O senador Jaques Wagner (PT-BA) rebateu, na segunda-feira (14/09/2026), críticas feitas por ACM Neto (União Brasil) à política de segurança pública do Governo da Bahia e voltou a questionar o histórico do candidato ao governo estadual durante seus oito anos à frente da Prefeitura de Salvador. O parlamentar concentrou a resposta na situação da Guarda Civil Municipal (GCM) e nos indicadores de redução das mortes violentas registrados pelo estado.
“Quem não tem moral é ele, que não fez nada pela Guarda Municipal”, declarou Wagner ao responder às críticas do ex-prefeito.
O senador também citou contratações de policiais e operações realizadas contra organizações criminosas. As declarações ocorreram em um momento em que segurança pública ocupa espaço central na campanha para o Governo da Bahia, com governo e oposição apresentando diagnósticos distintos sobre os resultados das políticas estaduais.
Parte dos números mencionados por Wagner encontra respaldo em balanços oficiais da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). Em 2025, o estado contabilizou 3.884 ocorrências de homicídio, latrocínio e lesão corporal dolosa seguida de morte, resultado 13,1% inferior ao de 2024. Segundo a SSP, aquele foi o quarto ano consecutivo de redução das mortes violentas na metodologia utilizada pelo órgão estadual.
Bahia registra queda das mortes violentas em 2026
A redução permaneceu nos primeiros seis meses de 2026. De acordo com balanço divulgado pelo Governo da Bahia, houve recuo de 20,5% nas mortes violentas entre janeiro e junho, na comparação com igual período de 2025. A SSP calculou que a diferença representou 424 mortes a menos no período.
O mesmo balanço informou a realização de aproximadamente 500 operações de combate ao crime organizado no primeiro semestre. Salvador apresentou redução de 29,7% nos registros de homicídio, latrocínio e lesão corporal seguida de morte, enquanto a Região Metropolitana teve recuo de 29,6% e o interior, de 16,5%.
Wagner também afirmou que as forças de segurança realizaram, ao longo de 2026, mais de 500 operações, prenderam mais de 80 integrantes apontados como lideranças do tráfico, apreenderam mais de 5 mil armas de fogo e aproximadamente 15 toneladas de drogas. Esses números foram apresentados pelo senador como indicadores da política estadual; o balanço oficial consultado confirma as cerca de 500 operações no primeiro semestre, mas os demais totais citados pelo parlamentar correspondem a períodos e bases operacionais que exigem consolidação específica pela SSP.
Guarda Municipal de Salvador entra no confronto eleitoral
O principal ponto utilizado por Wagner para questionar ACM Neto foi o efetivo da Guarda Civil Municipal de Salvador. O senador afirmou que o ex-prefeito havia assumido compromisso de elevar a corporação para pelo menos 3 mil agentes, meta que, segundo ele, não foi alcançada durante os dois mandatos municipais de Neto.
A promessa já havia sido objeto de cobranças anteriores no debate político. Levantamento publicado pelo Jornal Grande Bahia em julho apontou referências públicas que situavam o quadro da Guarda Municipal entre aproximadamente 1,3 mil e 1,4 mil integrantes, número inferior aos cerca de 3 mil a 3,5 mil agentes mencionados em diferentes registros sobre compromissos eleitorais anteriores. A dimensão exata do efetivo operacional requer atualização da Prefeitura de Salvador, considerando afastamentos, funções administrativas e outras situações funcionais.
A discussão não é inédita na campanha de 2026. Em agosto, Wagner já havia usado a Guarda Municipal para confrontar as propostas apresentadas por ACM Neto para a segurança estadual. Na ocasião, o senador também defendeu o uso de inteligência policial, reconhecimento facial, integração institucional e investigação financeira como instrumentos de enfrentamento às organizações criminosas.
Queda nos indicadores convive com nível elevado de violência
Os dados de redução registrados pela SSP devem ser analisados paralelamente aos indicadores nacionais sobre violência. O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho de 2026, contabilizou 5.473 mortes violentas intencionais na Bahia em 2025, queda de 9,6% sobre o ano anterior, mas manteve o estado com a segunda maior taxa do país, de 36,8 mortes por 100 mil habitantes.
A diferença entre os números da SSP e do Anuário decorre, entre outros fatores, das categorias estatísticas utilizadas. O indicador estadual citado pelo governo concentra homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, enquanto a metodologia de Mortes Violentas Intencionais (MVI) empregada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública abrange outras categorias, incluindo mortes decorrentes de intervenções policiais. Por isso, os totais não devem ser comparados diretamente.
Segundo o Anuário, a Bahia registrou 1.570 mortes decorrentes de intervenções policiais em 2025, equivalentes a aproximadamente 28,7% das mortes violentas intencionais contabilizadas no estado. O dado demonstra que, apesar da trajetória recente de redução dos homicídios e demais crimes letais registrada pelos indicadores estaduais, a segurança pública permanece entre os principais desafios administrativos e eleitorais da Bahia.
Wagner questiona gestão de ACM Neto e debate avança na campanha
Ao concluir a resposta ao adversário, Wagner afirmou que o histórico administrativo de ACM Neto deveria integrar a avaliação das propostas apresentadas atualmente. O senador acusou o candidato do União Brasil de não ter obtido resultados compatíveis com compromissos assumidos nas áreas de segurança, saúde e educação durante os oito anos em que administrou Salvador.
ACM Neto, por sua vez, vem utilizando a segurança pública como uma das principais áreas de confronto com o governador Jerônimo Rodrigues (PT). Em manifestações recentes, o candidato defendeu uma política de maior repressão às facções criminosas e responsabilizou a administração estadual pela permanência de elevados índices de violência na Bahia.
O confronto coloca no centro da eleição dois parâmetros distintos de avaliação. O grupo governista destaca reduções recentes dos crimes letais, investimentos, operações policiais e utilização de tecnologia, enquanto a oposição enfatiza os níveis absolutos e as taxas ainda elevadas de violência. A evolução dos indicadores, o combate às organizações criminosas, o efetivo policial e da Guarda Municipal e os resultados das políticas de prevenção e repressão deverão continuar entre os principais temas da disputa eleitoral estadual.








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