Após reeleição do governador Jerônimo, Felipe Freitas destaca redução da vantagem de ACM Neto em Feira de Santana e mobilização por Lula

O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, avaliou nesta segunda-feira (05/10/2026) os resultados das eleições em Feira de Santana, no Portal do Sertão e no conjunto do estado, destacando a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) no primeiro turno, a redução da vantagem municipal de ACM Neto (União Brasil) em relação ao segundo turno de 2022, o desempenho de candidaturas proporcionais ligadas à esquerda e a reorganização imediata da base governista para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno presidencial. Com 100% da apuração estadual concluída, Jerônimo obteve 4.626.509 votos, equivalentes a 55,80% dos válidos, contra 3.625.227 votos, ou 43,72%, de ACM Neto. Em Feira, entretanto, o candidato do União Brasil permaneceu à frente, com 175.603 votos (53,33%), diante de 151.212 votos (45,93%) do governador reeleito.

Natural de Feira de Santana, Felipe da Silva Freitas ocupa a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Governo da Bahia. Doutor e mestre em Direito pela Universidade de Brasília e graduado pela Universidade Estadual de Feira de Santana, ele participou diretamente das mobilizações da campanha governista no município durante a reta final do primeiro turno.

No balanço divulgado depois da votação de domingo (04/10/2026), Freitas agradeceu aos militantes e aliados pela campanha de Jerônimo e Lula e classificou o resultado feirense como “fenomenal”. A avaliação política se apoia sobretudo na redução da distância entre os dois principais candidatos ao governo na comparação com 2022, embora a análise exija considerar que os números confrontam um segundo turno, em 2022, com um primeiro turno, em 2026, situações eleitorais distintas.

ACM Neto vence em Feira, mas vantagem sobre Jerônimo cai de 62 mil para 24 mil votos

Os números oficiais confirmam o núcleo quantitativo da avaliação apresentada por Felipe Freitas. No segundo turno de 30/10/2022, ACM Neto recebeu 204.662 votos, ou 58,95% dos válidos, em Feira de Santana. Jerônimo obteve 142.490 votos, ou 41,05%. A diferença foi de 62.172 votos em favor do então candidato do União Brasil.

Quatro anos depois, no primeiro turno de 04/10/2026, ACM Neto obteve 175.603 votos (53,33%), enquanto Jerônimo alcançou 151.212 (45,93%). A vantagem caiu para 24.391 votos. Em números absolutos, ACM registrou 29.059 votos a menos que no segundo turno de 2022, enquanto Jerônimo teve 8.722 votos a mais. A diferença percentual entre os dois caiu de 17,90 pontos percentuais para 7,40 pontos, redução de 10,50 pontos.

Os dados tornam compatíveis, por arredondamento, as referências feitas por Freitas a uma redução da diferença de aproximadamente 60 mil para 25 mil votos, a uma perda superior a 29 mil votos por ACM Neto e a um crescimento de cerca de 9 mil votos de Jerônimo.

“Na eleição majoritária em Feira, não vencemos, porém reduzimos a diferença para o adversário de 60 mil votos em 2022 para apenas 25 mil em 2026”, afirmou Felipe Freitas.

A comparação, contudo, não permite estabelecer por si só a causa da mudança. Freitas atribui o crescimento relativo de Jerônimo ao “reconhecimento do trabalho e das grandes obras de Jerônimo e Lula” no município. Trata-se de uma interpretação política apresentada pelo secretário. Os resultados eleitorais comprovam a mudança na distribuição dos votos, mas não demonstram isoladamente quais fatores determinaram a escolha de cada eleitor.

Zé Neto lidera votação federal em Feira, mas perde mandato na Câmara

O balanço de Felipe Freitas também enfatiza o desempenho das candidaturas proporcionais vinculadas à esquerda. Segundo a soma apresentada pelo secretário, candidatos de PT, PSOL, PSB e PCdoB teriam alcançado aproximadamente 106 mil votos para deputado federal e 137 mil para deputado estadual em Feira de Santana.

Esses dois totais devem ser compreendidos como uma agregação partidária feita no pronunciamento de Freitas, e não como uma categoria consolidada publicada pelo TSE. A apuração individual, porém, confirma votações expressivas de vários dos nomes mencionados pelo secretário.

Na disputa federal, Zé Neto (PT) foi o candidato mais votado em Feira de Santana, com 59.127 votos, equivalentes a 18,43% dos votos locais para o cargo. Apesar da liderança municipal, terminou a eleição estadual com 104.550 votos e não conquistou uma das 39 cadeiras da Bahia, ficando na condição de suplente.

O resultado produz uma consequência política concreta para Feira. Zé Neto era o deputado federal em exercício com trajetória política diretamente vinculada ao município e havia sido reeleito em 2022. Sua saída da relação dos titulares reduz a representação federal diretamente associada à cidade na legislatura que começa em 2027.

Freitas classificou a não reeleição como uma “grande perda momentânea” e definiu Zé Neto como “um dos mais importantes parlamentares do Congresso Nacional”.

