbio Ferroviário, com investimento informado de R$ 23,2 milhões.

Rui relacionou esses equipamentos a uma política de ampliação da presença estadual em bairros com maior demanda por serviços públicos. No discurso, acrescentou investimentos em educação, habitação e infraestrutura ao conjunto de iniciativas que atribui às administrações estaduais petistas e à cooperação com governos federais do mesmo campo político.

Temer e Bolsonaro são citados em contraponto à política de investimentos

O ex-governador também utilizou os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro como contraponto político, atribuindo aos dois períodos redução de investimentos federais na Bahia e enfraquecimento de políticas sociais, entre elas o programa habitacional Minha Casa Minha Vida.

As declarações integram a argumentação eleitoral apresentada por Rui e foram utilizadas para defender a tese de que a coincidência política entre Palácio do Planalto e Governo da Bahia favorece a execução de projetos no estado.

Rui direciona críticas ao grupo de ACM Neto

Além de Bruno Reis, Rui Costa direcionou o discurso ao grupo político liderado por ACM Neto, que disputa o Governo da Bahia pelo União Brasil. Ao tratar principalmente de mobilidade e políticas públicas direcionadas a áreas populares, o petista contrapôs o modelo administrativo defendido pela base governista ao projeto apresentado pela oposição.

A crítica ocorre em uma eleição na qual Salvador possui importância estratégica. Além de concentrar o maior eleitorado municipal da Bahia, a capital é administrada pelo União Brasil e constitui a principal base política e administrativa do grupo ligado a ACM Neto e Bruno Reis.

Ao mesmo tempo, a chapa governista busca utilizar investimentos estaduais e federais realizados ou em execução na cidade para ampliar sua presença eleitoral na capital. Metrô, VLT, saúde e infraestrutura.


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