Ex-ministro Rui Costa atribui ao presidente Lula expansão de universidades e institutos federais na Bahia e destaca saúde, Metrô e VLT

Salvador, sábado (08/08/2026) — O ex-governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT), escolhido em convenção partidária para disputar uma vaga no Senado Federal nas Eleições 2026, afirmou que a Bahia ampliou de forma significativa sua infraestrutura pública nas áreas de educação, saúde, mobilidade, logística e indústria durante os governos do Partido dos Trabalhadores. Em plenária do deputado estadual Robinson Almeida (PT), realizada em Salvador, Rui atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) papel central na expansão da educação federal no estado e citou universidades, institutos federais, hospitais, o Metrô de Salvador, o VLT, a Ponte Salvador–Itaparica e a retomada de projetos industriais como exemplos do ciclo de investimentos defendido pelo grupo governista.

O encontro ocorreu no bairro de Nazaré e integrou a mobilização de Robinson Almeida para a disputa por um novo mandato na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Segundo os organizadores, a plenária reuniu quase mil lideranças políticas, comunitárias e de movimentos sociais, procedentes de aproximadamente 35 bairros de Salvador. O nome do parlamentar havia sido oficializado pelo PT em convenção realizada em 31 de julho.

Rui Costa, por sua vez, integra a chapa majoritária governista ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, candidato à reeleição, do vice-governador Geraldo Júnior e do senador Jaques Wagner, também candidato ao Senado. A composição foi homologada em convenção realizada em 1º de agosto. Nesta etapa do calendário eleitoral, a escolha partidária antecede a formalização dos pedidos de registro perante a Justiça Eleitoral, cujo prazo termina em 15 de agosto de 2026.

Rui Costa coloca expansão da educação federal no centro do discurso

Ao reconstruir historicamente a presença das instituições federais de ensino superior na Bahia, Rui Costa afirmou que o estado permaneceu durante décadas com uma estrutura universitária federal concentrada e atribuiu aos governos liderados por Lula uma mudança de escala na interiorização do ensino.

“O Lula enxergou a Bahia. Desde Dom Pedro I, o Brasil teve muitos presidentes. E a Bahia só tinha uma universidade federal. Depois, de lá para cá, algum presidente criou alguma universidade na Bahia? Eles não enxergavam a Bahia. O Lula criou cinco. Hoje a Bahia tem seis universidades federais”, afirmou.

Dados do Ministério da Educação confirmam atualmente a atuação, na Bahia, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). Algumas possuem sede no estado e outras mantêm campi em território baiano.

A cronologia jurídica, entretanto, mostra que essa expansão ocorreu em diferentes governos federais. A UFBA foi instituída em 1946. A Univasf foi criada por lei sancionada em 2002, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, com atuação multicampi em Pernambuco e na Bahia. A UFRB surgiu em 2005, no primeiro governo Lula. A Unilab foi criada em 2010, também no governo Lula, e posteriormente passou a manter unidade em São Francisco do Conde. Já UFOB e UFSB foram formalmente criadas em 2013, durante o governo Dilma Rousseff. Assim, o crescimento da presença universitária federal na Bahia atravessou diferentes administrações, embora parcela relevante da interiorização tenha ocorrido durante o ciclo de governos do PT.

Institutos federais e interiorização do ensino técnico

Rui Costa também utilizou sua trajetória pessoal para abordar a expansão do ensino técnico federal. O ex-governador recordou o período em que estudou na antiga Escola Técnica Federal da Bahia, no Barbalho, em Salvador, entre o final da década de 1970 e o início dos anos 1980.

“Naquela época, em 1978, tinha quantas escolas técnicas federais na Bahia? Uma. Aqui no Barbalho, onde eu estudei. Hoje, a Bahia tem 37 e mais 8 em construção”, declarou.

O processo de expansão da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica ganhou nova etapa com o Novo PAC. O Ministério da Educação anunciou oito novos campi para a Bahia, localizados em Santo Estêvão, Ribeira do Pombal, Itabuna, Macaúbas, Poções, Salvador, Ruy Barbosa e Remanso, com previsão inicial de R$ 200 milhões para construção das unidades e capacidade estimada de aproximadamente 11,2 mil novas vagas.

O estágio de implantação não é idêntico entre os novos campi. Em julho de 2026, por exemplo, portaria do Ministério da Educação autorizou formalmente o funcionamento do Campus Itabuna do IFBA, enquanto outras unidades permaneciam em diferentes fases de obras, estruturação administrativa ou implantação. Por essa razão, números sobre campi existentes e unidades em construção podem variar conforme o critério utilizado e a fase considerada.