Maria Marighella é eleita deputada federal e Rowenna chega à Alba

Entre os nomes apresentados por Felipe Freitas como sinais de renovação política, Maria Marighella (PT) recebeu 6.143 votos em Feira de Santana. No resultado estadual, conquistou uma das vagas da Federação Brasil da Esperança para a Câmara dos Deputados.

Também citada pelo secretário, Deyvid Bacelar (PT) recebeu 9.626 votos em Feira, ficando na sexta posição entre os candidatos a deputado federal mais votados no município, embora não tenha obtido mandato. Já Pastor Sargento Isidório (Avante), mencionado por Freitas como exemplo de candidato pertencente ao campo aliado estadual, somou 6.146 votos no município e foi eleito deputado federal pela Bahia.

Na disputa pela Assembleia Legislativa, o resultado local acrescenta um dado relevante ao balanço: Jhonatas Monteiro (PSOL) foi o candidato a deputado estadual mais votado em Feira de Santana, com 31.990 votos, embora não tenha sido eleito no resultado estadual. Ele não aparece entre os nomes individualizados na declaração de Freitas, mas integra o campo partidário utilizado pelo secretário no cálculo agregado das legendas de esquerda.

Entre os petistas, Silvio Dias recebeu 12.267 votos na cidade; Angelo Almeida, 11.384; Robinson Almeida, 10.191; e Rowenna Brito, 7.300.

No resultado estadual, Rowenna alcançou 137.266 votos e foi eleita deputada estadual, terminando como a terceira candidata mais votada de toda a Bahia. Angelo Almeida também assegurou novo mandato, com 87.532 votos no estado, e Robinson Almeida integrou a relação de eleitos para a próxima legislatura.

Jerônimo amplia vantagem estadual sobre ACM Neto para mais de 1 milhão de votos

A dimensão mais favorável à avaliação de Felipe Freitas aparece no resultado estadual. Em 2022, Jerônimo Rodrigues venceu ACM Neto no segundo turno com 4.480.464 votos (52,79%), contra 4.007.023 (47,21%). A diferença foi de 473.441 votos.

Em 2026, Jerônimo foi reeleito já no primeiro turno com 4.626.509 votos (55,80%), enquanto ACM Neto obteve 3.625.227 (43,72%). A distância passou para 1.001.282 votos. Portanto, a margem nominal mais que dobrou em relação à decisão de quatro anos antes.

Em seu pronunciamento, Freitas associou o resultado à continuidade do ciclo político iniciado com a vitória de Jaques Wagner em 2006. A sequência histórica é verificável: Wagner venceu em 2006 e 2010; Rui Costa, em 2014 e 2018; e Jerônimo, em 2022 e 2026. Com a eleição deste ano, o PT passa a somar seis vitórias consecutivas para o Governo da Bahia. Estudo acadêmico publicado em 2026 pelo Caderno CRH, da Universidade Federal da Bahia, analisou as cinco vitórias ocorridas entre 2006 e 2022 e destacou a relevância das coalizões multipartidárias para a longevidade eleitoral do partido no estado. A reeleição de Jerônimo adiciona o sexto resultado à série.

Freitas empregou a expressão “sexta derrota do carlismo para o Partido dos Trabalhadores desde 2006” e afirmou que a eleição representaria a derrota de “um método baseado na truculência e na intolerância”. Também declarou: “Derrotamos o carlismo mais uma vez; vencemos o último dos Magalhães”.

ACM Neto contesta adversários após segunda derrota para Jerônimo

O resultado de 04/10/2026 representou a segunda derrota consecutiva de ACM Neto para Jerônimo Rodrigues na disputa pelo Governo da Bahia. Após a apuração, o ex-prefeito de Salvador agradeceu aos eleitores e apresentou uma versão oposta sobre a campanha, acusando o grupo governista de ter adotado ataques pessoais e uma campanha que classificou como de “baixo nível”.

Neto informou ainda que viajaria a Brasília nesta segunda-feira para discutir com dirigentes do União Brasil o posicionamento do partido no segundo turno presidencial. Dessa forma, enquanto Felipe Freitas e o núcleo governista baiano deslocam a mobilização eleitoral para Lula, o principal grupo de oposição no estado também passa a reorganizar sua atuação diante da disputa nacional.

Resultado em Feira redefine prioridades da base governista

Apesar da derrota de Jerônimo na votação para governador dentro de Feira, a redução da margem de ACM Neto tende a adquirir peso estratégico para o grupo governista. Feira de Santana é o segundo maior colégio eleitoral da Bahia e historicamente apresenta competição intensa entre os campos políticos que disputam o Palácio de Ondina. Na reta final da campanha de 2026, tanto Jerônimo quanto ACM Neto concentraram agendas no município.

