Arcebispo de Feira de Santana convoca fiéis a votar no 2º turno das Eleições 2026, alerta contra abstenção e relaciona fé cristã à responsabilidade política

Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, marcado para domingo (25/10/2026), o arcebispo metropolitano de Feira de Santana, Dom Zanoni Demettino Castro, dirigiu mensagem aos fiéis e à sociedade brasileira na qual defendeu a participação nas urnas e relacionou o exercício da cidadania à responsabilidade dos cristãos diante das decisões políticas que afetam o país. O religioso fez um apelo contra a abstenção eleitoral e afirmou que o voto deve ser orientado pela consciência, pela dignidade humana e pelo compromisso com o bem comum.

Na mensagem, Dom Zanoni apontou como temas de reflexão a democracia, a soberania nacional, a Constituição Federal e os direitos sociais construídos ao longo das últimas décadas. Segundo o arcebispo, questões políticas, econômicas e sociais que interferem diretamente na vida da população também devem integrar a reflexão dos cristãos no momento da escolha eleitoral.

“Às vésperas do segundo turno das eleições, somos chamados a assumir nossa responsabilidade pelo futuro do Brasil. Estão em jogo a democracia, a soberania nacional, a Constituição e os direitos sociais conquistados ao longo de décadas. A fé cristã não nos permite cruzar os braços diante da realidade. Como ensinava São Paulo VI, a política é uma das mais altas formas de caridade, pois suas decisões afetam a vida de milhões de pessoas”, declarou.

Fé, cidadania e participação política

Ao tratar da relação entre fé cristã e participação política, Dom Zanoni afirmou que o exercício da cidadania também envolve decisões com consequências sobre famílias, trabalhadores e pessoas em situação de vulnerabilidade. O arcebispo reconheceu a existência de desencanto com a política, mas sustentou que a insatisfação não deve resultar em afastamento do processo democrático.

O religioso chamou atenção especialmente para as consequências da ausência nas urnas. “Não deixe que a decepção com a política se transforme em omissão! Não votar, votar em branco ou anular o voto também tem consequências: outros decidirão por você. Seu voto não diz respeito apenas à sua vida, mas também ao futuro de sua família, de seus vizinhos e dos mais vulneráveis”, afirmou.

A Justiça Eleitoral confirma que o segundo turno das Eleições Gerais de 2026 será realizado em 25 de outubro, domingo. A votação ocorrerá das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, para os cargos submetidos à segunda etapa do pleito.

Arcebispo cita saúde, educação, trabalho e proteção social

Dom Zanoni também pediu que os eleitores considerem, antes da escolha, as condições concretas de vida de diferentes segmentos da população. A mensagem menciona aposentados, trabalhadores, pessoas que dependem de medicamentos, crianças, jovens, famílias em situação de pobreza e povos indígenas, além das políticas de educação, saúde pública e proteção ambiental.

“Pense nos aposentados, nos trabalhadores, em quem precisa de medicamentos, nas crianças e nos jovens, na educação, na saúde pública, nas famílias pobres, nos povos indígenas e na preservação da nossa Casa Comum. A defesa da vida e da dignidade humana exige compromisso, consciência e participação”, declarou.

O conjunto de temas apresentado pelo arcebispo vincula a decisão eleitoral a políticas públicas com impacto direto sobre direitos sociais, condições de vida e proteção de grupos vulneráveis. Na mensagem, a análise das propostas eleitorais aparece associada ao princípio do bem comum, conceito presente na Doutrina Social da Igreja e relacionado à responsabilidade dos cidadãos na vida coletiva.

Dom Zanoni reafirma voto livre e não indica candidatura

Apesar do chamado à participação política, Dom Zanoni não declarou apoio a qualquer candidatura na mensagem. O arcebispo reafirmou o caráter livre e secreto do voto e orientou os eleitores a buscar informações, comparar propostas, verificar fatos e tomar a decisão individualmente.

