Governador Jerônimo Rodrigues é reeleito na Bahia no 1º turno, anuncia transição do segundo mandato e mobiliza base por Lula

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) foi reeleito neste domingo (04/10/2026) para um segundo mandato à frente do Governo da Bahia, com vitória definida ainda no primeiro turno sobre ACM Neto (União Brasil), e anunciou, durante coletiva no Palácio de Ondina, em Salvador, que iniciará imediatamente a organização da transição para a nova gestão, manterá o cronograma de projetos estruturantes como a Ponte Salvador–Itaparica, o VLT e o Tramo 4 do Metrô de Salvador, dará continuidade às entregas nas áreas de educação, saúde e segurança pública e mobilizará sua base política para apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno presidencial, marcado para 25/10/2026. A vitória estadual foi acompanhada pela eleição de Rui Costa (PT) e pela reeleição de Jaques Wagner (PT) para as duas cadeiras da Bahia no Senado.

Jerônimo amplia votação e encerra disputa estadual no primeiro turno

A reeleição foi matematicamente confirmada quando 96,73% das urnas haviam sido totalizadas. Naquele momento, Jerônimo registrava 55,41% dos votos válidos, equivalentes a 4.440.938 votos, contra 44,11%, ou 3.535.498 votos, de ACM Neto.

Com o avanço da totalização, os números continuaram se movimentando. Em atualização divulgada às 22h18, Jerônimo somava 4.581.092 votos, ou 55,69% dos válidos, enquanto ACM Neto contabilizava 3.606.392 votos. Como a eleição já estava matematicamente definida, eventuais alterações residuais na totalização não modificariam a vitória do governador no primeiro turno.

O resultado representa uma mudança relevante em relação a 2022. Na primeira disputa entre os dois adversários, Jerônimo alcançou 49,45% dos votos válidos no primeiro turno, contra 40,88% de ACM Neto, sendo necessária uma segunda votação para definir o governador. Na etapa final daquele pleito, o petista venceu e assumiu o Palácio de Ondina.

Governador atribui vitória a projeto político coletivo

Na primeira manifestação pública após a confirmação do resultado, Jerônimo procurou retirar da vitória um caráter exclusivamente pessoal e apresentou a reeleição como consequência da articulação construída pelo grupo político que governa a Bahia desde 2007.

“Nós estamos aqui primeiro para agradecer. A primeira palavra é de gratidão a todos e todas que se envolveram nesse projeto. Não é um projeto particular, não é um projeto de Jerônimo, não tem CPF aqui.”

O governador afirmou ainda que a forma de organização política iniciada com a eleição de Jaques Wagner, em 2006, permanece como referência para a coalizão estadual. “A gente pode até amadurecer, melhorar, mas a gente não retroage. Nós temos um estilo, nós temos um DNA de fazer política, que é a mesma do presidente Lula”, declarou.

A aliança eleitoral que sustentou a candidatura governista reuniu oito partidos: PT, PCdoB, PV, PSD, MDB, Avante, PSB e PDT. A chapa majoritária foi composta por Jerônimo e pelo vice-governador Geraldo Júnior (MDB), além de Rui Costa e Jaques Wagner nas duas candidaturas ao Senado.

Prefeitos, vereadores e movimentos sociais são apontados como base territorial

Em sua avaliação do resultado, Jerônimo atribuiu importância particular às estruturas políticas municipais. O governador agradeceu prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e ex-vereadores e afirmou que a atividade política permanece ancorada na organização territorial dos municípios.

Para o petista, as prefeituras e câmaras municipais constituem espaços decisivos de articulação eleitoral. A afirmação dialoga com a própria composição da aliança governista, que reuniu partidos com extensa presença municipal, particularmente PSD e Avante, além das redes locais das demais legendas.

Ao mesmo tempo, Jerônimo destacou os movimentos sociais como outro elemento estrutural de sua base. A estratégia descrita pelo governador combina, portanto, instituições partidárias, administrações municipais, mandatos parlamentares e organizações sociais — componentes que deverão ser novamente mobilizados, agora para a campanha presidencial de segundo turno.

Rui Costa e Jaques Wagner conquistam as duas vagas da Bahia no Senado

A eleição estadual também assegurou à chapa governista as duas cadeiras baianas em disputa no Senado Federal. Rui Costa foi eleito para seu primeiro mandato na Casa, enquanto Jaques Wagner conquistou a reeleição.

