O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) votou neste domingo (25/10/2026), em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, no segundo turno da eleição presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), depois de encerrar a campanha no sábado com mobilizações em Copacabana, no Rio de Janeiro, e na Avenida Paulista, em São Paulo. Após votar, Lula voltou a afirmar que a democracia está em jogo, condenou episódios de violência registrados nas últimas horas da campanha e destacou a mobilização popular que marcou a reta final da disputa. As declarações ocorreram enquanto cerca de 158,7 milhões de eleitores estavam aptos a participar da votação, aberta das 8h às 17h pelo horário de Brasília.
Lula chegou por volta das 10h à Escola Estadual João Firmino Corrêa de Araújo, acompanhado da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, do vice-presidente e candidato à reeleição Geraldo Alckmin (PSB) e de aliados. Antes de votar, afirmou que nunca havia presenciado mobilização semelhante à observada durante o segundo turno, citando manifestações realizadas na Bahia, no Pará, em Minas Gerais, no Rio e em São Paulo. A avaliação sobre a dimensão política dos atos representa a percepção do candidato e de sua campanha; não existe uma contagem oficial consolidada que permita comparar historicamente os eventos.
A votação deste domingo define quem comandará o Executivo federal no próximo mandato. No primeiro turno, realizado em 04/10/2026, Flávio Bolsonaro terminou à frente. Em atualização do Tribunal Superior Eleitoral com 99,99% das urnas apuradas, o senador registrava 56.104.268 votos, ou 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula somava 53.876.617 votos, ou 45,16%. A diferença era de aproximadamente 2,23 milhões de votos.
Lula encerra campanha entre Copacabana e Avenida Paulista
A agenda de rua de Lula no último dia de campanha concentrou-se nos dois maiores centros urbanos do país. Na manhã de sábado (24/10), o candidato participou de mobilização na orla de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Horas depois, seguiu para São Paulo, onde concluiu a campanha na Avenida Paulista. Flávio Bolsonaro também realizou atos no Sudeste, com passagens por Belo Horizonte e pela Barra da Tijuca, no Rio.
Em Copacabana, Lula apresentou a eleição como uma disputa que, em sua avaliação, ultrapassava a escolha administrativa entre duas candidaturas. O presidente afirmou que “a democracia” e “a liberdade” corriam risco e declarou que os eleitores desejavam mudanças, mas não um retorno ao modelo político associado ao governo de Jair Bolsonaro. A caracterização do risco institucional integra o discurso político de Lula e deve ser compreendida como uma avaliação feita pelo candidato, não como conclusão independente da Justiça Eleitoral ou desta reportagem.
O presidente também associou a disputa ao tema da soberania nacional e procurou diferenciar sua candidatura da de Flávio Bolsonaro. Esse argumento havia aparecido repetidamente durante o segundo turno, especialmente em debates envolvendo relações internacionais, segurança pública, papel das instituições e relação do Brasil com os Estados Unidos.
Mobilização na Paulista encerra campanha de Lula
Na tarde de sábado, Lula chegou à Avenida Paulista acompanhado de Janja, Geraldo Alckmin e aliados como Marina Silva, Simone Tebet, Fernando Haddad, Guilherme Boulos e Márcio França. O deslocamento foi feito em carro aberto, diante de uma concentração que ocupou diferentes trechos da avenida.
Reportagens registraram ocupação de ao menos 14 quarteirões. O PT estimou a presença de mais de 2 milhões de pessoas, mas não apresentou metodologia que permitisse validar o cálculo. O Monitor do Debate Político, ligado à USP e ao Cebrap, e a organização More in Common Brazil decidiram não divulgar estimativa independente porque não conseguiram realizar os registros aéreos necessários no momento de maior concentração. Portanto, não há contagem técnica independente capaz de confirmar o número anunciado pela campanha.
Foi nesse ato que Lula comparou a participação popular de 2026 à campanha presidencial de 1989, primeira eleição direta para presidente depois da ditadura militar. Segundo ele, a principal característica da mobilização do segundo turno foi a participação de pessoas que ultrapassaria as estruturas partidárias tradicionais.
“É o povo que está organizando, e não partidos”, declarou Lula ao comentar as manifestações. O presidente afirmou que a população teria assumido protagonismo na reta final e disse considerar a campanha de 1989 a experiência anterior mais próxima da mobilização observada agora.