Rede estadual ultrapassa 700 escolas em tempo integral

Na educação básica, Rui Costa associou o atual governo de Jerônimo Rodrigues à ampliação da infraestrutura e do ensino em tempo integral, mencionando intervenções realizadas em centenas de unidades da rede estadual.

Os dados oficiais exigem distinção entre escolas novas, unidades modernizadas e estabelecimentos que oferecem educação em tempo integral. Em junho de 2026, o Governo da Bahia informou que a rede havia alcançado mais de 700 escolas com oferta de tempo integral. No mesmo período, a administração estadual registrava 117 novas escolas construídas e entregues desde 2023.

A diferenciação é relevante porque o universo das escolas em jornada ampliada inclui tanto prédios novos quanto unidades anteriormente existentes que foram ampliadas, modernizadas ou adaptadas. O conjunto integra uma política estadual de expansão do ensino integral que vem sendo apresentado pelo governo como um dos principais eixos de investimento educacional.

Rui destaca hospitais e regionalização da assistência

Na área da saúde, o ex-governador relacionou os governos estaduais do PT à ampliação da rede de atendimento em Salvador e, principalmente, à interiorização de serviços de média e alta complexidade.

Na capital, Rui mencionou equipamentos como o Hospital do Subúrbio, o Hospital da Mulher, o Hospital Ortopédico do Estado da Bahia e o Hospital Estadual 2 de Julho, além de maternidades, policlínicas e unidades especializadas.

O Hospital do Subúrbio, localizado em Periperi, iniciou sua trajetória em 2010 e tornou-se a primeira unidade hospitalar pública brasileira estruturada por meio de Parceria Público-Privada para gestão e operação. Atualmente, atende pacientes de Salvador e de diferentes municípios baianos em serviços de média e alta complexidade.

No interior, Rui destacou hospitais regionais e policlínicas como instrumentos utilizados para ampliar a oferta de exames, consultas especializadas, cirurgias e internações fora da capital, reduzindo a necessidade de deslocamentos de pacientes para Salvador.

Para o candidato ao Senado, a descentralização expressaria uma diferença política entre o projeto defendido pelo PT e seus adversários.

“Então, a diferença de nós para eles está no olhar e no cuidado com quem mais precisa. É por isso que a elite brasileira odeia o Lula e o PT”, declarou Rui Costa.

A afirmação integra o discurso político-eleitoral do ex-governador. A regionalização da assistência, por sua vez, constitui uma política pública mensurável a partir da expansão de hospitais, policlínicas, leitos e serviços especializados, cuja efetividade depende também de indicadores como acesso, regulação, tempo de espera, produtividade das unidades e capacidade de atendimento.

Metrô e VLT entram no balanço apresentado por Rui Costa

A mobilidade urbana ocupou outra parte do discurso. Rui associou o ciclo de governos petistas à implantação e à expansão do Sistema Metroviário Salvador–Lauro de Freitas e ao projeto do VLT de Salvador e Região Metropolitana.

“O Metrô que nós fizemos aqui foi para atender toda a cidade. O Metrô corta a cidade, do aeroporto até o Campo Grande, com as obras de sua ampliação. E, com Lula e Jerônimo, também estamos construindo 40 quilômetros de VLT que vão para o outro miolo da cidade, onde o povo mora, e que sempre foi esquecido pelo grupo político que governa Salvador”, afirmou.

Atualmente, o Metrô Bahia possui 39 quilômetros de extensão, 21 estações e duas linhas. A chegada ao Campo Grande mencionada por Rui ainda integra a expansão em execução: o Tramo 4 da Linha 1, entre Lapa e Campo Grande, terá aproximadamente 1,1 quilômetro, integralmente subterrâneo, com investimento previsto superior a R$ 1,5 bilhão, utilizando recursos federais e estaduais.

O VLT possui dimensão maior do que os cerca de 40 quilômetros mencionados de forma arredondada no discurso. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia, o projeto alcança aproximadamente 43,71 quilômetros, com 50 paradas, além da Estação Calçada. As obras foram autorizadas em junho de 2024 e o sistema será conectado ao metrô em pontos como Águas Claras e Bairro da Paz.

Rodovias e Ponte Salvador–Itaparica ampliam pauta de infraestrutura

Rui Costa também mencionou investimentos estaduais em recuperação, pavimentação, implantação e duplicação de rodovias, relacionando a infraestrutura viária à integração dos municípios e ao escoamento da produção.