Com 98,4% das urnas apuradas, a Agência Senado registrava Rui Costa com 4.252.226 votos, equivalentes a 30% dos votos válidos, e Wagner com 3.907.885 votos, ou 27,6%. Os mandatos terão oito anos, entre 2027 e 2035.

Durante a coletiva, Jerônimo afirmou que havia assumido com Lula o compromisso político de eleger os dois aliados. Ao comentar o resultado, declarou que a Bahia estava entregando “mais dois bons senadores ao Senado brasileiro” e fez uma homenagem particular a Wagner, a quem atribuiu papel central na construção do ciclo político iniciado há duas décadas.

Reeleição prolonga ciclo político iniciado com Jaques Wagner

A vitória de Jerônimo preserva uma sequência de governos estaduais iniciada em 2007, quando Jaques Wagner assumiu após vencer a eleição de 2006. Wagner governou por dois mandatos, foi sucedido por Rui Costa, também eleito e reeleito, e, posteriormente, por Jerônimo, escolhido em 2022.

O segundo mandato de Jerônimo, entre 2027 e 2030, corresponderá ao sexto mandato consecutivo do grupo liderado pelo PT na Bahia. Trata-se de uma continuidade política de longa duração, embora marcada por mudanças na composição partidária das alianças, nas prioridades administrativas e nos contextos econômicos e nacionais enfrentados por cada gestão.

A eleição de 2026 também reforça a centralidade eleitoral da associação entre a candidatura estadual e Lula. Durante a campanha, Jerônimo, Rui e Wagner apresentaram repetidamente a parceria entre os governos estadual e federal como elemento necessário para projetos de infraestrutura, saúde, educação e mobilidade.

Bahia passa imediatamente à campanha presidencial do segundo turno

Encerrada a eleição estadual, Jerônimo estabeleceu como prioridade política imediata a candidatura de Lula no segundo turno presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL). Como nenhum candidato à Presidência alcançou a maioria absoluta dos votos válidos neste domingo, a definição ocorrerá em 25/10/2026.

“Nós não vamos faltar ao Brasil. A Bahia não vai faltar ao Brasil.”

O governador afirmou que pretende conversar com Lula e com a coordenação nacional para definir a participação da Bahia na campanha. Também convocou prefeitos, parlamentares e movimentos sociais a retomarem imediatamente as atividades eleitorais.

“Presidente, você pode cuidar do Brasil, porque da Bahia nós vamos continuar cuidando. Nós vamos garantir uma votação expressiva novamente.”

A estratégia anunciada transforma a estrutura utilizada na campanha estadual em instrumento da disputa nacional. Jerônimo indicou que, depois de entrevistas e reuniões de reorganização, pretende voltar a percorrer os municípios baianos para pedir votos a Lula.

Declaração sobre Estados Unidos exige tratamento como avaliação política

Ao analisar a eleição presidencial, Jerônimo afirmou que o país enfrenta uma disputa marcada pela polarização política e declarou que “os Estados Unidos tentou implantar alguma força aqui dentro”, relacionando a eleição brasileira à questão da soberania nacional.

A afirmação deve ser tratada jornalisticamente como avaliação política do governador. No material fornecido para esta reportagem, Jerônimo não apresentou documento, ato específico, investigação ou evidência que permita transformar a declaração em constatação factual sobre interferência eleitoral norte-americana.

A dimensão internacional da disputa brasileira existe e foi destacada inclusive por veículos estrangeiros, em razão das consequências da eleição para as relações do Brasil com os Estados Unidos e outros atores internacionais. Isso, contudo, é distinto de comprovar intervenção no processo eleitoral.

Transição do segundo mandato começará ainda nesta semana

Jerônimo anunciou que pretende apresentar ainda nesta semana um calendário da equipe de transição para organizar o segundo mandato. Embora se trate de uma reeleição e, portanto, não haja mudança de grupo no comando do Executivo, o governador definiu o procedimento como uma transição entre dois períodos administrativos.

Segundo ele, o processo deverá detalhar o programa de governo apresentado durante a campanha e incorporar demandas recolhidas junto à população. Parte dessas propostas foi construída a partir do Programa de Governo Participativo de 2026, que percorreu os territórios de identidade da Bahia antes das convenções eleitorais.

