O Governo Federal detalhou, na quarta-feira (02/09/2026), as ações de prevenção e resposta aos possíveis impactos do El Niño em diferentes regiões do Brasil. As medidas foram apresentadas durante entrevista coletiva com veículos de imprensa regionais, após as reuniões dos “Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026/2027”, realizadas com gestores estaduais e municipais.
Participaram da coletiva a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior; o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; e o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional em exercício, Valder Ribeiro de Moura. Os representantes do governo apresentaram iniciativas destinadas à prevenção, preparação, resposta e recuperação diante de possíveis ocorrências associadas ao fenômeno climático.
Segundo Miriam Belchior, a atuação preventiva depende da coordenação entre União, estados e municípios, além da disseminação de informações de utilidade pública. A ministra também destacou a participação dos meios de comunicação na orientação da população sobre riscos, medidas preventivas e formas de resposta aos eventos climáticos.
Impactos do El Niño variam conforme a região
O Governo Federal informou que o El Niño não produz os mesmos efeitos em todo o território brasileiro. Na Amazônia, os principais pontos de atenção são a possibilidade de seca e incêndios. No Nordeste, o eventual atraso das chuvas pode afetar a produção agrícola, especialmente na área do Matopiba, no Cerrado.
No Centro-Oeste, as condições climáticas podem aumentar os riscos para lavouras, queimadas e incêndios. No Sudeste, estão entre os cenários considerados a ocorrência de ondas de calor, incêndios e atraso das chuvas. Já no Sul, a preocupação está relacionada ao excesso de precipitações, enchentes e deslizamentos.
A estratégia apresentada pelo governo combina ações específicas para cada região com instrumentos nacionais de resposta. Entre as iniciativas estão investimentos em segurança hídrica, prevenção de incêndios, obras de drenagem, contenção de encostas, preparação de equipes de emergência, abastecimento de comunidades e assistência humanitária.
Centro-Oeste recebe recursos para prevenção de incêndios
Na Região Centro-Oeste, João Paulo Capobianco apresentou medidas voltadas principalmente à prevenção e ao combate aos incêndios. Entre as iniciativas está o apoio financeiro para a preparação de equipes estaduais, incluindo os Corpos de Bombeiros.
O ministro também relatou reuniões com comandantes das Polícias Militares para ampliar a atuação das corporações na orientação da população e na fiscalização do uso irregular do fogo. A estratégia inclui ações preventivas e medidas coercitivas contra práticas que possam provocar incêndios.
Com recursos do Fundo Amazônia, foram destinados R$ 521 milhões para ações de prevenção e combate a incêndios na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal. Os recursos contemplaram a aquisição de 500 veículos e 33.800 equipamentos de uso individual, além da reforma de 30 bases operacionais.
Para a segurança hídrica no Centro-Oeste, estão previstos R$ 50,5 milhões. Já as obras estruturantes destinadas à prevenção de desastres provocados por chuvas intensas contam com previsão de R$ 248,4 milhões.
Sul concentra medidas para enchentes e deslizamentos
Na Região Sul, o cenário considerado pelo governo envolve excesso de chuvas, com possibilidade de enchentes e deslizamentos. Valder Ribeiro de Moura apresentou ações de acompanhamento e preparação desenvolvidas em conjunto com os órgãos estaduais de Defesa Civil.
Além da prevenção, a atuação federal prevê mecanismos de resposta em situações de emergência, incluindo ajuda humanitária, socorro imediato, recuperação e reconstrução de estruturas afetadas. Segundo as informações apresentadas na coletiva, foram destinados cerca de R$ 30 milhões para planos de combate às inundações.
Também estão previstos R$ 8,8 bilhões para obras de prevenção de desastres nos três estados da Região Sul, incluindo intervenções de contenção de encostas e drenagem urbana.
Nordeste concentra investimentos em segurança hídrica
No Nordeste, a disponibilidade de água e os possíveis impactos sobre a produção e o abastecimento de alimentos estão entre os principais pontos de atenção. Miriam Belchior afirmou que os monitoramentos indicam que os principais reservatórios da região estão em situação considerada confortável em comparação com outros períodos.
Entre as estruturas destinadas à segurança hídrica está o Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF). O conjunto de ações previsto para o Nordeste soma aproximadamente R$ 10 bilhões, destinados à construção de 2.800 quilômetros de canais e adutoras, implantação de novos reservatórios e recuperação de estruturas existentes.
O planejamento inclui a construção de reservatórios com capacidade adicional de 2,2 milhões de metros cúbicos de água, além da recuperação de 162 barragens e 172 mil cisternas.