A comparação possui caráter político e histórico, mas não constitui medida objetiva do tamanho das manifestações. O evento da Paulista, entretanto, demonstrou a estratégia adotada pela campanha de Lula após o primeiro turno: ampliar a mobilização de rua, estimular o comparecimento eleitoral e tentar alcançar eleitores que haviam se abstido ou ainda admitiam mudar o voto.
Segurança levou campanha a modificar organização do ato
O encerramento da campanha em São Paulo também foi cercado por preocupação com segurança e logística. A organização havia discutido medidas com a Polícia Militar, a Prefeitura de São Paulo e o Metrô em reunião realizada em 20/10, depois da circulação de vídeos relacionados a possíveis atos de vandalismo.
A campanha solicitou que policiais envolvidos no esquema de segurança permanecessem identificados e utilizassem câmeras corporais durante toda a operação. Também foram enviados ofícios às autoridades para evitar interferência na logística de transporte das urnas eletrônicas.
A preocupação antecipava um tema que ganharia maior repercussão poucas horas depois: episódios de violência ocorridos durante mobilizações políticas em diferentes estados na noite anterior à votação.
Lula vota em São Bernardo e agradece mobilização
Na manhã deste domingo, Lula deixou sua residência e seguiu para o local tradicional de votação em São Bernardo do Campo. Segundo a Agência Brasil, chegou ao colégio eleitoral às 10h acompanhado de Janja, Alckmin, Marina Silva, Simone Tebet e Fernando Haddad.
Antes da votação, afirmou estar agradecido pela mobilização que acompanhou durante o segundo turno. Aos 80 anos, o presidente lembrou sua participação na campanha das Diretas e nas eleições presidenciais realizadas desde 1989.
Lula também declarou que não se recordava de mobilização semelhante à registrada nas semanas finais de 2026. A afirmação é uma apreciação pessoal de sua trajetória política. Embora os atos tenham reunido grandes concentrações, especialmente em São Paulo e no Rio, a inexistência de medições uniformes impede comparações objetivas entre todas as manifestações mencionadas pelo presidente.
Agressão contra vereadora em Minas entra no discurso após votação
Depois de votar, Lula comentou a agressão sofrida pela vereadora Iara Pimentel (PT), de Montes Claros, no norte de Minas Gerais, durante uma carreata realizada na noite de sábado.
Segundo a assessoria da parlamentar, o veículo em que ela estava foi atingido por tijolos, garrafas de vidro e outros objetos. Iara foi ferida no rosto, atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e levada a um hospital. Imagens divulgadas nas redes mostram pessoas vestindo camisetas associadas à candidatura de Flávio Bolsonaro atirando objetos em direção ao veículo.
Lula afirmou que um grupo de bolsonaristas havia arremessado um tijolo contra a vereadora e disse que ela sofreu fratura no nariz. Os relatos disponíveis confirmam a agressão e o atendimento médico, mas a documentação médica integral sobre a extensão das lesões não aparece nas fontes consultadas. A identificação individual dos responsáveis e eventual responsabilização criminal dependem de investigação.
O episódio transformou-se em um dos principais argumentos utilizados pelo presidente ao falar sobre violência política no dia da votação.
Casos em Mato Grosso do Sul exigem distinção entre fatos e versões
Lula também mencionou ocorrências registradas em Mato Grosso do Sul, particularmente em Bonito e Corumbá. A documentação disponível, entretanto, exige cautela para não atribuir motivações políticas que ainda não foram demonstradas pelas investigações.
Em Bonito, Ewerton Rodrigues da Silva morreu depois de ser atingido por três tiros durante uma briga ocorrida após uma carreata bolsonarista. Outro homem ficou ferido. Segundo informações reunidas pela polícia, um adolescente teria retirado uma arma de uma caminhonete depois de ver o pai envolvido em uma agressão e efetuado os disparos. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do homicídio e da tentativa de homicídio. O fato de o episódio ter ocorrido no contexto de uma mobilização eleitoral não permite, por si só, concluir que a motivação criminal foi estritamente política.
Em Corumbá, um homem de 50 anos foi baleado na Avenida Gaturama após um evento político. Inicialmente, a esposa da vítima afirmou aos bombeiros que o tiro teria partido de uma caminhonete ligada a uma caravana. A Polícia Militar apresentou versão diferente: segundo o relato colhido dos envolvidos, dois homens em motocicletas teriam participado do ataque. A Polícia Civil investiga autoria e motivação. Até o momento, portanto, não há confirmação de que o ataque de Corumbá tenha sido praticado por integrantes de uma das campanhas ou motivado diretamente pela disputa eleitoral.