O anúncio sinaliza que o primeiro movimento administrativo após a eleição será converter compromissos eleitorais em calendário, metas, projetos e prioridades orçamentárias para 2027–2030. O grau de detalhamento dessa transição será relevante para que imprensa, Assembleia Legislativa e sociedade possam acompanhar a correspondência entre propostas de campanha e execução governamental.

Ponte Salvador–Itaparica permanece entre compromissos centrais

Entre os projetos mencionados, Jerônimo confirmou que pretende “perseguir o calendário de entrega” da Ponte Salvador–Itaparica, empreendimento que atravessou sucessivas etapas contratuais e revisões de cronograma.

Em 16/03/2026, o Governo da Bahia apresentou ao Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) um cronograma atualizado que estabeleceu 04/06/2026 como data para início das obras e indicou 2031 como previsão de conclusão. O investimento foi estimado em aproximadamente R$ 11 bilhões, e a ponte terá 12,4 quilômetros sobre lâmina d’água.

Em junho, a estrutura estadual responsável pelo projeto informou ao TCE que já havia movimentação em três canteiros, montagem da Plataforma Linear Provisória e intervenções terrestres. O acompanhamento pelo Tribunal de Contas ganha particular importância diante da dimensão financeira, da complexidade técnica e do histórico de renegociação do contrato.

Tramo 4 levará metrô da Lapa ao Campo Grande

Jerônimo também reafirmou o compromisso com o Tramo 4 da Linha 1 do Metrô de Salvador, destinado a conectar a Estação da Lapa ao Campo Grande.

A ordem de serviço para o início das obras foi autorizada em 02/04/2026, em agenda com Lula. O novo trecho possui cerca de 1,1 quilômetro, e o Governo da Bahia informou previsão de aproximadamente R$ 1,5 bilhão em recursos federais para sua implantação.

O projeto amplia o sistema metroviário na região central da capital e deverá integrar áreas de intensa circulação de passageiros. O compromisso anunciado após a eleição coloca a execução física, o cumprimento dos contratos e a integração com outros modais entre os indicadores objetivos que poderão ser utilizados para avaliar o segundo mandato.

VLT integra transporte a intervenções urbanísticas

O Veículo Leve sobre Trilhos de Salvador e Região Metropolitana apareceu novamente entre as prioridades do governador. Na coletiva, Jerônimo ressaltou que o empreendimento não se limita à implantação do transporte ferroviário, mas envolve ações associadas de urbanização, drenagem e infraestrutura.

A configuração atual publicada pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano da Bahia (Sedur) prevê aproximadamente 43,71 quilômetros de extensão, 50 paradas, além da Estação Calçada, com integração física e operacional ao metrô em pontos como Águas Claras e Bairro da Paz.

A Estação Calçada, primeira estação concluída do sistema, foi entregue em 17/06/2026. As intervenções foram iniciadas em 2024 e seguem divididas em diferentes trechos, transformando o VLT em uma das principais obras de mobilidade atualmente em execução na capital e no Subúrbio Ferroviário.

Saúde e educação permanecem no programa anunciado para 2027–2030

Na coletiva, o governador citou escolas, hospitais, policlínicas, unidades básicas de saúde, ambulâncias e outros equipamentos como exemplos das entregas realizadas por seu governo e afirmou que o segundo mandato continuará a política de expansão da infraestrutura pública.

Os números hospitalares, entretanto, precisam ser apresentados com precisão temporal. Em 03/02/2026, o Governo da Bahia informou que haviam sido implantados 12 novos hospitais desde 2023 e que existiam outras dez grandes obras hospitalares em andamento. Em maio, ao incorporar o Hospital Dom Antônio Monteiro, em Senhor do Bonfim, o Executivo classificou a unidade como o 14º hospital novo ou incorporado desde o início da gestão.

Na gravação fornecida, Jerônimo menciona “além dos 15” ao tratar de hospitais, mas o trecho oral não deixa inteiramente claro a qual conjunto de unidades o número se refere. A consolidação desse quantitativo atualizado dependerá de balanço oficial da Secretaria da Saúde após as entregas realizadas ao longo de 2026.

