Nesta terça-feira (04/08/2026), a Polícia Federal cumpriu 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão em nova fase da Operação Sem Desconto, destinada a investigar suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As ordens foram expedidas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Petição 16.435, e alcançaram familiares, empresários, operadores financeiros e escritórios de advocacia ligados ao entorno do senador Weverton Rocha (PDT-MA), apontado pela investigação como possível beneficiário das movimentações apuradas.
Nova fase investiga destino e ocultação dos recursos
A etapa deflagrada em 4 de agosto representa uma mudança de eixo na Operação Sem Desconto. Enquanto as primeiras frentes se concentraram na inclusão irregular de descontos, na atuação das associações e na participação de servidores do INSS, a investigação atual procura identificar a origem, o destino e os mecanismos de ocultação dos recursos que teriam circulado após a prática dos crimes antecedentes.
Segundo a Polícia Federal, foram identificados indícios de movimentações financeiras e patrimoniais realizadas por pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações em dinheiro vivo. A suspeita é de que esses instrumentos tenham sido utilizados para dificultar o rastreamento dos valores e afastá-los de sua eventual origem ilícita.
A apuração teve como ponto de partida elementos encontrados no telefone celular de Weverton Rocha, apreendido em uma etapa anterior, além de documentos, informações financeiras, vínculos empresariais e outras provas reunidas nos autos. A hipótese policial é de que a suposta lavagem de capitais teria como antecedente uma possível corrupção passiva vinculada à atuação política atribuída ao senador no contexto dos descontos associativos do INSS.
A relação de alvos divulgada pelo STF não inclui o parlamentar entre as nove pessoas diretamente submetidas às buscas desta fase. O senador, entretanto, aparece na decisão como possível beneficiário da estrutura financeira e patrimonial sob investigação. Essa condição não representa declaração de culpa, mas define o vínculo que a PF procura esclarecer por meio das diligências e da análise do material apreendido.
PF atribui funções ao senador e a operadores financeiros
Na representação encaminhada ao Supremo, a Polícia Federal sustenta que Weverton Rocha seria responsável por formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar transferências, tratar de imóveis, orientar providências e interferir em decisões patrimoniais. Essas atribuições constituem hipóteses investigativas e ainda dependerão de confirmação por perícias, depoimentos, cruzamento de dados e eventual avaliação do Ministério Público e do Judiciário.
O advogado Willer Tomaz de Souza é apresentado pela PF como uma figura de sustentação da estrutura investigada, com ligações a empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos. Na descrição constante da decisão, esse conjunto funcionaria como um centro financeiro, patrimonial e logístico disponibilizado aos supostos beneficiários.
Também são citados pela investigação Fayla Zulmira Menezes, Frederico de Abreu Silva Campos, Daniel de Faria Jerônimo Leite e Erlânio Furtado Luna Xavier. Este último é apontado como sócio de Weverton Rocha em postos de combustíveis que, segundo a PF, teriam participado de operações financeiras examinadas como possíveis mecanismos de lavagem de dinheiro.
No núcleo familiar, foram alvos Samya Lorene de Oliveira Bernardes Rocha, esposa do senador; Anna Catarina Viana Rocha, filha; e as irmãs Geyse Rocha Linhares e Shainess Kellmassen Rocha Marques de Souza. A inclusão nas diligências decorre das funções financeiras, administrativas ou patrimoniais que a PF atribui a cada investigada, sem que isso represente responsabilização criminal definitiva.
Repasses de R$ 11 milhões à esposa são investigados
Entre os principais elementos mencionados na decisão está a informação de que Samya Rocha teria recebido mais de R$ 11 milhões de empresas relacionadas a Willer Tomaz durante o período analisado. Em uma das situações descritas, registrada em 2024, uma transferência de R$ 500 mil teria sido confirmada na conta pessoal da esposa do senador depois de uma cobrança atribuída ao parlamentar.
