Deputado Robinson Almeida ironiza ACM Neto após pedido de busca da PF na Overclean e cita Banco Master; Nunes Marques negou diligência

O deputado estadual Robinson Almeida (PT) criticou, na quinta-feira (17/09/2026), o candidato do União Brasil ao Governo da Bahia, ACM Neto, após a divulgação de que a Polícia Federal (PF) havia solicitado ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para realizar busca e apreensão relacionada ao ex-prefeito de Salvador no âmbito da 10ª fase da Operação Overclean. A medida recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), mas foi negada pelo ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso, que considerou insuficientes os fundamentos apresentados para autorizar a diligência.

Ao comentar o caso, Robinson utilizou uma referência ao quadro musical do programa Fantástico para associar o episódio a outras controvérsias envolvendo o adversário político. “A terceira denúncia de corrupção: ACM Neto já pode pedir música”, declarou. O parlamentar relacionou três situações: os contratos de consultoria envolvendo empresa ligada a ACM Neto, as acusações apresentadas pelo ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro e a investigação da Operação Overclean envolvendo empresários e ex-integrantes de administrações municipais. As declarações constituem avaliação política de Robinson Almeida e não equivalem a conclusão judicial sobre responsabilidade criminal de ACM Neto.

A manifestação ocorre durante a campanha eleitoral baiana e envolve adversários de campos políticos distintos. ACM Neto negou participação nos fatos investigados pela Overclean e afirmou que a divulgação do pedido de busca representaria uma tentativa de interferência no processo eleitoral por meio de vazamentos e associações que considera indevidas. A negativa do candidato integra o contraditório necessário porque o pedido formulado pela PF, embora demonstre a existência de uma linha investigativa, não representa denúncia do Ministério Público nem condenação judicial.

PF pediu busca relacionada a ACM Neto, mas Nunes Marques não autorizou medida

A 10ª fase da Operação Overclean, deflagrada em 17/09/2026, investiga suspeitas de irregularidades em contratações realizadas pela área de Educação da Prefeitura de Belo Horizonte entre 2024 e 2025. Segundo a Polícia Federal, ao menos três procedimentos analisados resultaram em contratos que, somados, ultrapassam R$ 80 milhões, além de outros processos administrativos que também são examinados. A PF cumpriu 24 mandados de busca e apreensão em seis estados: Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo.

Dentro dessa investigação, a PF solicitou ao STF autorização para uma busca relacionada a ACM Neto. Reportagens baseadas nos autos informam que os investigadores examinam uma possível participação do ex-prefeito na indicação de Bruno Barral para a Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte e eventuais relações entre indicações administrativas e empresários posteriormente investigados. A PGR manifestou-se favoravelmente à diligência, enquanto Nunes Marques concluiu que os elementos apresentados não forneciam base suficiente para autorizá-la.

A decisão do ministro restringiu-se à medida cautelar solicitada. A negativa da busca não constitui absolvição, arquivamento da investigação ou conclusão sobre a existência ou inexistência de irregularidades. Da mesma forma, o pedido apresentado pela PF e o parecer favorável da PGR não significam comprovação de crime. Eles demonstram que os órgãos consideraram necessário investigar determinados elementos, enquanto o relator avaliou que os requisitos jurídicos para aquela diligência específica não estavam suficientemente demonstrados.

Overclean investiga contratos de mais de R$ 80 milhões na Educação de Belo Horizonte

Entre os nomes alcançados pela nova fase aparecem o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, os irmãos Fábio e Alex Parente e o ex-secretário municipal de Educação de Belo Horizonte Bruno Barral. Barral havia comandado anteriormente a Secretaria Municipal de Educação de Salvador, entre 2017 e 2020, durante a administração de ACM Neto, antes de assumir função semelhante na capital mineira.

Em 03/04/2025, durante a terceira fase da Overclean, o STF determinou o afastamento de Barral da Secretaria de Educação de Belo Horizonte. A investigação passou posteriormente a examinar mensagens, processos administrativos, relações empresariais e possíveis articulações políticas relacionadas à composição da administração municipal. ACM Neto sustentou anteriormente que a nomeação de Barral em Belo Horizonte havia sido uma decisão do então prefeito Fuad Noman.

Segundo comunicado oficial da Polícia Federal, os fatos investigados na décima fase podem configurar, em tese, crimes contra a Administração Pública, fraude em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A PF não informou que os mais de R$ 80 milhões representem valor efetivamente desviado. O montante corresponde ao valor agregado de pelo menos três contratos inseridos na investigação, distinção necessária para evitar que o volume contratual seja apresentado como prejuízo comprovado.

Robinson cita contratos de consultoria de empresa ligada a ACM Neto

Na declaração divulgada na quinta-feira, Robinson Almeida afirmou que um dos episódios seria o recebimento de R$ 3,6 milhões por empresa ligada a ACM Neto. A formulação do parlamentar exige uma precisão documental: informações provenientes de relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) anteriormente divulgadas indicaram cerca de R$ 3,6 milhões pagos pelo Banco Master e pela Reag, conjuntamente, à A&M Consultoria Ltda., empresa ligada ao ex-prefeito, considerando a janela temporal utilizada naquele levantamento.