Essa distinção é central. Lula utilizou os episódios para formular um alerta político sobre violência, mas as circunstâncias policiais precisam ser examinadas separadamente das interpretações apresentadas pelas campanhas.
“Democracia está em jogo”, afirma Lula
Após votar, o presidente afirmou que “a democracia no país está em jogo” e defendeu que divergências eleitorais não deveriam romper as regras básicas de convivência.
Ao comentar os episódios de violência, declarou que vizinhos podem apoiar candidatos diferentes e, ainda assim, devem se respeitar. Lula relacionou sua avaliação ao crescimento das manifestações em defesa da democracia e afirmou perceber, simultaneamente, aumento da violência política.
A associação entre a candidatura adversária e ameaça democrática é um dos principais enquadramentos eleitorais adotados por Lula no segundo turno. Flávio Bolsonaro rejeita essa caracterização e apresenta sua candidatura como uma alternativa ao atual governo.
Acusação de ligação com milícias marcou reta final da campanha
Outra controvérsia recorrente foi o uso, por Lula, da palavra “miliciano” para se referir ao adversário. A acusação apareceu novamente no último debate televisionado, realizado pela TV Globo na sexta-feira (23/10).
Flávio Bolsonaro negou vínculo com milícias e afirmou nunca ter sido investigado por integrar esses grupos. No debate, recebeu direito de resposta depois de Lula repetir a acusação nas considerações finais. O senador afirmou ainda que pretende endurecer o combate às organizações criminosas caso seja eleito.
Há registros públicos de relações políticas pretéritas envolvendo pessoas posteriormente investigadas ou condenadas por participação em milícias no Rio de Janeiro. Entre elas estão homenagens concedidas quando Flávio era deputado estadual e vínculos profissionais de familiares de integrantes desses grupos com seu antigo gabinete. Essas relações são objeto de controvérsia política e jornalística, mas não equivalem a prova de participação direta de Flávio Bolsonaro em uma organização miliciana. Reportagem da Folha registra que existem conexões documentadas com personagens do meio, mas não prova de vínculo direto com a atividade criminosa.
O uso eleitoral do termo, portanto, deve permanecer atribuído a Lula. Flávio rejeita a acusação.
Último debate elevou tensão entre candidatos
O confronto da Globo, na noite de 23/10, havia antecipado a escalada retórica das últimas horas de campanha.
Durante o debate, Flávio Bolsonaro afirmou que Lula “dá com uma mão e tira com nove dedos”, referência à amputação sofrida pelo presidente em acidente de trabalho. Após reação do adversário, o senador pediu desculpas.
Lula, por sua vez, chamou Flávio de “miliciano”. A emissora concedeu direito de resposta ao candidato do PL. O encontro também teve confrontos sobre economia, salário mínimo, segurança pública, Banco Master, políticas sociais, apostas eletrônicas e o caso de uma criança morta durante operação policial no Rio de Janeiro. A cobertura do Jornal Grande Bahia registrou que o programa começou relativamente mais voltado a propostas e terminou dominado por acusações pessoais e políticas.
O episódio ajuda a contextualizar a declaração de Lula, no sábado, de que enfrentara uma campanha de “baixo nível”. A afirmação representa sua avaliação sobre a disputa; o próprio presidente também utilizou linguagem acusatória contra o adversário durante o confronto.
Primeiro turno obrigou campanhas a disputar novos eleitores
A intensidade da reta final decorre também do resultado apertado do primeiro turno.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa com 47,03%, contra 45,16% de Lula. Nenhum candidato atingiu mais da metade dos votos válidos, condição necessária para a eleição presidencial em primeiro turno.
A diferença inferior a dois pontos percentuais colocou no centro da segunda etapa a disputa pelos eleitores das demais candidaturas, pelos abstencionistas e por pessoas que admitiam reconsiderar sua decisão.
No campo de Lula, essa estratégia ganhou uma dimensão ostensivamente baseada em mobilizações públicas. O candidato realizou atos em diferentes estados e procurou associar sua campanha a uma frente política mais ampla do que o núcleo partidário do PT. É nesse contexto que se insere a declaração de que “é o povo que está organizando, e não partidos”.
