Divulgada nesta quinta-feira (03/09/2026), a pesquisa AtlasIntel/A Tarde sobre as eleições na Bahia revela cenários políticos distintos em Feira de Santana e Salvador. No principal cenário para o Governo do Estado, Jerônimo Rodrigues (PT) alcança 61,3% no recorte feirense, enquanto ACM Neto (União Brasil) registra 55,9% na capital. No conjunto da Bahia, entretanto, os dois candidatos estão tecnicamente empatados: Neto aparece com 49,1%, e Jerônimo, com 47,9%.
O levantamento reuniu 1.804 respondentes entre 28/08 e 02/09/2026, mediante recrutamento digital aleatório, pelo método Atlas RDR. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob os números BA-08891/2026 e BR-07739/2026.
Os percentuais de Feira de Santana e Salvador, porém, integram cruzamentos internos da amostra estadual. O relatório não apresenta número de entrevistas nem margem de erro específica para cada localidade. Por isso, os dados devem ser tratados como recortes regionais da pesquisa estadual, e não como levantamentos municipais autônomos.
Feira de Santana e Salvador apresentam cenários eleitorais opostos
A principal conclusão territorial da pesquisa está na diferença entre os dois maiores centros urbanos destacados individualmente no relatório. Enquanto Feira de Santana apresenta ampla vantagem para o governador candidato à reeleição, Salvador concentra uma liderança expressiva do candidato oposicionista.
No primeiro cenário, composto por ACM Neto, Jerônimo Rodrigues, Ronaldo Mansur, Aroldo Félix e Estêvão, o governador obtém 61,3% no segmento identificado como Feira de Santana. Neto registra 37,1%, Ronaldo Mansur aparece com 0,3% e os votos brancos ou nulos somam 1,3%.
Em Salvador, a ordem se inverte. ACM Neto marca 55,9%, Jerônimo alcança 38% e Ronaldo Mansur registra 3,9%. Brancos e nulos representam 1,7%, enquanto 0,5% não soube responder.
- 1º turno — cenário 1: Feira de Santana — Jerônimo 61,3% × 37,1% ACM Neto; Salvador — ACM Neto 55,9% × 38% Jerônimo; Bahia — ACM Neto 49,1% × 47,9% Jerônimo.
- 1º turno — cenário 2: Feira de Santana — Jerônimo 60,8% × 37,6% ACM Neto; Salvador — ACM Neto 56,9% × 36,7% Jerônimo; Bahia — ACM Neto 48,8% × 47,5% Jerônimo.
- 2º turno: Feira de Santana — Jerônimo 61,6% × 37,1% ACM Neto; Salvador — ACM Neto 56,3% × 40,4% Jerônimo; Bahia — ACM Neto 49,2% × 48,6% Jerônimo.
No segundo cenário de primeiro turno, em que Ariel Capistrano aparece no lugar de Estêvão, a estrutura permanece praticamente inalterada. Jerônimo registra 60,8% em Feira, ante 37,6% de Neto. Em Salvador, o candidato do União Brasil alcança 56,9%, enquanto o petista marca 36,7%.
As diferenças territoriais também se mantêm na simulação de segundo turno. Jerônimo aparece com 61,6% em Feira de Santana, contra 37,1% de ACM Neto. Na capital, Neto tem 56,3%, e o governador, 40,4%.
Disputa estadual permanece dentro da margem de erro
Apesar das diferenças nos recortes regionais, a pesquisa aponta equilíbrio no conjunto do eleitorado baiano. No primeiro cenário, ACM Neto registra 49,1%, contra 47,9% de Jerônimo Rodrigues. A diferença nominal é de 1,2 ponto percentual, inferior à margem de erro estadual.
Ronaldo Mansur aparece com 1,2%, enquanto votos brancos e nulos somam 1,6% e os indecisos representam 0,2%. Considerados apenas os votos válidos, Neto tem 50%, Jerônimo registra 48,7% e Mansur, 1,2%.
No segundo cenário, ACM Neto marca 48,8%, e Jerônimo, 47,5%. Ronaldo Mansur tem 1,1%, Aroldo Félix registra 0,1%, brancos e nulos somam 1,6% e os indecisos, 0,9%. Entre os votos válidos, Neto volta a aparecer com 50%, diante de 48,7% do governador.
A simulação estadual de segundo turno apresenta a menor diferença entre os dois principais concorrentes. ACM Neto alcança 49,2%, e Jerônimo Rodrigues registra 48,6%. Brancos e nulos somam 1,9%, e 0,2% não soube responder. Nos votos válidos, o resultado é de 50,3% para Neto e 49,7% para Jerônimo.
Avaliação do Governo Jerônimo acompanha divisão territorial
Os indicadores de aprovação ajudam a compreender a distribuição das intenções de voto. No conjunto da Bahia, 48% aprovam o desempenho de Jerônimo Rodrigues, 46% desaprovam e 6% não souberam responder.