“O voto é livre e secreto. Informe-se, compare propostas, verifique os fatos e escolha conscientemente, sem aceitar ameaças ou pressões. No próximo domingo, não se omita! Vote por você, por sua família, por quem mais precisa e pelo Brasil. O futuro também depende da sua decisão!”, afirmou.

A orientação combina defesa da participação eleitoral com respeito à autonomia do eleitor. Ao mencionar a necessidade de escolha sem ameaças ou pressões, o arcebispo reforça que a manifestação política deve ocorrer dentro das garantias individuais associadas ao voto secreto e à liberdade de consciência.

Doutrina Social da Igreja trata participação como responsabilidade cidadã

A relação estabelecida por Dom Zanoni entre fé, cidadania e vida pública encontra referência na Doutrina Social da Igreja. O Compêndio da Doutrina Social define a participação como o conjunto de atividades pelas quais cidadãos, individualmente ou por meio de organizações e representantes, contribuem para a vida cultural, econômica, política e social da comunidade.

O documento do Vaticano afirma que a participação deve ser exercida de forma responsável e orientada ao bem comum, além de relacioná-la ao funcionamento das instituições democráticas. O texto também destaca a responsabilidade compartilhada entre indivíduos, sociedade e instituições públicas na construção das condições necessárias ao desenvolvimento humano.

Outra nota doutrinal do Vaticano sobre a participação dos católicos na vida política estabelece que os fiéis leigos não devem abdicar de sua atuação na vida pública e devem exercer seus deveres civis de acordo com a própria consciência, respeitando a autonomia das instituições e a liberdade política. O documento ressalta que o Magistério da Igreja não pretende eliminar a liberdade de opinião dos católicos em questões políticas contingentes.

Mensagem termina com referência a Nossa Senhora Aparecida

Ao concluir a manifestação, Dom Zanoni confiou o povo brasileiro à intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, e relacionou a participação social ao combate à indiferença e à promoção da dignidade humana.

“Que Nossa Senhora Aparecida nos ajude a vencer a indiferença e a construir uma sociedade em que todos tenham vida em abundância, como desejou Jesus”, declarou o arcebispo.

A mensagem ocorre nos dias finais do processo eleitoral presidencial e concentra-se na defesa da participação democrática, liberdade de escolha, consciência individual e responsabilidade social. Sem indicar candidato, Dom Zanoni sustenta que os eleitores devem avaliar propostas e consequências das decisões políticas para diferentes segmentos da sociedade antes de comparecerem às urnas no domingo.

Mensagem de Dom Zanoni ocorre após assinatura de manifesto nacional de bispos

A manifestação individual de Dom Zanoni Demettino Castro sobre o segundo turno das eleições de 2026 foi divulgada após o arcebispo metropolitano de Feira de Santana subscrever, juntamente com dezenas de bispos e arcebispos de diferentes regiões do Brasil, a “Carta de Bispos Católicos ao Povo de Deus diante do Segundo Turno das Eleições Presidenciais de 2026”, tornada pública na quinta-feira (22/10/2026).

No manifesto coletivo, os signatários afirmam que o cenário eleitoral exige posicionamento à luz do Evangelho e da Doutrina Social da Igreja, abordam temas como democracia, soberania nacional, direitos sociais, proteção dos pobres e meio ambiente e apresentam críticas a uma das candidaturas em disputa, embora não mencionem nominalmente os presidenciáveis.

Já na mensagem posteriormente dirigida aos fiéis, Dom Zanoni adotou formulação mais ampla, concentrando-se na responsabilidade política dos cristãos, na importância do comparecimento às urnas, na liberdade e no sigilo do voto e na necessidade de avaliar propostas e informações antes da escolha. O arcebispo não declarou nominalmente apoio a qualquer candidato nessa manifestação individual.

A sequência dos dois pronunciamentos é relevante para compreender o posicionamento do religioso no contexto eleitoral: primeiro, Dom Zanoni integrou a manifestação coletiva do episcopado, ao lado de outros bispos brasileiros; depois, divulgou uma orientação própria aos fiéis da Arquidiocese e à sociedade sobre participação democrática e responsabilidade no exercício do voto.

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