Entre junho de 2023 e maio de 2024, segundo os dados divulgados, foram registrados aproximadamente R$ 1,5 milhão da Reag e R$ 1,3 milhão do Banco Master, além de pagamentos anteriores incluídos na apuração que levou ao montante aproximado de R$ 3,6 milhões. Outros documentos, abrangendo períodos e fontes distintas, registraram valores diferentes, o que exige cautela ao comparar cifras provenientes de relatórios separados.

ACM Neto reconheceu a existência dos contratos e dos pagamentos, mas afirmou que correspondem a serviços de consultoria efetivamente prestados, formalizados por contratos e submetidos ao pagamento de tributos. Segundo o ex-prefeito, os trabalhos estavam relacionados à análise da agenda político-econômica brasileira e não tinham relação com irregularidades investigadas posteriormente envolvendo o Banco Master. Assim, a existência da relação comercial está documentada, enquanto eventual utilização dos contratos para finalidade ilícita permanece questão dependente de prova.

Acusação de comissão de 10% foi apresentada por Vorcaro e ainda depende de comprovação

Robinson Almeida também mencionou a acusação apresentada por Daniel Vorcaro em uma proposta de colaboração premiada. No documento, o ex-controlador do Banco Master atribuiu a ACM Neto e ao presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, uma suposta atuação na captação de recursos administrados por institutos públicos de previdência e outras entidades para investimento na instituição financeira. Segundo a narrativa de Vorcaro, haveria uma remuneração correspondente a 10% dos valores aplicados, ou outra modalidade calculada sobre o período de permanência dos recursos no banco.

Vorcaro afirmou que essas articulações teriam resultado em aproximadamente R$ 2 bilhões em captações. A aplicação matemática de 10% sobre esse montante produziria uma obrigação estimada em R$ 200 milhões. Entretanto, o documento não demonstra que R$ 200 milhões tenham sido efetivamente pagos a ACM Neto ou Rueda. A proposta de colaboração também não foi aceita pela Polícia Federal nem pela PGR, e as alegações dependem de confirmação por documentos financeiros, mensagens, perícias e outras fontes independentes.

ACM Neto classificou as acusações atribuídas a Vorcaro como falsas e negou irregularidades. Rueda também rejeitou envolvimento ilícito. Portanto, a suposta comissão de 10% deve ser apresentada jornalisticamente como uma acusação atribuída a Daniel Vorcaro, e não como pagamento comprovado ou fato estabelecido judicialmente.

Relações com José Marcos Moura entram no debate político

O terceiro episódio citado por Robinson Almeida envolve José Marcos de Moura, empresário conhecido como “Rei do Lixo” e um dos personagens investigados pela Overclean. Moura já havia sido indiciado pela Polícia Federal, juntamente com outros empresários e agentes públicos, em outra frente da operação. O indiciamento representa uma conclusão policial sobre existência de elementos para atribuição de suspeitas, mas não equivale a denúncia apresentada pelo Ministério Público nem a condenação judicial.

Reportagens publicadas anteriormente registraram relações empresariais e políticas envolvendo Moura. Entre elas está a informação de que Renata Magalhães, irmã de ACM Neto, divide com o empresário a propriedade de uma aeronave, fato que passou a integrar o debate público sobre as conexões existentes entre integrantes da família do ex-prefeito e empresários investigados. A existência da sociedade patrimonial, contudo, não permite por si mesma concluir participação dos demais sócios em eventuais crimes atribuídos a Moura.

A décima fase deverá permitir à Polícia Federal aprofundar a análise de processos de contratação, mensagens, documentos empresariais, fluxos financeiros e relações entre agentes públicos e privados. A questão central para a investigação será determinar se houve direcionamento das contratações da Educação de Belo Horizonte, pagamento de vantagens indevidas ou outras irregularidades e, em caso positivo, individualizar a participação de cada pessoa investigada.

ACM Neto nega irregularidades e questiona divulgação durante período eleitoral

Após a divulgação do pedido de busca, ACM Neto afirmou que não possui relação com os fatos investigados e sustentou que a exposição das informações durante a campanha eleitoral representaria tentativa de vinculá-lo indevidamente à operação. O candidato também contestou o que classificou como divulgação seletiva de informações.

A manifestação contrapõe-se à posição política apresentada por Robinson Almeida. De um lado, o deputado petista utiliza os contratos da A&M, as acusações de Vorcaro e a Overclean para questionar o adversário. De outro, ACM Neto reconhece relações comerciais documentadas com empresas ligadas ao caso Master, mas afirma que elas foram regulares, e nega participação em esquemas de corrupção ou nas irregularidades investigadas pela Overclean. As alegações de Vorcaro e as hipóteses formuladas pelos investigadores ainda não resultaram em condenação do candidato nos fatos descritos nesta reportagem.

Os próximos desdobramentos dependem da Polícia Federal, PGR e STF, além da análise dos materiais recolhidos na décima fase da Overclean. Entre os pontos que deverão ser acompanhados estão a identificação das empresas e agentes relacionados aos contratos superiores a R$ 80 milhões, a eventual produção de novas provas, o exame das relações atribuídas a ACM Neto e outros dirigentes políticos e novas manifestações das defesas e das autoridades responsáveis pela investigação.


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