A investigação deverá determinar a natureza econômica dos pagamentos, a origem dos recursos, a existência de serviços ou negócios que os justifiquem e a compatibilidade das operações com as declarações fiscais e patrimoniais das partes. O valor acumulado, isoladamente, não comprova lavagem de dinheiro, mas foi considerado relevante para autorizar o aprofundamento das diligências.
A PF também examina a relação entre esses fluxos e empresas contratadas por administrações municipais do Maranhão, construtoras, agentes políticos locais e contratos públicos. Uma das questões centrais será estabelecer se os recursos mantêm ligação efetiva com o esquema de descontos previdenciários ou se possuem origem autônoma e lícita, como sustentam as defesas.
Imóvel de R$ 6 milhões aparece na investigação
Outro ponto analisado é uma residência avaliada em R$ 6 milhões, utilizada pelo senador em Brasília. De acordo com trechos da decisão divulgados pela imprensa, o imóvel teria sido negociado com pagamento inicial de R$ 4 milhões e saldo de R$ 2 milhões, mas a aquisição, formalizada em abril de 2023, teria sido registrada em nome da empresa WT Administração de Imóveis e Bens S.A., ligada a Willer Tomaz.
A investigação procura esclarecer quem efetivamente financiou a compra, qual foi a origem dos valores, por que o bem foi registrado em nome da empresa e em quais condições teria sido colocado à disposição do parlamentar. Essas circunstâncias são avaliadas pela PF como possíveis sinais de ocultação patrimonial, tese que ainda deverá ser confrontada com contratos, registros contábeis, declarações fiscais e explicações dos envolvidos.
A utilização de um imóvel pertencente a terceiro não constitui, por si só, crime. Para caracterizar lavagem de capitais, será necessário demonstrar que a estrutura teve a finalidade de ocultar ou dissimular a propriedade, a origem ou o beneficiário de recursos provenientes de infração penal.
Triangulação de R$ 5 milhões envolve empresas e posto de combustível
Os autos também mencionam uma operação na qual a Qualitech Engenharia teria transferido R$ 5 milhões ao Posto Petro São Francisco. No mesmo dia, segundo a investigação, o estabelecimento teria repassado valor idêntico à DJ Agropecuária, empresa que aparece como destinatária recorrente de recursos ligados ao grupo.
A filha do senador, Anna Catarina Rocha, é apontada como participante da administração dos postos Petro São Francisco e Petro São José. A PF afirma investigar contratos de mútuo utilizados para justificar transferências de R$ 5 milhões e R$ 2 milhões, documentos cuja regularidade e correspondência com operações econômicas efetivas serão examinadas.
A expressão “triangulação financeira” é utilizada quando o dinheiro passa por diferentes pessoas ou empresas antes de chegar ao destinatário final. Esse tipo de operação pode decorrer de relações empresariais legítimas, mas também é investigado em casos nos quais exista suspeita de fragmentação, ocultação ou dissimulação dos fluxos.
Operações em espécie e uso de aeronaves
A decisão ainda descreve movimentações em dinheiro vivo de R$ 500 mil, R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão, algumas delas relacionadas, segundo a PF, a deslocamentos em aeronaves particulares entre Brasília e o Maranhão. Em maio de 2026, agentes apreenderam R$ 1 milhão em espécie com um investigado que, de acordo com a hipótese policial, entregaria o dinheiro a um ex-assessor de Weverton Rocha.
Durante as buscas de 4 de agosto, a Polícia Federal encontrou uma máquina de contar cédulas e valores em espécie. O total apreendido e a titularidade do equipamento não foram detalhados oficialmente. A localização do objeto será analisada juntamente com documentos, mensagens e registros financeiros, sem que sua existência isolada permita concluir pela prática de um crime.
As diligências abrangeram dispositivos eletrônicos, agendas, controles financeiros, documentos societários e patrimoniais, procurações, certificados digitais, comprovantes de pagamentos, contratos, registros sobre empresas, dinheiro em espécie e elementos relacionados a aeronaves, pilotos e hangares.
