O senador eleito pela Bahia Rui Costa (PT) defendeu, nesta quinta-feira (15/10/2026), que os eleitores considerem os resultados das administrações públicas e os impactos das propostas sobre o estado ao definir o voto. Em entrevista à rádio Ativa FM, de Eunápolis, o ex-governador baiano associou a retomada de investimentos federais na Bahia ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e apresentou ações executadas no Extremo Sul como exemplos da atuação conjunta entre União e Estado.
“É importante que as pessoas compreendam e votem pensando no estado da Bahia, na sua cidade e na sua família”, afirmou Rui Costa. Durante a entrevista, ele comparou diferentes períodos da relação entre o Governo da Bahia e a Presidência da República e declarou: “Eu governei a Bahia com dois presidentes que não trouxeram uma obra sequer para a Bahia”. A afirmação foi apresentada pelo senador eleito como avaliação política sobre os governos federais com os quais conviveu enquanto esteve à frente do Executivo estadual.
Rui Costa governou a Bahia entre 2015 e 2022, posteriormente ocupou o Ministério da Casa Civil no governo Lula e foi eleito senador no primeiro turno das eleições de 04/10/2026. Segundo a Agência Senado, ele recebeu 4.335.196 votos, equivalentes a 30,1% dos votos válidos, conquistando uma das duas cadeiras baianas em disputa. A outra vaga ficou com Jaques Wagner (PT).
Rui Costa associa investimentos na Bahia à parceria com governo Lula
Ao tratar da atuação federal no estado, Rui Costa afirmou que a administração de Lula restabeleceu uma dinâmica de investimentos conjugados com o Governo da Bahia. O senador eleito incluiu nessa avaliação iniciativas em infraestrutura, saúde, educação, saneamento e abastecimento de água, além da expansão da educação superior federal.
“A partir do governo de Lula e dos nossos governos, nós enxergamos o interior da Bahia, enxergamos o Extremo Sul. Fizemos muitos investimentos e, com fé em Deus, vamos fazer muito mais. Se muito foi feito, ainda tem muito por fazer para melhorar a vida das pessoas”, declarou.
Na área de saúde, Rui citou a implantação de policlínicas e hospitais regionais no Extremo Sul. Parte da estrutura mencionada pode ser verificada em dados oficiais do Governo da Bahia. A Policlínica Regional do Extremo Sul, em Teixeira de Freitas, foi inaugurada em 2017 e atende municípios consorciados da região. Em 2026, a unidade recebeu um centro cirúrgico oftalmológico financiado com investimento de R$ 1,6 milhão, segundo o governo estadual.
Saúde e educação são apresentadas como resultados das gestões estaduais
“Hoje, o Extremo Sul tem duas policlínicas que esse grupo político levou, dois hospitais regionais construídos e levados por esse grupo. Tem escolas em tempo integral, e eu me orgulho muito de poder dizer que, no Brasil, não há escolas com esse padrão”, afirmou Rui Costa durante a entrevista.
O senador eleito também mencionou investimentos em saneamento básico, abastecimento de água e infraestrutura, além da instalação de novos campi de instituições federais de ensino superior. As referências foram utilizadas por Rui para sustentar a defesa de continuidade da cooperação administrativa entre o Governo Federal e o Governo da Bahia.
No setor de saúde, o Hospital Estadual Costa das Baleias, em Teixeira de Freitas, integra a rede pública regional e completou dois anos de funcionamento em maio de 2026. De acordo com dados divulgados pelo Governo da Bahia, a unidade havia contabilizado mais de 290 mil atendimentos, além de cirurgias, exames e procedimentos, atendendo à população do Extremo Sul.
Rui Costa questiona proposta de ajuste atribuída à equipe de Flávio Bolsonaro
A entrevista também abordou o debate nacional sobre as contas públicas e o chamado “tesouraço”, expressão utilizada durante a campanha presidencial para descrever uma estratégia de redução das despesas federais associada à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
Rui Costa questionou quais áreas seriam atingidas caso um ajuste dessa dimensão fosse implementado. “O orçamento da União é sempre muito apertado para a gente garantir obras de escolas, de creches, de hospitais, e eu fico me questionando onde é que ele vai cortar. É no Bolsa Família, no Pé-de-Meia, no BPC, que ele vai cortar? Provavelmente, esse tesouraço é no pescoço do povo brasileiro”, afirmou.