Em 02/10/2026, dois dias antes da votação, Jerônimo participou de caminhada no bairro Rua Nova acompanhado por aliados, entre eles Zé Neto, Robinson Almeida, Felipe Freitas e integrantes da base estadual. Na mesma data, o governador reuniu-se com representantes empresariais na Câmara de Dirigentes Lojistas de Feira de Santana e recebeu uma agenda com 14 prioridades apresentadas pelo setor produtivo.

Segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro passa a concentrar mobilização

O pronunciamento de Felipe Freitas também marca uma mudança imediata de objetivo. Com a eleição estadual definida no primeiro turno, o secretário afirmou que as direções partidárias seriam reunidas e que os comitês e a agenda de atividades permaneceriam funcionando em Feira.

“Queremos uma linda campanha para Lula em Feira, essa será nossa principal atividade”, declarou Freitas.

A mobilização ocorre porque a eleição presidencial não foi definida no primeiro turno. Com 99,99% das urnas apuradas no momento em que o TSE confirmou a realização da nova votação, Flávio Bolsonaro (PL) aparecia com 56.104.268 votos, ou 47,03% dos válidos, e Lula, com 53.876.617, ou 45,16%. O segundo turno será realizado em 25/10/2026.

Feira de Santana apresentou comportamento diferente da média nacional no primeiro turno presidencial. No município, Lula obteve 194.272 votos, equivalentes a 57,13% dos válidos, contra 121.727 votos, ou 35,80%, de Flávio Bolsonaro. O resultado oferece à campanha petista uma base eleitoral local numericamente favorável, mas não permite antecipar o comportamento do eleitorado no segundo turno.

A estratégia anunciada por Felipe acompanha a orientação adotada pelo próprio governador reeleito. Após confirmar a vitória no primeiro turno, Jerônimo iniciou a preparação do segundo mandato e convocou sua base política a se mobilizar pela reeleição presidencial de Lula.

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • 2006 — Jaques Wagner é eleito governador: o PT vence pela primeira vez a disputa pelo Governo da Bahia e inaugura o ciclo de administrações estaduais lideradas pelo partido.
  • 2010 — Jaques Wagner é reeleito: a segunda vitória consecutiva mantém o PT no comando estadual.
  • 2014 — Rui Costa é eleito governador: o PT preserva o controle do Executivo baiano na sucessão de Wagner.
  • 2018 — Rui Costa é reeleito: o partido alcança a quarta vitória consecutiva para governador da Bahia.
  • 30/10/2022 — Jerônimo derrota ACM Neto no segundo turno: Jerônimo recebe 4.480.464 votos (52,79%), contra 4.007.023 (47,21%), diferença estadual de 473.441 votos. Em Feira de Santana, ACM Neto vence por 204.662 a 142.490, margem de 62.172 votos.
  • 02/10/2026 — Jerônimo encerra etapa da campanha em Feira: o governador participa de caminhada na Rua Nova e de encontro com representantes empresariais; Felipe Freitas integra as atividades políticas no município.
  • 04/10/2026 — Jerônimo é reeleito no primeiro turno: o petista obtém 4.626.509 votos (55,80%), contra 3.625.227 (43,72%) de ACM Neto, abrindo vantagem de 1.001.282 votos e garantindo a sexta vitória consecutiva do PT para o Governo da Bahia desde 2006.
  • 04/10/2026 — ACM Neto mantém maioria em Feira, mas com margem menor: o candidato do União Brasil registra 175.603 votos, e Jerônimo, 151.212; a diferença municipal cai para 24.391 votos.
  • 04/10/2026 — resultados proporcionais produzem renovação e perdas: Zé Neto lidera a votação federal em Feira, mas não se reelege; Maria Marighella conquista vaga na Câmara; Rowenna é eleita deputada estadual e termina entre as três maiores votações da Bahia; Jhonatas Monteiro lidera a votação estadual em Feira, mas não obtém mandato.
  • 05/10/2026 — Felipe Freitas divulga balanço e anuncia nova mobilização: o secretário destaca a redução da diferença entre Jerônimo e ACM Neto em Feira, celebra candidaturas aliadas e informa que os comitês continuarão mobilizados para o segundo turno presidencial.
  • 25/10/2026 — segundo turno presidencial: Lula e Flávio Bolsonaro disputarão a Presidência da República, segundo o calendário oficial da Justiça Eleitoral.

Datas das posses

Os deputados federais, deputados estaduais e senadores eleitos nas eleições de 2026 tomarão posse em 1º de fevereiro de 2027, data de início da nova legislatura no Congresso Nacional e nas assembleias legislativas; os senadores eleitos exercerão mandato de oito anos, de 1º de fevereiro de 2027 a 31 de janeiro de 2035. Já o presidente e o vice-presidente da República eleitos tomarão posse em 5 de janeiro de 2027, enquanto os governadores e vice-governadores dos estados, inclusive da Bahia, serão empossados em 6 de janeiro de 2027. As novas datas para as posses do presidente e dos governadores foram estabelecidas pela Emenda Constitucional nº 111/2021 e passam a valer justamente a partir das eleições de 2026.


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