Núcleo familiar teria divisão de tarefas, segundo a PF
A investigação atribui funções diferentes às pessoas alcançadas pelas medidas. Fayla Zulmira Menezes, identificada em mensagens como integrante do setor financeiro ligado a Willer Tomaz, teria controlado saldos, executado pagamentos, organizado comprovantes e acompanhado entregas de numerário.
Geyse Rocha Linhares teria atuado na administração de propriedades rurais e empresas de radiodifusão. Shainess Rocha, por sua vez, é citada em movimentações consideradas contas de passagem, incluindo depósitos e transferências de R$ 130 mil e R$ 170 mil.
Essas atribuições ainda precisam ser individualizadas. A análise deverá demonstrar se cada pessoa tinha conhecimento da eventual origem ilícita dos recursos, se participou voluntariamente de mecanismos de ocultação ou se apenas realizou atos administrativos e empresariais sem vínculo consciente com os crimes investigados.
Buscas em escritórios e proteção do sigilo profissional
Parte das diligências alcançou escritórios de advocacia associados aos investigados. André Mendonça determinou que as buscas fossem realizadas de forma seletiva, com acompanhamento da Ordem dos Advogados do Brasil e preservação de documentos referentes a clientes sem relação com a investigação.
A decisão delimitou o acesso a registros vinculados aos fatos apurados, incluindo referências contábeis específicas mencionadas pela PF. A medida procura conciliar a obtenção de provas com a inviolabilidade profissional da advocacia e o sigilo das relações entre advogados e clientes estranhos ao procedimento.
Em relação a Willer Tomaz, o ministro também autorizou o acesso a dados de localização de seu telefone por Estações Rádio-Base, restrito ao período indicado pela Polícia Federal. A justificativa foi permitir sua localização diante dos deslocamentos frequentes entre Brasília e o Maranhão, sem autorizar acesso irrestrito ao conteúdo das comunicações.
PGR considerou buscas excessivas nesta etapa
A Procuradoria-Geral da República manifestou-se contra os mandados de busca e apreensão. Para o órgão, os indícios reunidos formavam um quadro verossímil, mas medidas menos ostensivas, como quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático, poderiam confirmar a origem dos recursos, as conexões financeiras e eventual incompatibilidade patrimonial antes da realização de incursões nos endereços.
André Mendonça discordou do parecer. O ministro considerou que os elementos apresentados ultrapassavam o campo das conjecturas e incluíam mensagens extraídas de celulares, metadados, vínculos societários, coincidências cadastrais, estruturas empresariais, informações de inteligência financeira e fluxos patrimoniais considerados atípicos.
O relator também apontou risco de destruição, transferência ou ocultação de provas digitais, documentos físicos, dinheiro e bens móveis. A divergência entre o STF e a PGR revela que a proporcionalidade das medidas cautelares constitui um dos aspectos jurídicos que poderão ser questionados pelas defesas durante a tramitação do caso.
Defesas negam irregularidades e apontam motivação política
Weverton Rocha afirmou que recebeu a nova etapa da operação com tranquilidade, embora considere que as diligências tenham motivação política relacionada à disputa eleitoral. O senador disse ter sido surpreendido pelo alcance das buscas contra familiares e apoiadores.
Segundo o parlamentar, as movimentações citadas no processo decorrem de atividades profissionais e empresariais e foram declaradas à Receita Federal. Weverton afirmou que não tem nada a esconder e que apresentará os esclarecimentos necessários.
A defesa de Willer Tomaz sustentou que a diligência teria ocorrido porque o advogado é proprietário de uma aeronave utilizada, em caráter particular, pelo senador. Também afirmou que a disponibilização do avião decorreu de relação pessoal e amistosa e negou vínculo com fraudes em benefícios previdenciários.
