O Governo da Bahia, a União dos Municípios da Bahia (UPB) e a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (SRI/PR) reuniram representantes dos governos estadual, federal e municipais nesta terça-feira (01/09/2026), em Salvador, para discutir medidas de preparação diante dos impactos do El Niño no ciclo 2026/2027. O encontro ocorreu no auditório da UPB e contou com a participação do governador Jerônimo Rodrigues.
A articulação busca organizar previamente a atuação dos órgãos públicos diante da possibilidade de redução das chuvas, estiagem, escassez hídrica e aumento do risco de incêndios, especialmente nas áreas da Bahia mais vulneráveis à irregularidade das precipitações.
Como parte da preparação, o Estado instituiu um comitê responsável pela elaboração do Plano Estadual de Ações de Enfrentamento aos Impactos do El Niño 2026/2027. O documento deverá reunir ações emergenciais e continuadas destinadas a reduzir os efeitos do fenômeno sobre a população, os municípios e atividades produtivas.
Plano estadual envolve água, produção rural, saúde e Defesa Civil
O planejamento abrange as áreas de segurança hídrica, agricultura familiar, alimentação, saúde, Defesa Civil e prevenção e combate a incêndios. A estratégia prevê a definição antecipada das responsabilidades dos diferentes órgãos estaduais e dos mecanismos de cooperação com municípios e instituições federais.
Entre as medidas previstas está a adoção de ações para enfrentar situações de escassez hídrica, que poderão ser executadas pela Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento da Bahia (SIHS) de acordo com a evolução das condições climáticas e as necessidades identificadas nos municípios.
O plano também contempla mecanismos destinados à agricultura familiar, incluindo instrumentos como o Garantia-Safra e o Projeto Sertão Vivo. Essas políticas deverão integrar a resposta governamental caso períodos prolongados de estiagem provoquem perdas produtivas ou comprometam as condições de permanência das famílias nas áreas rurais.
Municípios definem protocolos para situações de emergência
As administrações municipais integram a preparação por meio da definição de protocolos e procedimentos para situações de emergência. A intenção é estabelecer previamente como ocorrerá a comunicação entre os governos, quais estruturas poderão ser mobilizadas e como serão identificadas as necessidades específicas de cada município.
O planejamento conjunto também busca reduzir o intervalo entre a identificação de uma situação crítica e a adoção das medidas públicas necessárias, principalmente em ocorrências relacionadas ao abastecimento de água, incêndios, estiagem e impactos sobre comunidades rurais.
Segundo o superintendente de Proteção e Defesa Civil da Bahia, Osny Bonfim, a antecipação dos protocolos permite identificar previamente as demandas municipais e estabelecer a forma de atuação entre os diferentes órgãos.
“Quando trabalhamos previamente na definição dos protocolos, conseguimos identificar as necessidades de cada município e estabelecer como será a atuação conjunta em uma situação de emergência. Isso permite uma resposta mais rápida e organizada”, afirmou.
El Niño amplia atenção sobre chuvas e temperaturas no Nordeste
O planejamento da Bahia ocorre em um cenário de acompanhamento nacional do El Niño 2026/2027. O fenômeno é provocado pelo aquecimento acima da média das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e interfere na circulação atmosférica, alterando os padrões de temperatura e precipitação em diferentes regiões do mundo.
No Brasil, órgãos federais de meteorologia e monitoramento climático apontam que o fenômeno pode contribuir para chuvas mais irregulares e acumulados abaixo da média nas regiões Norte e Nordeste, ao mesmo tempo em que aumenta a possibilidade de precipitações acima da média no Sul. A combinação entre menor volume de chuvas e temperaturas elevadas também pode ampliar o risco de queimadas.
Em atualização divulgada em 14/08/2026, o Instituto Nacional de Meteorologia informou que projeções da NOAA indicavam probabilidade igual ou superior a 90% de ocorrência de um El Niño classificado como muito forte em determinados trimestres entre setembro de 2026 e janeiro de 2027. A projeção também apontava permanência do fenômeno pelo menos até março de 2027, com possibilidade de chuvas mais irregulares e abaixo da média no Norte e Nordeste a partir de outubro.
Prevenção busca antecipar efeitos sobre abastecimento e agricultura
Na Bahia, a evolução dessas condições poderá produzir efeitos diferentes conforme a região, a disponibilidade hídrica e a duração dos períodos sem chuva. Por isso, o plano estadual deverá combinar medidas estruturais com respostas emergenciais acionadas conforme os indicadores meteorológicos e hidrológicos.
A articulação entre Governo da Bahia, municípios, Governo Federal e órgãos de Defesa Civil também deverá orientar decisões relacionadas ao abastecimento humano, apoio às comunidades rurais, proteção da produção agrícola e mobilização das estruturas de combate aos incêndios.
O acompanhamento das condições climáticas ao longo dos próximos meses será determinante para definir a intensidade das ações previstas. As projeções meteorológicas são atualizadas periodicamente e deverão orientar a execução do Plano Estadual de Ações de Enfrentamento aos Impactos do El Niño 2026/2027.








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