Em Feira de Santana, a aprovação do governador alcança 61%, enquanto a desaprovação fica em 35% e os indecisos representam 4%. Em Salvador, a aprovação cai para 38%, diante de 47% de desaprovação e 15% de entrevistados sem opinião definida.
A avaliação qualitativa reproduz essa diferença. Entre os integrantes do recorte feirense, 58% classificam o Governo Jerônimo como ótimo ou bom, 9% como regular e 32% como ruim ou péssimo. Na capital, 32% avaliam a administração estadual como ótima ou boa, 24% como regular e 44% como ruim ou péssima.
A percepção sobre a reeleição também segue o mesmo padrão. Em Feira de Santana, 61,2% afirmam que Jerônimo merece ser reeleito, 38,7% discordam e 0,1% não soube responder. Em Salvador, 39,4% defendem a recondução, 48,8% consideram que o governador não merece novo mandato e 11,9% estão indecisos.
No resultado estadual, a questão está praticamente dividida: 48% afirmam que Jerônimo merece ser reeleito, 47,7% dizem que não e 4,3% não souberam responder.
Percepção sobre os rumos da Bahia reforça contraste
Quando questionados sobre os rumos do estado, 60% dos participantes do recorte de Feira de Santana afirmam que a Bahia segue por um bom caminho. Outros 40% consideram que o estado está no caminho errado, e 1% não soube responder, conforme os percentuais arredondados apresentados no relatório.
Em Salvador, somente 36% avaliam que a Bahia segue por um bom caminho. Para 46%, o estado está no caminho errado, enquanto 18% não manifestaram posição.
No conjunto estadual, há igualdade entre as avaliações: 47% consideram que a Bahia segue por um bom caminho, outros 47% apontam um caminho ruim e 6% não souberam responder.
A aprovação do presidente Lula (PT) também varia entre as duas localidades. Em Feira, 66% aprovam seu desempenho, 30% desaprovam e 4% não souberam responder. Em Salvador, a aprovação é de 48%, a desaprovação soma 38% e os indecisos representam 14%.
Lula amplia vantagem em Feira e lidera também em Salvador
Na disputa presidencial, Lula alcança 52,8% no conjunto da Bahia. Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 24,4%, seguido por Escritor Augusto Cury, com 7,5%; Ronaldo Caiado, com 5,5%; e Renan Santos, com 4%. Os indecisos somam 4,3%, e os votos brancos ou nulos, 0,8%.
Em Feira de Santana, Lula registra 65,7%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 21,8%. Augusto Cury marca 4,9%, Renan Santos aparece com 3,9% e Ronaldo Caiado, com 3%. Os votos brancos ou nulos somam 0,8%, e o quadro não registra indecisos no cruzamento apresentado.
Em Salvador, Lula alcança 48,1%, e Flávio Bolsonaro, 23%. Augusto Cury aparece com 5,2%, Renan Santos tem 4,5%, Ronaldo Caiado registra 4,4% e Samara alcança 2%. O percentual de entrevistados que não souberam responder chega a 11,9%, enquanto brancos e nulos somam 0,8%.
Na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente registra 67,2% em Feira, ante 22,7% do adversário. Em Salvador, Lula tem 62,5%, e Flávio, 29,8%. No estado, os percentuais são de 58,1% para Lula e 29% para o candidato do PL, com 12,9% de votos brancos, nulos ou indecisos.
Rui Costa e Jaques Wagner lideram disputa pelo Senado
No consolidado estadual do primeiro e do segundo votos para o Senado, Rui Costa (PT) aparece com 28,2%, seguido por Jaques Wagner (PT), com 23,7%. João Roma (PL) registra 18,3%, e Angelo Coronel (Republicanos), 16%.
Em Feira de Santana, Rui Costa alcança 33,9%, e Wagner registra 30,3%. João Roma aparece com 13,6%, enquanto Angelo Coronel obtém 11,6%. Votos brancos ou nulos somam 6,7%, e os indecisos, 3,3%.
Em Salvador, Rui Costa marca 27,3%, Jaques Wagner tem 24,7%, João Roma registra 19,1% e Angelo Coronel alcança 15,2%. Brancos e nulos representam 6,1%, enquanto 3,8% não souberam responder.
Considerados apenas os votos válidos no resultado estadual consolidado, Rui Costa tem 31,6%, Jaques Wagner registra 26,5%, João Roma alcança 20,4% e Angelo Coronel aparece com 17,9%.
Avaliação dos prefeitos exige cautela nominal
A pesquisa também perguntou se os participantes aprovavam o desempenho do “prefeito da sua cidade”. Em Feira de Santana, 56% responderam que aprovam, 37% desaprovam e 8% não souberam responder. Em Salvador, 45% aprovam, 40% desaprovam e 15% não manifestaram opinião.
Na avaliação qualitativa, 45% dos entrevistados do recorte feirense classificam o desempenho do prefeito como ótimo ou bom, 33% como regular e 22% como ruim ou péssimo. Na capital, os percentuais são de 32% para ótimo ou bom, 42% para regular e 26% para ruim ou péssimo.