Essa versão diverge da descrição apresentada pelo STF, segundo a qual Willer figura como investigado e possível responsável por uma estrutura de apoio financeiro, patrimonial e logístico. A definição jurídica de sua posição dependerá da análise dos autos, das provas apreendidas e das manifestações posteriores da PF, da PGR e do Supremo.
Como funcionava o esquema de descontos associativos
A Operação Sem Desconto começou a partir da identificação de cobranças mensais realizadas diretamente em aposentadorias e pensões. Entidades associativas celebravam Acordos de Cooperação Técnica com o INSS e recebiam autorização para incluir contribuições na folha dos beneficiários, desde que houvesse filiação e consentimento expressos.
Auditoria da Controladoria-Geral da União revelou, porém, falhas graves na comprovação das autorizações. Entre 1.273 aposentados e pensionistas entrevistados nos 26 estados e no Distrito Federal, 97,6% afirmaram não ter autorizado os descontos, 95,9% disseram não participar das associações e 72,4% sequer sabiam que os valores estavam sendo retirados dos benefícios.
Os descontos associativos cresceram de aproximadamente R$ 536,3 milhões em 2021 para R$ 1,3 bilhão em 2023. A estimativa para 2024 alcançava R$ 2,6 bilhões. Entre 2019 e 2024, as entidades movimentaram cerca de R$ 6,3 bilhões por meio desse sistema, montante que passou a ser examinado para determinar quais cobranças eram regulares e quais foram realizadas sem autorização.
A apuração identificou suspeitas de filiações fictícias, falsificação de assinaturas, inserção massiva de dados de beneficiários, pagamento de vantagens a agentes públicos, empresas de fachada e operadores destinados a receber ou ocultar os recursos.
Ressarcimento alcançou 4,2 milhões de beneficiários
Paralelamente à investigação criminal, o governo federal implantou um acordo administrativo para ressarcir aposentados e pensionistas. No balanço oficial apresentado pelo INSS em 6 de fevereiro de 2026, aproximadamente R$ 2,9 bilhões haviam sido devolvidos a 4,2 milhões de beneficiários, a partir de 6,3 milhões de contestações.
O INSS informou ter realizado contestações de ofício para 243.239 pessoas em situação de maior vulnerabilidade, incluindo idosos com mais de 80 anos, indígenas, quilombolas e moradores de comunidades ribeirinhas.
O acordo prevê devolução integral dos descontos não autorizados referentes ao período de março de 2020 a março de 2025, com correção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Também foram previstas autorização biométrica ou eletrônica qualificada para novos descontos, suspensão automática de cobranças contestadas, monitoramento de reclamações e auditorias especiais nos acordos vigentes.
Quem é Weverton Rocha
Weverton Rocha Marques de Sousa, conhecido politicamente como Weverton, é administrador e político brasileiro filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT). Nascido em 8 de outubro de 1979, em Imperatriz, no Maranhão, iniciou sua trajetória pública no movimento estudantil, no qual ocupou a vice-presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE), e posteriormente exerceu funções no Governo do Maranhão e no Ministério do Trabalho. Foi deputado federal pelo estado entre 2011 e 2019, período em que também liderou o PDT na Câmara dos Deputados, e assumiu, em fevereiro de 2019, o mandato de senador pelo Maranhão, com vigência até 2027.
Linha do tempo da Operação Sem Desconto
- 2023 — CGU inicia apurações: o crescimento acelerado dos descontos associativos e o aumento das reclamações levam a Controladoria-Geral da União a aprofundar auditorias sobre os acordos mantidos pelo INSS.
- Abril a julho de 2024 — Beneficiários são entrevistados: a CGU consulta 1.273 aposentados e pensionistas em todo o país. O levantamento revela que 97,6% dos entrevistados não reconheciam autorização para as cobranças.
- Setembro de 2024 — Relatório de auditoria é consolidado: as conclusões sobre falhas de controle, autorizações inconsistentes e crescimento dos descontos são compartilhadas com os órgãos responsáveis pela apuração criminal.