O valor de até R$ 250 bilhões passou a integrar o debate eleitoral após reportagens informarem que integrantes da equipe econômica de Flávio Bolsonaro estudavam medidas para conter despesas obrigatórias e promover um ajuste fiscal equivalente a aproximadamente 2% do PIB. Entre as hipóteses noticiadas estavam alterações em mecanismos de correção de despesas. A campanha de Flávio, contudo, afirmou que discussões informais e avaliações de terceiros não deveriam ser apresentadas como posição oficial da candidatura.
TSE diferencia estudos econômicos de propostas oficialmente anunciadas
A distinção tornou-se relevante no debate eleitoral porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou, em 15/10/2026, a retirada de uma publicação do PT que atribuía à candidatura de Flávio Bolsonaro a decisão de realizar cortes de R$ 250 bilhões especificamente em saúde, educação e Previdência Social.
Na decisão, o ministro Marco Aurélio Bellizze considerou que a publicação apresentou como decisão anunciada aquilo que havia sido descrito em reportagem jornalística como hipótese em avaliação. A decisão seria submetida posteriormente ao plenário do TSE. Dessa forma, as perguntas feitas por Rui Costa sobre eventual impacto em Bolsa Família, Pé-de-Meia e BPC representam uma crítica e uma projeção política do senador eleito, e não a descrição de cortes oficialmente anunciados pela candidatura adversária.
Os programas de governo oficialmente apresentados pelos candidatos à Presidência no segundo turno estão disponíveis no próprio TSE, que reúne os documentos entregues pelas candidaturas conforme a legislação eleitoral. O material permite comparar compromissos formalmente registrados por Lula e Flávio Bolsonaro com declarações, estudos e propostas debatidos ao longo da campanha.
Senador eleito agradece votação no Extremo Sul e pede avaliação das gestões
Ao final da entrevista, Rui Costa agradeceu os votos recebidos no Extremo Sul da Bahia e defendeu que o eleitor analise o histórico dos candidatos, suas realizações administrativas e os compromissos apresentados para os próximos mandatos.
“Normalmente, as pessoas votam pelo reconhecimento, pelo que a pessoa fez e pelo que ela está dizendo que vai fazer”, afirmou. O senador eleito acrescentou que a avaliação deve ocorrer independentemente do posicionamento anterior de cada eleitor em relação a ele próprio ou ao governador Jerônimo Rodrigues (PT).
“Então, independentemente de como o eleitor votou, se votou em mim ou não, se votou em Jerônimo ou não, é importante que as pessoas compreendam e votem no que fez e fará mais pela Bahia”, concluiu Rui Costa.
Contexto eleitoral amplia disputa sobre investimentos e gastos públicos
As declarações ocorrem após Rui Costa conquistar seu primeiro mandato no Senado e em meio à disputa presidencial de segundo turno. O debate econômico passou a ocupar espaço central na campanha, particularmente em torno da trajetória das despesas públicas, programas sociais, investimentos federais e estratégias para estabilização da dívida.
Para Rui Costa, o argumento eleitoral está baseado na continuidade da parceria entre as administrações estadual e federal. O senador eleito utiliza obras e serviços implantados durante governos do PT como parâmetro para defender essa escolha, enquanto questiona as possíveis consequências de um programa de redução de despesas federais.
A comparação entre resultados administrativos, propostas oficialmente registradas e medidas econômicas efetivamente detalhadas pelas candidaturas será um dos elementos a serem acompanhados até o encerramento do processo eleitoral. No caso das discussões sobre os R$ 250 bilhões, a distinção entre estudos atribuídos a assessores econômicos e compromissos formalmente assumidos permanece necessária para a cobertura jornalística do tema.








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