Entre os projetos estruturantes, destacou a Ponte Salvador–Itaparica, empreendimento que entrou em fase efetiva de implantação em 2026. A estrutura principal terá 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos-os-Santos, além de sistemas viários complementares em Salvador e na Ilha de Itaparica.

O início oficial das obras ocorreu em 1º de julho de 2026, em Vera Cruz. O empreendimento está estimado em cerca de R$ 11,6 bilhões e é apresentado como um novo corredor de integração entre Salvador, a Ilha de Itaparica, o Recôncavo, o Baixo Sul e outras regiões da Bahia.

BYD, Estaleiro Enseada e Fafen integram discurso sobre reindustrialização

No campo econômico, Rui vinculou a política dos governos Lula e Jerônimo a uma estratégia de reindustrialização da Bahia. O ex-governador citou como exemplos a chegada da BYD a Camaçari, a retomada das atividades do Estaleiro Enseada, em Maragogipe, e o processo de reativação da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA).

A fábrica da BYD em Camaçari foi inaugurada em 9 de outubro de 2025, com investimento anunciado de R$ 5,5 bilhões. Instalada no antigo polo automotivo onde funcionava a Ford, a unidade marcou o início da produção brasileira da montadora chinesa.

No mesmo dia, o Governo Federal anunciou em Maragogipe novos investimentos relacionados à indústria naval, com retomada de atividades no Estaleiro Enseada e contratação de embarcações pela Petrobras. A agenda também incluiu o processo de retomada da Fafen-BA, associada à política federal de redução da dependência brasileira de fertilizantes importados.

Rui utilizou a saída da Ford como contraponto político à instalação da BYD.

“Então, a verdade é que eles não enxergavam a Bahia. A Ford foi embora do estado no governo Bolsonaro e nada fizeram. O Lula enxergou a Bahia, trabalha e ajuda nosso estado”, afirmou.

Plenária integra mobilização eleitoral de Robinson Almeida

As declarações ocorreram durante a plenária de Robinson Almeida, que disputa a reeleição para deputado estadual. O encontro reuniu apoiadores, representantes de movimentos sociais e lideranças comunitárias, segundo os organizadores.

Robinson foi escolhido pelo PT para tentar renovar o mandato na ALBA e vem realizando agendas políticas em Salvador e em municípios do interior. Durante a plenária deste sábado, Rui também manifestou apoio à candidatura do parlamentar.

O evento ocorreu em uma etapa de transição entre as convenções partidárias e o período formal de campanha eleitoral. Pelo calendário das Eleições 2026, os pedidos de registro podem ser apresentados até 15 de agosto, enquanto a propaganda eleitoral está autorizada a partir de 16 de agosto.

Linha do tempo: expansão federal, grandes obras e reindustrialização

  • 1946 — É instituída a Universidade Federal da Bahia, origem histórica da atual UFBA.
  • 2002 — Lei sancionada no governo Fernando Henrique Cardoso cria a Univasf, com atuação multicampi em Pernambuco e na Bahia.
  • 2005 — No primeiro governo Lula, é criada a UFRB, desmembrada da UFBA e sediada em Cruz das Almas.
  • 2010 — É criada, no segundo governo Lula, a Unilab, posteriormente instalada também em São Francisco do Conde, na Bahia. No mesmo ano, o Hospital do Subúrbio passa a integrar a expansão da rede estadual de saúde em Salvador.
  • 2013 — Durante o governo Dilma Rousseff, são criadas a UFOB e a UFSB, ampliando a interiorização da educação superior federal.
  • 2024 — Obras do novo VLT de Salvador são autorizadas; o Governo Federal também anuncia oito novos campi de institutos federais para a Bahia.
  • 09/10/2025 — A BYD inaugura a fábrica de Camaçari; na mesma data, agenda federal na Bahia marca anúncios envolvendo o Estaleiro Enseada e a retomada da Fafen.
  • 02/04/2026 — Lula, Jerônimo Rodrigues e Rui Costa participam, em Salvador, de agenda que marca novo avanço do VLT e do Tramo 4 do Metrô entre Lapa e Campo Grande.
  • 01/07/2026 — Governo federal e Governo da Bahia participam do marco inicial das obras da Ponte Salvador–Itaparica, estimada em R$ 11,6 bilhões.
  • 01/08/2026 — Convenção da base governista homologa Rui Costa e Jaques Wagner para o Senado, Jerônimo Rodrigues para governador e Geraldo Júnior para vice.
  • 08/08/2026 — Durante plenária de Robinson Almeida em Salvador, Rui apresenta seu balanço político dos investimentos federais e estaduais realizados na Bahia.

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