Segurança pública é apresentada como desafio do segundo mandato

Jerônimo dedicou parte da fala à segurança pública e afirmou acreditar que, ao final da próxima gestão, a Bahia estará em situação distinta. O tema constituiu uma das principais áreas de confronto político durante a campanha estadual.

Dados apresentados pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) indicaram 3.884 mortes violentas em 2025, redução de 13,1% em relação a 2024, equivalente a 588 ocorrências a menos. Segundo a pasta, foi o quarto ano consecutivo de redução. Os dados são produzidos pelo próprio sistema estadual de segurança e devem ser acompanhados em conjunto com séries independentes e indicadores de outros tipos de crimes.

O governador vinculou a possibilidade de aprofundar o enfrentamento ao crime organizado a uma participação maior da União, defendendo recursos federais e integração entre os entes federados.

Ministério da Segurança Pública ainda depende de decisão federal e do Congresso

Durante a manifestação, Jerônimo relacionou essa estratégia à “criação do Ministério da Segurança Pública”. A declaração exige uma distinção factual: a pasta específica ainda não existe como ministério autônomo.

Lula prometeu criar o Ministério da Segurança Pública caso seja aprovada a PEC da Segurança Pública, proposta destinada, entre outros objetivos, a redefinir e fortalecer mecanismos de articulação entre União, estados e municípios. Em fevereiro de 2026, o presidente afirmou que criaria o ministério depois da aprovação da proposta pelo Congresso. A medida também foi incorporada ao programa eleitoral de Lula para 2027–2030.

Consequentemente, a materialização do cenário descrito por Jerônimo dependerá de três fatores ainda futuros: resultado da eleição presidencial, tramitação da PEC no Congresso Nacional e eventual reorganização ministerial promovida pelo próximo governo federal.

Governador critica administração municipal e grupo de ACM Neto em Salvador

A coletiva também preservou o ambiente de disputa política da campanha. Jerônimo fez críticas à administração municipal de Salvador e ao grupo político ligado a ACM Neto, mencionando problemas que, segundo sua avaliação, existem nas áreas de creches, atenção básica, CAPS, saúde e limpeza urbana.

As declarações constituem posicionamento político do governador e não substituem indicadores objetivos sobre cobertura de serviços municipais, execução orçamentária ou qualidade das políticas públicas. Esses aspectos exigem avaliação específica e contraditório da Prefeitura de Salvador.

Veículos que acompanharam a coletiva registraram as críticas como dirigidas também ao prefeito Bruno Reis, aliado de ACM Neto. A administração municipal não apresenta manifestação no material disponibilizado para esta reportagem, razão pela qual as declarações devem permanecer atribuídas ao governador.

Resultado consolida novo cenário político para 2027

A combinação da vitória de Jerônimo no primeiro turno com a eleição de Rui Costa e Jaques Wagner representa um resultado amplo para a chapa governista na Bahia. No Executivo, o PT preserva o controle do governo estadual; no Senado, os dois candidatos vinculados diretamente à chapa conquistaram as cadeiras em disputa.

A configuração, entretanto, conviverá com um ambiente nacional mais complexo. A eleição presidencial segue aberta e o Senado eleito em 2026 apresenta distribuição partidária que exigirá negociações permanentes para aprovação de emendas constitucionais, projetos fiscais, políticas de segurança e matérias de interesse dos estados.

Assim, a capacidade do segundo governo Jerônimo de executar projetos que dependem de recursos federais ou de decisões do Congresso estará relacionada não apenas ao resultado eleitoral baiano, mas também à composição política que emergirá do segundo turno e da nova legislatura federal.