Eleição ocorre sob acompanhamento do TSE
O segundo turno começou às 8h deste domingo e será encerrado às 17h, pelo horário de Brasília. A partir desse horário, as urnas passam a emitir os boletins e a Justiça Eleitoral inicia a divulgação da totalização.
A Justiça Eleitoral informou, durante a manhã, que o processo transcorria dentro da normalidade. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, acompanhou procedimentos de abertura das urnas e destacou os mecanismos de fiscalização, entre eles a emissão da zerésima, documento que demonstra que o equipamento inicia a votação sem votos registrados.
O resultado presidencial será divulgado pelo TSE à medida que os boletins de urna forem transmitidos e processados. A votação decidirá entre a continuidade do governo Lula e a eleição de Flávio Bolsonaro para seu primeiro mandato presidencial.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- 04/10/2026 — Primeiro turno: Flávio Bolsonaro termina em primeiro lugar, com 47,03%, e Lula fica com 45,16%, levando a eleição presidencial ao segundo turno.
- 20/10/2026 — Preparação do ato da Paulista: campanha de Lula discute com autoridades medidas de segurança, transporte e proteção para a manifestação de encerramento.
- 23/10/2026 — Debate da TV Globo: Lula e Flávio realizam o último confronto televisionado; economia, segurança, Banco Master, milícias e ataques pessoais dominam parte da discussão.
- 24/10/2026, manhã — Copacabana: Lula participa de seu último ato no Rio e afirma que democracia e liberdade estariam em risco na eleição.
- 24/10/2026, tarde — Avenida Paulista: Lula encerra a campanha em São Paulo e afirma que a mobilização do segundo turno é organizada pelo povo, e não apenas pelos partidos.
- 24/10/2026, noite — Montes Claros: a vereadora Iara Pimentel é ferida durante ataque com objetos contra uma carreata de apoio a Lula; o episódio passa a integrar o discurso do presidente contra a violência política.
- 24/10/2026 — Mato Grosso do Sul: episódios com armas de fogo são registrados em Bonito e Corumbá; um homem morre em Bonito, enquanto a autoria e a motivação do caso de Corumbá permanecem sob investigação.
- 25/10/2026, cerca de 10h — São Bernardo do Campo: Lula vota, agradece a mobilização popular e volta a condenar a violência política.
- 25/10/2026, 17h — Encerramento previsto da votação: termina oficialmente o período de votação e começa a divulgação dos resultados pela Justiça Eleitoral.
A sequência entre os últimos atos de campanha e a votação demonstra que a disputa presidencial de 2026 terminou sob duas dimensões simultâneas: uma forte mobilização de rua e uma retórica política marcada por acusações graves entre os candidatos. O fato verificável é que milhares de eleitores participaram das manifestações e que Lula utilizou a mobilização para construir uma narrativa de defesa democrática. A conclusão de que a democracia estaria ameaçada, entretanto, pertence ao discurso do candidato e deve permanecer diferenciada do registro factual.
Os episódios de violência acrescentam uma dimensão concreta ao debate, mas também exigem rigor. A agressão contra Iara Pimentel está documentada e ocorreu durante uma manifestação política. Nos casos de Mato Grosso do Sul, especialmente em Corumbá, existem divergências sobre autoria, motivação e eventual relação direta com as campanhas. Transformar essas ocorrências, antes da conclusão das investigações, em prova de uma ação coordenada de determinado campo político extrapolaria as evidências atualmente disponíveis.
O mesmo critério deve ser aplicado às acusações dirigidas a Flávio Bolsonaro. Existem relações e episódios públicos utilizados por Lula para associá-lo politicamente às milícias, mas o senador rejeita essa caracterização e não há, nas informações analisadas, elemento que permita apresentá-lo como integrante comprovado de uma organização desse tipo. O contraditório é indispensável porque a expressão foi usada como arma eleitoral em um confronto de alta intensidade.
O núcleo factual deste 25/10/2026 é que Lula chegou à votação depois de uma forte mobilização nas ruas, retomou o discurso de defesa da democracia e condenou episódios de violência, enquanto o eleitorado decide entre sua reeleição e a candidatura de Flávio Bolsonaro. Os próximos desdobramentos dependem da Justiça Eleitoral, responsável pela totalização e proclamação dos resultados, das polícias e Ministérios Públicos competentes para apurar os episódios de violência e das próprias campanhas, que deverão respeitar o resultado oficial e os procedimentos institucionais posteriores ao segundo turno.








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