- 23 de abril de 2025 — Operação Sem Desconto é deflagrada: PF e CGU realizam uma operação nacional contra entidades associativas, intermediários e servidores suspeitos de participação no esquema. Prisões, buscas, afastamentos de agentes públicos e apreensões de bens ampliam a repercussão institucional do caso.
- 24 de junho de 2025 — STF cobra plano de ressarcimento: União e INSS são chamados a apresentar medidas para devolver valores aos aposentados e reforçar os mecanismos de controle sobre descontos associativos.
- Julho de 2025 — Acordo de devolução começa a ser executado: beneficiários passam a aderir ao procedimento administrativo de ressarcimento, sem deságio e com correção monetária.
- 13 de novembro de 2025 — Ex-presidente do INSS é preso: o STF decreta a prisão preventiva de Alessandro Stefanutto e de outras nove pessoas. A fase concentra-se na atuação da Conafer, que recebeu mais de R$ 708 milhões do INSS; segundo a investigação, R$ 640,9 milhões teriam sido direcionados a empresas e operadores ligados ao grupo.
- 18 de dezembro de 2025 — Investigação alcança núcleo político e financeiro: o STF autoriza 16 prisões preventivas, monitoramento eletrônico de oito investigados e afastamentos de cargos. A PF pede a prisão de Weverton Rocha, mas a PGR se manifesta contra e André Mendonça indefere a medida por falta de provas consolidadas naquele momento. O senador é alvo de busca e apreensão.
- 17 de março de 2026 — Operação avança no Ceará e no Distrito Federal: o STF determina duas prisões preventivas e impõe tornozeleira eletrônica e outras restrições à deputada federal Maria Gorete Pereira. A apuração examina filiações fictícias, empresas de fachada, pagamentos a agentes do INSS e ocultação patrimonial.
- 27 de maio de 2026 — PF e CGU realizam novas diligências: mandados são cumpridos para aprofundar o rastreamento de operadores, entidades, empresas e movimentações financeiras vinculadas aos descontos não autorizados.
- 14 de julho de 2026 — Primeiro inquérito é concluído: a PF indicia 48 pessoas no núcleo relacionado à Conafer, entre ex-dirigentes do INSS, empresários, dirigentes associativos e operadores financeiros.
- 21 de julho de 2026 — STF autoriza medida para descapitalizar investigado: a PF cumpre mandado no Distrito Federal contra uma pessoa apontada como um dos principais atores do esquema, com foco na recuperação de ativos e no impedimento da dilapidação patrimonial.
- 4 de agosto de 2026 — Nova fase alcança núcleo ligado a Weverton Rocha: a PF cumpre 18 buscas no Distrito Federal e no Maranhão e passa a investigar repasses, imóveis, contas de terceiros, empresas, dinheiro em espécie e estruturas patrimoniais que teriam o senador como possível beneficiário.
A fase de 4 de agosto amplia a investigação para além das irregularidades administrativas que permitiram os descontos. O ponto central passa a ser a eventual conexão entre os recursos retirados de aposentados, possíveis pagamentos por atuação política e uma rede de empresas, imóveis, contas bancárias, postos de combustíveis, propriedades rurais e operadores financeiros. A validade dessa hipótese dependerá da demonstração do percurso do dinheiro e da vinculação consciente de cada investigado aos crimes antecedentes.
A divergência entre a PGR e o ministro André Mendonça demonstra que a suficiência dos indícios e a proporcionalidade das buscas ainda serão objeto de debate jurídico. A PF e o STF consideraram as medidas necessárias para preservar provas; o Ministério Público avaliou que quebras de sigilo seriam inicialmente suficientes. A investigação terá de conciliar o interesse público na responsabilização dos envolvidos com o respeito ao contraditório, à ampla defesa, ao sigilo profissional e à presunção de inocência.
O episódio reúne prejuízos contra uma população vulnerável, suspeitas de corrupção administrativa, possíveis ramificações políticas e mecanismos de ocultação patrimonial.








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