Linha do tempo dos principais acontecimentos

  • 02/10/2022 — Primeiro turno da eleição estadual: Jerônimo Rodrigues obtém 49,45% dos votos válidos e ACM Neto, 40,88%; nenhum candidato alcança maioria absoluta e a Bahia segue para o segundo turno.
  • 30/10/2022 — Segundo turno: Jerônimo derrota ACM Neto e é eleito governador da Bahia, iniciando mandato em janeiro de 2023.
  • 2023 a 2025 — Primeiro triênio do governo: o Estado informa a implantação de 12 novos hospitais e aplicação de R$ 34,1 bilhões em saúde durante o período.
  • 16/03/2026 — Ponte Salvador–Itaparica: Governo da Bahia apresenta ao TCE-BA cronograma com início de obras previsto para 04/06/2026 e conclusão estimada em 2031.
  • 02/04/2026 — Metrô e VLT: Jerônimo e Lula autorizam o início das obras do Tramo 4 da Linha 1 do Metrô, entre Lapa e Campo Grande, e nova etapa de expansão do VLT.
  • Maio de 2026 — Saúde: Governo estadual classifica a incorporação do Hospital Dom Antônio Monteiro como a 14ª unidade hospitalar nova ou incorporada desde 2023.
  • 17/06/2026 — VLT: Governo entrega a Estação Calçada, primeira estação concluída do novo sistema.
  • 01/08/2026 — Convenção governista: oito partidos oficializam a chapa formada por Jerônimo Rodrigues, Geraldo Júnior, Jaques Wagner e Rui Costa, com participação de Lula.
  • 03/10/2026 — Véspera da eleição: pesquisas finais registram disputa competitiva entre Jerônimo e ACM Neto, com levantamentos indicando diferenças dentro ou próximas das respectivas margens de erro.
  • 04/10/2026 — Primeiro turno: Jerônimo é matematicamente reeleito governador ainda no primeiro turno; Rui Costa e Jaques Wagner conquistam as duas vagas da Bahia no Senado.
  • 04/10/2026 — Coletiva no Palácio de Ondina: Jerônimo anuncia preparação da transição do segundo mandato, continuidade de obras estruturantes e mobilização de sua base para Lula no segundo turno.
  • 25/10/2026 — Segundo turno presidencial: Lula e Flávio Bolsonaro voltarão às urnas para definição da Presidência da República.
  • 2027–2030 — Segundo mandato estadual: período para o qual Jerônimo anunciou continuidade dos projetos de infraestrutura, saúde, educação e segurança apresentados na campanha e na coletiva após a reeleição.

A vitória no primeiro turno altera qualitativamente a posição política de Jerônimo Rodrigues. Em 2022, o então candidato chegou próximo da maioria absoluta, mas precisou de uma segunda votação para derrotar ACM Neto. Quatro anos depois, supera esse limite já na primeira etapa, enquanto sua chapa conquista simultaneamente as duas cadeiras do Senado. O resultado amplia o capital político do governador dentro da coalizão estadual e reforça a longevidade do ciclo iniciado por Jaques Wagner.

A eleição, contudo, encerra apenas a disputa pelo governo. Os compromissos anunciados na noite da vitória estão vinculados a obras de elevada complexidade financeira e técnica. Ponte Salvador–Itaparica, VLT e expansão do metrô possuem contratos, cronogramas, financiamentos e mecanismos de fiscalização próprios. A principal medida de desempenho do segundo mandato não será a reafirmação desses compromissos, mas o cumprimento verificável de etapas, prazos, custos e entregas. O mesmo princípio deve valer para os quantitativos de hospitais, escolas e demais equipamentos públicos, que precisam ser acompanhados por documentação atualizada.

Na segurança pública, há igualmente uma diferença entre intenção política e capacidade institucional. A redução de mortes violentas registrada pela SSP é um dado relevante, mas não elimina a centralidade da criminalidade organizada e da violência no debate estadual. Da mesma forma, o Ministério da Segurança Pública mencionado por Jerônimo permanece uma proposta condicionada à aprovação de uma PEC, à composição do próximo governo federal e às decisões do Congresso. A declaração sobre suposta atuação dos Estados Unidos na eleição também permanece no campo da interpretação política enquanto não for acompanhada de elementos documentais específicos.

O núcleo factual da noite de 04/10/2026 é inequívoco: Jerônimo Rodrigues conquistou um segundo mandato no primeiro turno, a chapa governista elegeu Rui Costa e Jaques Wagner para o Senado e o grupo que governa a Bahia desde 2007 preservou o controle do Executivo estadual. Os próximos passos transferem o foco das urnas para duas frentes simultâneas: a campanha presidencial de 25/10 e a organização administrativa do mandato 2027–2030. Caberá ao Governo da Bahia transformar promessas e calendários em execução; ao TCE-BA, Assembleia Legislativa e demais órgãos de controle fiscalizar contratos e gastos; ao Congresso decidir matérias federais, inclusive na segurança pública; e à imprensa acompanhar se os compromissos reafirmados na noite da vitória serão efetivamente cumpridos.


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