O relatório utiliza uma formulação genérica e não atribui nominalmente os resultados aos respectivos gestores. A apresentação jornalística dos números deve preservar essa característica, sem transformar a resposta sobre “o prefeito da sua cidade” em uma avaliação nominal não explicitada pelo documento.
Imagem e rejeição mostram equilíbrio entre Jerônimo e ACM Neto
No conjunto da Bahia, Jerônimo Rodrigues tem imagem positiva para 48% dos entrevistados, negativa para 46% e não é avaliado por 6%. ACM Neto registra 45% de imagem positiva, 47% de negativa e 9% de entrevistados sem opinião.
A rejeição eleitoral também é semelhante. Quando os participantes foram questionados sobre em quem não votariam de jeito nenhum, Jerônimo aparece com 41,5%, e ACM Neto, com 41,1%.
Flávio Bolsonaro apresenta a maior rejeição entre os nomes listados, com 64,1%, seguido por Jair Bolsonaro, com 59,6%. Lula registra 35,3%, Rui Costa tem 33,2%, Jaques Wagner aparece com 34,1% e João Roma marca 34%.
Criminalidade e saúde lideram preocupações dos baianos
A criminalidade é apontada como um dos maiores problemas da Bahia por 82% dos entrevistados, o maior percentual registrado no levantamento. O acesso à saúde aparece em segundo lugar, com 52,3%.
Na sequência estão qualidade da educação, com 21,8%; violência contra a mulher, com 19,5%; corrupção, com 17,9%; violência policial, com 10,8%; e inflação ou preços em alta, com 10,1%.
Esse módulo apresenta somente resultados estaduais. O relatório não oferece cruzamentos que permitam atribuir essas avaliações especificamente ao eleitorado de Feira de Santana ou de Salvador.
Metodologia e limites dos recortes territoriais
A AtlasIntel informa que empregou o método Random Digital Recruitment — RDR, pelo qual os participantes são recrutados durante a navegação na internet em territórios geolocalizados. Segundo a nota metodológica, a amostra passa por pós-estratificação baseada em variáveis como sexo, idade, escolaridade, renda, região e comportamento eleitoral anterior.
No perfil divulgado, Salvador representa 27,8% da amostra, enquanto Feira de Santana corresponde a 15,4%. Os demais participantes estão distribuídos nos agrupamentos Barreiras, Guanambi e Vitória da Conquista, com 23%; Santo Antônio de Jesus, Ilhéus e Itabuna, com 18,2%; e Juazeiro, Paulo Afonso e Irecê, com 15,6%.
Embora Salvador e Feira de Santana apareçam isoladamente nas tabelas, o relatório classifica todos esses segmentos como “mesorregiões”. Não são informados os números absolutos de respondentes em cada segmento, os municípios efetivamente abrangidos nem margens de erro próprias para esses cruzamentos.
Consequentemente, a margem de dois pontos percentuais deve ser aplicada ao resultado estadual da pesquisa. Sem informações adicionais, não é metodologicamente adequado utilizar a mesma margem para afirmar que as diferenças internas de Feira de Santana e Salvador constituem resultados municipais estatisticamente consolidados.
Análise da pesquisa
A pesquisa identifica uma divisão territorial que ajuda a explicar o empate estadual. O desempenho de Jerônimo Rodrigues em Feira de Santana está associado, dentro do próprio levantamento, a índices elevados de aprovação, avaliação positiva e apoio à sua reeleição. Em Salvador, ACM Neto lidera simultaneamente a intenção de voto, enquanto a avaliação do Governo da Bahia e a defesa da recondução do governador apresentam resultados menos favoráveis.
A configuração sugere desafios eleitorais distintos. Jerônimo precisa ampliar sua presença na capital, maior colégio eleitoral do estado e território no qual o adversário construiu sua trajetória política. ACM Neto, por sua vez, necessita reduzir a diferença registrada no recorte feirense e avançar em uma cidade com influência sobre parte expressiva do interior. Essas são interpretações derivadas dos números, e não estratégias declaradas pelas campanhas no conteúdo analisado.
Os dados presidenciais indicam que a força de Lula é mais intensa em Feira de Santana, mas também se mantém predominante em Salvador. A capacidade de transferência desse apoio para a eleição estadual, contudo, não pode ser presumida automaticamente. O próprio levantamento mostra que Lula alcança 48,1% na capital, enquanto Jerônimo registra 38% no principal cenário estadual, uma diferença de 10,1 pontos percentuais.
A relevância pública da pesquisa está na demonstração de que o empate estadual resulta de bases territoriais e avaliações administrativas diferentes. Os próximos levantamentos deverão mostrar se os recortes representam uma tendência persistente ou apenas a distribuição interna desta amostra. AtlasIntel, campanhas, partidos, veículos de comunicação e Justiça Eleitoral terão responsabilidade na divulgação transparente dos dados, especialmente quanto ao tamanho e à precisão estatística dos segmentos regionais.








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