Projeto São Francisco prevê R$ 4,8 bilhões em investimentos
As intervenções relacionadas à integração e expansão do PISF incluem os ramais do Apodi e do Salgado, o Cinturão das Águas, a ampliação do bombeamento do Eixo Norte e a Adutora do Agreste.
O conjunto dessas obras prevê R$ 4,8 bilhões em investimentos e deverá alcançar aproximadamente 12 milhões de pessoas. As iniciativas integram a estratégia federal de ampliação da disponibilidade de água para diferentes áreas do Nordeste.
Em situações emergenciais de escassez, a Operação Carro-Pipa é utilizada para abastecer comunidades atendidas pelo programa. A operação já recebeu R$ 2,1 bilhões e atende, em média, 1,6 milhão de pessoas por mês.
Norte terá antecipação de alimentos e água
Na Região Norte, o governo informou que está antecipando a entrega de água e alimentos para municípios com comunidades isoladas, com o objetivo de aproximar os estoques das áreas consideradas de maior risco. A distribuição deverá ser realizada pelos estados e municípios às famílias em situação de maior vulnerabilidade.
O governo também informou possuir aeronaves pré-contratadas, que poderão ser acionadas para complementar o atendimento em caso de necessidade. A medida integra o planejamento de resposta para localidades cujo acesso terrestre pode ser limitado durante situações de emergência.
Foram antecipadas 160 mil cestas de alimentos, enquanto outras 350 mil cestas estão previstas para atender povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.
Norte prevê R$ 582 milhões para segurança hídrica
Na área de segurança hídrica, o Novo PAC e o Fundo Amazônia preveem R$ 582 milhões para a Região Norte. Desse total, R$ 181 milhões serão destinados a ações de água rural.
Outros R$ 330 milhões estão previstos para a implantação de 10.671 sistemas sanitários, enquanto R$ 55 milhões serão destinados a soluções de acesso à água em aldeias indígenas.
As medidas fazem parte do planejamento federal para ampliar a capacidade de atendimento de comunidades localizadas em áreas com maior dificuldade de acesso e sujeitas aos efeitos de períodos de estiagem.
Sudeste terá ações para calor, chuvas e saúde
No Sudeste, os cenários considerados incluem ondas de calor e atraso das chuvas. Na área da saúde, o Governo Federal prevê a descentralização da Força Nacional do SUS (ForSUS), com a criação de uma base regional no Rio de Janeiro.
A estrutura deverá apoiar o atendimento durante situações de emergência e desastres. A medida busca ampliar a capacidade de mobilização do Sistema Único de Saúde diante de eventos climáticos com potencial de gerar aumento da demanda por atendimento.
Também está prevista a criação do Centro de Informação em Saúde e Clima (CISC), em Belo Horizonte (MG). O centro deverá reunir dados e análises sobre impactos epidemiológicos relacionados a ondas de calor, chuvas intensas, inundações, estiagens, secas e incêndios florestais.
Novo PAC prevê R$ 8,7 bilhões para prevenção no Sudeste
As informações produzidas pelo CISC deverão subsidiar a atuação do SUS na preparação e resposta a eventos climáticos. A proposta é utilizar dados relacionados ao clima e à saúde para apoiar decisões durante situações de emergência.
No campo da infraestrutura, o Novo PAC prevê R$ 8,7 bilhões para a prevenção de desastres na Região Sudeste. Desse montante, R$ 6,7 bilhões estão destinados a obras de drenagem urbana.
Outros R$ 2 bilhões serão aplicados em contenção de encostas, medida voltada à redução dos riscos associados a deslizamentos em áreas suscetíveis.
Governo aposta em planejamento e integração federativa
As medidas apresentadas pelo Governo Federal foram estruturadas a partir de diferentes cenários regionais relacionados ao El Niño e aos efeitos da mudança climática. A estratégia combina investimentos em infraestrutura, preparação de equipes, segurança hídrica, prevenção de incêndios, assistência alimentar e capacidade de resposta emergencial.
A agenda também busca ampliar a integração entre os diferentes níveis de governo. Os “Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026/2027” foram utilizados para apresentar aos gestores estaduais e municipais as medidas federais e os instrumentos disponíveis para atuação conjunta.
Ao destacar a necessidade de informações baseadas em ciência, o governo também atribuiu à comunicação pública papel na prevenção. A orientação da população sobre riscos, formas de preparação e procedimentos diante de emergências é apresentada como parte das ações destinadas a reduzir os impactos de eventos climáticos extremos.








Deixe um comentário